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Você não deveria estar criando um produto?

A pergunta pode parecer perniciosa, mas não é. Quando você teve a “maravilhosa” ideia que o levou a constituir uma startup, ela provavelmente estava relacionada a um produto ou serviço que solucionasse, ou ao menos buscasse solucionar, algum problema. Como todos aprendemos a partir da metodologia da Lean Startup, o passo seguinte é desenvolver protótipos e modelos, para então testá-los e posteriormente aprender com essas experiências, criando novos produtos melhorados e assim por diante.

Mas não, você resolveu participar de uma série de eventos que premiam startups com alguns milhares de reais, aparecer em coquetéis e encontros do “pessoal do meio” e socializar nessas ocasiões, buscando um investidor. Ok, mas captar recursos, ao contrário do que possa parecer para muitos iniciantes e aventureiros, exige tempo e dedicação – criar boas apresentações, fazer contatos, marcar reuniões, preparar planos e modelos, correr atrás de oportunidades, participar de eventos… dias, semanas e meses que você poderia estar gastando com o desenvolvimento de seu produto, na verdade o que interessa, de fato.

Você quer ficar rico – bacana. Mas que tal pensar em ficar rico VENDENDO o produto ou solução que você pretendeu criar naquele primeiro momento? Investidores não nasceram ontem – o que você está tentando, ou seja, ganhar dinheiro, eles já realizaram. Sabem farejar empreendedores com ideias genuínas e também candidatos a empreendedores, com enorme ambição e nenhuma disciplina. Essa equação nunca gera bons resultados, e eles estão cansados de saber disso.

Tempo – o fator crucial

Cada minuto gasto em apresentações, viagens, participações em eventos com o único objetivo de ganhar prêmios em cima de ideias e conceitos… tudo isso é ótimo para o ego, mas não fará com que sua empresa se torne uma realidade. O que define a maioria das apostas feitas por investidores em empresas que sequer saíram do papel é o tempo de dedicação de seus sócios e integrantes na concretização da ideia ou produto objetivado. E se você participa de 10 eventos e encontros por semana, não parecerá estar gastando muito tempo com aquilo que realmente interessa.

Mas não é apenas sob esse ponto de vista que o tempo é algo crucial para uma startup. Quando você busca investimento, é sempre provável que tenha de gastar algum capital e reservas com despesas que você encontre no meio do caminho. Quanto mais tempo você segue nessa jornada, sem que consiga resultados, menos tempo você terá para desenvolver seu produto, inclusive financeiramente falando.

Estatísticas vagas

As estatísticas genéricas de mercado para startups indicam que ao menos 75% das empresas criadas acabam se extinguindo em 1 ou 2 anos. Porém, será que esses números realmente importam? Quantas dessas “startups” simplesmente desistem ou falham em concretizar um produto ou serviço. Faça uma pesquisa entre as startups que tomaram as páginas da imprensa nos últimos 12 meses e busque os produtos ou serviços por elas oferecidos – algumas saíram do mercado, é bem verdade, mas em muitos casos, você irá se deparar com uma landing page, muitas vezes desenvolvida nas coxas ou em módulos gratuitos de serviços como Unbounce e Launchrock.

Em meses, nada foi desenvolvido nessas empresas. Seus empreendedores estão literalmente exibindo apresentações Powerpoint de vento, pois nada foi criado e dificilmente será, “a menos” que se consiga financiamento. Bem, é desnecessário dizer que qualquer investidor louco o suficiente para entrar nessa roubada estará, em muito pouco tempo, alguns milhares de reais mais pobre.

Agora imagine estatísticas que excluam as startups que nunca desenvolveram qualquer versão viável de seus produtos ou “ideias”. É bastante provável que esse número de mortalidade de empresas recue para 50%, 40% ou até menos. Se considerarmos então apenas as empresas formalmente constituídas, o número será ainda mais baixo. A grande verdade é que, quando analisamos a fundo, startups de tecnologia que seguem os moldes tradicionais do que se espera de qualquer negócio – faturar e gerar lucro, possuir papelada em dia, registrar funcionários e planejar suas ações e decisões – têm, em geral, chances de sucesso muito maiores do que estabelecimentos comercias e empresas comuns.

Simplicidade – a chave em qualquer produto

As grandes startups e empresas de tecnologia que até hoje proliferam como “lendas” do segmento, como Apple, Microsoft, Facebook, Google e outras, fatalmente tiveram origem com a montagem e experimentação de produtos e serviços em escala mínima, com pouco features, simplicidade de uso e execução e, principalmente, poucas pessoas trabalhando no projeto – geralmente apenas os sócios ou fundadores. Por que desaprendemos essa lição?

Se você é um empreendedor cheio de ideias, mas para chegar a um protótipo minimamente funcional precisa de 3 designers, 4 programadores, 2 profissionais de marketing e SEO, um estágiário, um  mecânico, dois eletricistas e uma faxineira, monte uma autoescola, um escritório de contabilidade ou uma padaria, em suma, algo que tenha menor risco e possibilidade de retorno mais lento, porém mais seguro.

Mantenha o desenvolvimento do produto em uma área que você domine razoavelmente bem, para que não tenha de contar com o apoio de profissionais os quais terá ainda de buscar, ou contratar prestadores de serviço, sendo que você sequer tem uma ideia clara de como irá gerar receita para pagá-los.

Bootstrapping

O nome é bonito e parece novidade – mas não é. Desde o início da humanidade, empreendedores lançam mão do próprio trabalho e recursos para criar negócios bem-sucedidos. A busca de um investidor é apenas um momento dentro da vida da empresa que você pretende erigir, contudo, se essa busca for o único motor que tornará possível a criação de seu negócio, é melhor voltar para a prancheta – seu modelo provavelmente não é sustentável.

4 Comentários

  1. Carlos Matos says:

    Concordo plenamente, Guilherme. Sempre achei prepotência demais alguém que quer tomar as rédeas do próprio negócio sem sequer saber onde as rédeas ficam.

    Meu objetivo aqui é exatamente o de criar um contraponto ao “bem-bom” do empreendedorismo no Brasil. Nosso país tem empreendedores que “nunca estudaram” ou foram funcionários? Sim, mas eles geralmente são empreendedores surgidos das necessidades mais básicas do ser humano, como se alimentar: um exemplo que certamente não se aplica a um dos muitos “sabe-tudo” egressos de cursos de MBA ou graduação em negócios.

  2. Guilherme says:

    Olá,

    Por acaso me mandaram esse texto, pois também sou fundador de uma empresa.
    Abri minha empresa fazem 2 anos. Oferecemos serviço, e não temos um produto de fato ainda.
    Hoje, somos 6 pessoas, e estamos tentando crescer, apesar de, no Brasil, ser muito difícil.

    Concordo com o texto do Adriano. Existe uma parcela enorme de “empreendedores” no mercado Brasileiro. E todos esperam o milagre do enriquecimento acontecer.
    Sites como esse (Startupeando), professores, pais, colegas, passam para as pessoas a idéia de que é vergonhoso ser funcionário, e que o objetivo de qualquer um é ter sua própria empresa. Hoje vivemos um grande caos de terceirização no Brasil. Todo mundo quer ser empresa, em vez de funcionário, mesmo que no fim das contas, acabe trabalhando como funcionário.

    Várias pessoas ao longo dos últimos meses vieram me apresentar idéias, oferecer sociedade pra desenvolver tais idéias juntos. Leia-se, vieram me convidar a ser a pessoa que vai meter a mão na massa, enquanto elas vão cuidar dos “negócios”.

    Minha dica para todo mundo é: especialize-se em alguma coisa primeiro. Seja funcionário até você entender todo o ciclo de vida de uma empresa. Se você quer criar um produto em TI, por exemplo, certifique-se de entender o Mercado, antes de começar a meter a mão na massa ou sair vendendo sua idéia de “vento”. Desenvolva um protótipo antes de perguntar a opnião da primeira pessoa.

  3. Adriano says:

    Comecei a minha empresa há quase cinco anos atrás, no período que começou a surgir a moda das startups aqui na minha cidade, inclusive com o lançamento de uma incubadora de empresas. Deixei-me ser atingido por esse modismo. Porém, o que via eram palestras motivacionais, muita conversa com pouca ação e gente que nunca empreendeu de fato (ou que quando empreendeu quebrou com a empresa) que estavam ali para me “ajudar”. Passado um tempo, via muita promessa, pouco crescimento do meu negócio e eu tendo dificuldades para conseguir pagar um pastel com café numa lanchonete. Daí, no terceiro ano tomei uma decisão: Minha empresa não era mais uma startup. Seria uma empresa, como todas as outras, que gera valor para os seus clientes, inova e é sustentada pelo seu próprio dinheiro. Resultado: minha empresa cresceu tudo que deveria ter crescido nos dois primeiros anos e mais um pouco. Hoje, ela está solida no mercado e com produtos consolidados.

    Para mim, startup é uma empresa que não dá dinheiro, é uma loteria. Vejo muito dessa garotada que quer abrir um negócio para ser patrão e não empreender. Acham que terão uma ótima ideia, conseguirão o investimento e vão contratar pessoas para fazer tudo para elas, sem nenhum risco (porque vão usar o dinheiro alheiro) e bem remuneradas porque tiveram a ideia. Tenho amigos meus, empreendedores muito bem sucedidos, com dezenas de funcionários que ainda tem que fazer algumas tarefas operacionais dos seus negócios.

    Acredito que tem coisas nas startups que são válidas e podem ser usadas, porém tem que terminar com essa farra que se encontra atualmente.