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Um pouco sobre a geração Y

Sou membro tardio da geração X – fui criado para ter mil e uma formações, falar meia dúzia de idiomas e ter dois ou três empregos ao mesmo tempo – e nem mesmo isso seria suficiente. O caminho da riqueza significava horas mal dormidas, trabalho ao final de semana, milhares de reuniões, visitas e happy-hours fora do horário de trabalho e, principalmente, a ideia clara de que apenas preparo e dedicação substituíam tempo de serviço rumo a promoções e evolução na carreira.

Naturalmente, tenho problemas para compreender a fundo a atual geração. Nunca senti a menor necessidade de incentivo ou feedbacks constantes e ideias… tive e tenho milhões, mas aprendi que primeiro você coloca em prática, depois discute.

Os valores foram invertidos na geração Y – não discuto aqui méritos ou comparo gerações em termos de desempenho. Elas são diferentes e ponto – entender os “baby boomers”, da geração de meus pais, era provavelmente ainda mais difícil.

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Hipocrisia não, por favor?

É fato que a nova geração espera por recompensas e prêmios a cada pequena realização, mas antes de lançarmos nossas hipócritas reclamações, que tal analisarmos a maneira com a qual os criamos:

  • Ao longo de anos, reduzimos a necessidade de competição, ensinamos que vencer não é o mais importante, desencorajamos embates e conflitos e criamos jovens para virtualmente contar conosco a cada tentativa. A geração atual recebeu a educação do politicamente correto: ninguém é burro, ninguém é feio e ninguém é bobo. Agora, que os encaramos no mercado de trabalho, nos damos ao luxo de reclamar de sua falta de estrutura para ouvir críticas… mas, não ensinamos a eles que criticar é errado?
  • O que na geração dos “baby boomers” era uma derrota se tornou um prêmio de consolação na geração X. Na atual geração, convertemos novamente a derrota, dessa vez para uma medalha pela participação. Pior, o vitorioso em alguns casos sequer existe, porque não queríamos nossos filhos expostos à concorrência e à competição.
  • Durante toda a criação desses jovens, incentivamos a mudança, fazendo com que eles não a temessem, mas agora os queremos manter presos a um cargo ou status por anos a fio… quem suportaria?

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Será que tá certo?

Alertar e aproximar os jovens da realidade do mercado do trabalho e do empreendedorismo “antes” que esses iniciem a trajetória de suas carreiras. Essa é a missão do projeto “Será Que Tá Certo?“, explica o fundador Bruno Perin (na foto, em destaque), ele mesmo integrante da atual geração, com 25 anos. Para Bruno, o principal problema do jovem atual em relação ao mercado de trabalho é a “ansiedade”.

“Esse jovem vê cases de sucesso o tempo todo na TV, na mídia e na internet e não se conforma em ter de esperar”, afirma Perin. No cenário descrito por Perin, o empreendedor adquire uma forma romântica, onde o sucesso significa a riqueza e a qualidade de vida proporcionadas apenas por uma boa ideia, embora a verdade esteja muito distante disso. Os poderosos e bem-sucedidos magnatas da geração atual na verdade perderam boa parte de seus anos de juventude fazendo jornadas de 18 ou 20 horas diárias, trabalhando incessantemente sem férias ou finais de semana e, mesmo hoje, com suas empresas na crista da onda, seguem fazendo pesadas jornadas.

“As faculdades hoje apontam muito para essa visão do empreendedorismo romântico”, explica. A proposta do Será Que Tá Certo? é oferecer orientação aos jovens que hoje despontam para o mercado de trabalho, sem no entanto oprimir o seu espírito empreendedor e sua mente aberta a ideias e mudanças.

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Onde está o Y da questão?

A geração está nas portas do mercado de trabalho. Em poucos anos, queiramos ou não, eles assumirão nossos cargos, posições e conduzirão a economia que hoje, corretamente ou não, conduzimos. Talvez um consenso seja necessário, rapidamente, e como nós mesmos fazemos questão de ressaltar, ele não poderá começar pelo lado que não suporta críticas. Assim sendo, há algumas realidades com as quais teremos, nós das gerações anteriores, que nos acostumar nos próximos anos:

Motivação e incentivos

A geração Y precisa de motivação em forma de prêmios, incentivos, menções e outras ferramentas que comprovam e dimensionam sua evolução e conquistas profissionais. Promoções não mais têm de advir do tempo de trabalho ou de casa, ou mesmo de uma performance ilibada – elas têm de ocorrer em maior número, sempre relacionadas com tarefas cumpridas e desempenhadas, podendo ser acumuladas e contabilizadas pelos jovens. Mais do que colecionar troféus, isso gera um sentimento de motivação, permitindo ao jovem a participação em mais e mais projetos e tarefas, com o objetivo de colher frutos de modo mais rápido e eficaz.

Feedbacks constantes

Pesados relatórios semestrais ou anuais de desempenho perderam sua função. A geração Y espera avaliação e feedback a cada nova ação desempenhada e, embora possamos orientá-los a admitir avaliações nem sempre positivas, dificilmente poderemos deixar de atualiza-los constantemente a respeito de seu trabalho. Em uma era na qual a resposta vem em segundos por meio de redes sociais, é simplesmente sem sentido esperar meses por uma simples avaliação.

Tudo é customizado

Não se trata mais de ser mais ou menos que o colega. A questão é ser diferente e único. As mudanças que certamente ocorrerão mais lentamente no Brasil, mas que já estão em curso no exterior, como a flexibilização do trabalho, home-offices, freelancing e trabalho remoto farão com que, cada vez mais, tenhamos de criar possibilidades e condições de trabalho distintas para cada um dos colaboradores envolvidos em um projeto. Nesse aspecto, as relações trabalhistas brasileiras e a hierarquia administrativa na maioria das empresas está hoje situada em algum lugar entre a Idade dos Metais e a Alta Idade Média. Tal sistema irá por terra – a questão aqui é até que ponto desistiremos dele, ou simplesmente iremos ceder após a falência do mesmo.

Possibilidades de mudança

Até pela personalização, mudanças e novas possibilidades precisam ser constantemente apresentadas à geração Y. Uma carreira previsível e desenhada não irá conquistar muitos corações e, até por isso, o empreendedorismo vem surgindo como uma resposta fácil. Sabemos que de fácil ela não tem nada, porém parece permitir a flexibilidade e possibilidades de mudança que os jovens de hoje buscam.

Valorizar ideias com o pé no chão

Refutar ideias, simplesmente, desmotiva completamente a geração Y e causa nela a sensação de traição. É simplesmente impossível abraçar todas as ideias que apareçam e surjam, mas ouvi-las, considera-las e discuti-las pode se provar mais fácil do que muitos de nós imaginam.

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