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Tranque sua pós-graduação e vá fazer dinheiro

Se você está com mais de 25 anos, as chances de que esteja fazendo uma pós-graduação ou MBA, ou pensando em uma delas, é de quase 90%. Mais uma das “obrigações” artificialmente criadas pelo mercado, assim como o inglês fluente (uma lenda que só existe em currículos) e o perfil de liderança (como se alguma empresa quisesse mais gente mandando), a pós-graduação chegou ao seu ápice em termos de popularidade, apenas para revelar a sua pouca utilidade.

Vivemos em um país no qual metade da população é educada para prestar concursos públicos – na maioria deles, uma pós-graduação pode representar alguns pontinhos a mais na hora do desempate. Tecnicamente falando, ter um filho ou casar promove você melhor dentro de um concurso. Em empresas privadas, possuir uma pós virou obrigação em programas de trainee ou para profissionais recém-formados, porém executivos e chefes raramente possuem uma formação que vá muito além de uma faculdade.

Em relação ao empreendedorismo, a inutilidade de uma pós-graduação atinge seu nível mais alto. Será que faz mesmo alguma diferença a maravilhosa pós que você tem em gestão empresarial? Ou uma pequeno curso “de grátis” do Sebrae já resolveria seu problema. Dentro do cenário atual do empreendedorismo, MBAs e pós-graduações representam apenas o adiamento da execução de projetos ou um título a mais para inserir nos milhares de ebooks publicados por ilustres desconhecidos que inundam hoje a internet brasileira.

Proponho algo realmente simples – tranque sua pós, que custará algumas dezenas de milhares de reais em sua totalidade, e vá fazer dinheiro.

Nada é diferencial

A cada ano a imprensa e os grupos educacionais inventam novas obrigatoriedades. Misteriosamente, qualquer coisa que você tenha concluído até a presente data vira “obrigação” e novos “diferenciais” são estabelecidos. A moda agora é o mestrado. Estranhamente, quando falamos de empreendedorismo, esse tipo de graduação é praticamente o antônimo do que um bom perfil empreendedor exige: excessivamente acadêmico, quadrado e cheio de regras, repleto de políticas de favorecimento e preferência determinadas por professores que nunca venderam um maço de cigarros e, finalmente, sistemas que produzem pesquisas, dissertações e obras que ninguém lê.

Estou exagerando? Ok, alguém aqui, sem precisar para um trabalho da própria universidade, já se dispôs a ler uma dissertação ou trabalho de graduação? Provavelmente não. A pergunta é: por que não?

Pesquisas e trabalhos produzidos em universidades são chatos, maçantes, repetitivos, não trazem inovação, apenas citações e referências a modelos e teorias já existentes e levam o estudante, mestrando ou pós-graduando, a um raciocínio compartimentado e baseado em documentos, não em realidades. O MBA, muitos argumentarão, é diferente… não é o que as aulas manjadas e pré-prontas em Powerpoint têm dito.

Fora da caixa, não era assim?

Uma multidão de idiotas engravatados lota carteiras em universidades nos dias de hoje soltando pérolas sobre as necessidades de “pensar fora da caixa”. Isso sim virou bunda. Esqueça a caixa – é nela que você está, imaginando como é maravilhoso o mundo do lado de fora e fantasiando, junto a mestres e tutores que batem cartão de ponto, modelos de negócio e ideias fantásticas que não têm qualquer compromisso com a realidade como ela é de fato.

Esqueça a caixa. Pense no seguinte: se você atear fogo na caixa, não precisará sequer se preocupar em pensar fora dela. Jogue fora, recicle, ateie fogo, rasgue e dê pro seu cachorro – apenas se livre da caixa. É bem verdade, estamos fazendo algum esforço para pensar fora dela, mas continuamos ali, coladinhos, com as mãos na segurança da caixa – se der uma merda, pulamos dentro de novo.

O MBA e a pós-graduação estão mantendo você ali, nas vizinhanças da caixa. A pergunta inevitável continua sem ser feita por nenhum aluno sequer – se temos de pensar fora dela, pra que saber o que está do lado de dentro?

Pós-graduação = ficar rico?

Largar a pós e ganhar dinheiro – não disse ficar rico. Acontece, mas é uma consequência de uma série de fatores. O empreendedorismo, como ele é, nunca prometeu riqueza. Ele promete satisfação, problemas resolvidos, sobrevivência e propósito e realização pessoal. A pós-graduação de hoje promete riqueza. Será que ela traz mesmo? Ou apenas melhora sensivelmente uma posição dentro da empresa na qual você trabalha, que não raramente acabaria vindo em decorrência do seu trabalho, e não por conta de um diplominha de “gestão de qualquer coisa”.

Para o empreendedor, a pós-graduação é algo que vai gradualmente desaparecer de seu currículo, até que deixe de figurar como destaque no próprio LinkedIn. Mas as receitas de bolo da riqueza precisam de ingredientes, é claro, e a pós é somente mais um deles.

 



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