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The “leaner” startup

O empreendedorismo mudou. O advento da tecnologia, da internet e das redes sociais, além da busca de respostas às últimas crises financeiras e econômicas, criou um cenário de empreendedorismo onde os novos investidores buscam negócios que, ainda que de alto risco, exijam pequeno aporte de capital, permitindo enorme pulverização na aplicação de recursos e uma maior chance de compensação, ainda que 80% ou 90% do portfólio não gere retorno considerável, ou mesmo nenhum retorno.

Nesse cenário surgiu a, talvez, mais célebre teoria de criação e desenvolvimento de negócios dos últimos anos. A filosofia da “lean startup”, de Eric Ries, transformou a economia digital em grau parecido com o que Ford fez pela economia industrial, ou a mais recente filosofia do “lean management” pelas grandes corporações. Sob o ponto de vista do investidor e da macroeconomia, a teoria de Ries é ilibada – garante um processo dinâmico que acelera novos negócios, permitindo a investidores vislumbrar rapidamente suas possibilidades de realizar lucros ou não dentro de sua carteira. Mas até que ponto o estratagema de Ries funciona para as startups – principalmente para aquelas que NÃO angariam fundos de outras partes durante o ciclo inicial de validação e testes?

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Ciclo de Ries simplificado

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Quantos ciclos?

Embora a maioria das startups hoje se valha do ciclo da “lean startup” ao desenvolver seu MVP e, posteriormente, seu próprio modelo de negócio definitivo, o número de tentativas varia, podendo se estender inclusive nas fases de validação e mesmo escala da nova empresa, incluindo possíveis ‘pivots’ que possam surgir, com a entrada de novos sócios, parceiros e investidores, além da mudança do público-alvo em relação às hipóteses iniciais.

Cada nova “volta” do ciclo possui um custo, fator esse muitas vezes ignorado pelos próprios empreendedores – daí a necessidade de ingresso de investimento e capital. Para manter o fluxo e possibilitar novas voltas até que se chegue ao modelo definitivo e eficaz do negócio, investidores apostam em startups e injetam nelas o capital necessário para ampliar o número de testes e, por conseguinte, a margem de erro de um modelo em estudo. A conclusão é óbvia: quanto menor o acesso ao capital e aportes, menor será o número de “voltas” que uma startup poderá dar no ciclo até que chegue a um MVP razoável. O raciocínio pode se tornar ainda mais preocupante, quando chegamos à conclusão de que quanto mais “redondo” o modelo desenvolvido pela startup antes da entrada de investidores, maior será sua chance de conseguir o tão desejado investimento.

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Calculando o custo de um ciclo

Não importa qual a fonte de seus recursos, quando fundando uma startup – se já é sabido o número de ciclos que se pode cumprir antes de se chegar a um MVP ou esgotar o caixa, a coisa sem dúvida fica muito mais fácil. Mas, como calcular os custos de cada um dos ciclos? Não há “novidade” em relação à fórmula e os custos irão necessariamente depender do perfil de cada empresa. Porém, estipulando um custo por hora trabalhada, seja para funcionários contratados, fornecedores, terceirizados ou até mesmo os sócios (pode acreditar, o tempo gasto por você no empreendimento tem um custo – afinal, você poderia estar gerando receita de outras formas), é possível estimar com razoável precisão o valor gasto em cada ciclo. Outras despesas entram na conta: publicidade, webhost, domínios, custos de “utilities”, como energia elétrica, banda larga e outros apensos e por aí vai. Material impresso, transporte e outros encargos também devem ser previstos.

Feito isso, o cálculo não poderia ser mais primário: basta dividir o valor de seu caixa ou reservas financeiras (junto a empréstimos, investimento de terceiros e qualquer outra fonte) pelo custo por ciclo apurado. O número resultante representa quantas tentativas sua empresa terá, em média, até chegar a um modelo mínimo de negócio.

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Are you lean? So make it LEANER

A maioria das startups hoje seguem a filosofia de Ries para criar seus modelos de negócio, mas até que ponto essas potenciais empresas são realmente LEAN?

Já mencionamos, em ocasiões anteriores, a excessiva pressa de algumas empresas em recrutar funcionários, incorrer em gastos que muitas vezes não farão parte do modelo definitivo e criar estruturas que não poderão bancar, a menos que consigam socorro por parte de investidores. Isso não parece é não é “lean”.

Acertar o modelo de negócio não é tarefa fácil e, embora a ferramenta de cálculo de custo dos ciclos seja útil, pode gerar pressões por resultados. No entanto, há uma saída óbvia para o dilema: torne sua startup “LEANER”. Reduzindo o custo de cada ciclo, você certamente ganhará mais fôlego e tentativas até chegar ao MVP e ao modelo corretos. Não se trata de ser pão-duro, prefiro a palavra “racional”.

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