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Ter uma startup não é mais algo de especial

“Ter uma startup não é mais algo de especial”. Ouvi essa frase duas vezes na última semana, e umas 5 ou 6 vezes desde que o ano começou. Acho que essa afirmativa resume bem em que ponto estamos dentro do empreendedorismo criativo no Brasil. Mas, antes que vocês façam algum julgamento a respeito do que estou dizendo, leiam o restante do texto.

Modismo

Desde os “primórdios” da aventura startup brasileira, muitos criticam a postura de determinados empreendedores, afirmando que a onda não passaria de um modismo. De certo modo, esses ranzinzas de primeiro momento estavam cobertos de razão. Como muitas outras coisas em nosso país, as startups não passaram de um modismo, com tempo para acabar. Só que o modismo não afetou apenas jovens empreendedores, recém-saídos de universidades e até do ensino médio. É cômodo afirmar que o empreendedorismo criativo e digital “seduziu” os jovens, mas se analisarmos um pouco mais a fundo, veremos que diversos outros atores tomaram carona no modismo de forma muito mais acentuada:

  • A imprensa, que dedicou páginas, blogs e até cadernos inteiros em seus periódicos à “onda startup”. Páginas essas que agora encontram-se razoavelmente esquecidas e sem atualização – ou pior, com notícias, cases e informações que nada têm a ver com o universo startup.
  • Investidores que não conheciam o mercado de tecnologia passaram a investir no setor – algo positivo, em termos de acesso ao capital, porém negativo em termos de mindset. Muitas ideias e propostas inovadoras se transformaram em “empresinhas de TI”, sob o comando de investidores que apenas queriam o retorno de seu capital.
  • Universidades – ainda que muitas delas tenham usado a onda para instigar e promover o empreendedorismo em seus alunos, uma atitude invejável, outras tantas universidades e instituições usaram o bordão apenas para colocar no mercado cursos idênticos aos que já ministravam, sob nova “roupagem”.
  • O governo, que viu no segmento uma oportunidade de estreitar laços com um público específico, mas rapidamente deixou as linhas de crédito, programas e políticas voltadas ao setor caírem no ostracismo – como a grande maioria das demais políticas de cunho tecnológico em nosso país.
  • Autores de autoajuda – que viram no segmento uma grande possibilidade de reciclar as mesmas frases “pra cima” e motivacionais usadas por seus pais, avós, bisavós e antepassados da Coroa Portuguesa, sem tirar nem por, apenas incluindo algum vocabulário novo, como “startups”, “resiliência”, “proatividade” e por aí vai.
E agora, o que sobra?

Na verdade, ter uma startup nunca foi algo de especial. Assim como possuir um MBA nunca fez de ninguém “garantido” no mercado, ou o inglês “obrigatório” nunca foi de fato cobrado no mercado de trabalho (mesmo porque a maioria dos avaliadores em empresas possui um inglês patético e sofrível). Não sobra e nem falta. O mercado de startups, propriamente dito, segue intocado. Talvez, entretanto, tenhamos uma oportunidade única de nos livrarmos do peso extra do “bem bom” e das “startups” que operam como franquias ou MMN. O mercado se tornará mais transparente, comprometido com os valores e o processo de aprendizado que o ciclo startup proporciona.

Mas, claro, continuará não tendo absolutamente nada de especial…

Você quer ser “especial” ou faturar?

Esse é uma pergunta que muitos dos colegas que realmente são empresários hoje em dia (e foram ou ainda são empreendedores, a seu modo) têm feito a muitos dos que ingressam na aventura do empreendedorismo: você quer ser especial ou quer lucrar e ser bem-sucedido? Os cinco minutos de fama com startups que têm ideias “explêndidas” hoje, seriam facilmente trocados, por alguns dos empreendedores e startupeiros que se desiludiram com esse mercado por algo bem mais sólido, ainda que não tão “especial”.

Talvez seja a hora de orientarmos todo o conceito de ter uma empresa, seja ela uma startup ou não, a algo mais prático e objetivo. O mercado pede isso. A situação econômica atual pede isso. E, acima de tudo, se o seu bolso ainda não pede isso, irá pedi-lo em breve.

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