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Tecnologia – algo que ninguém está disposto a comprar

O universo das redes e mídias sociais, dispositivos móveis, mundo conectado e, claro, a explosão da filosofia startup no segmento empreendedor, nos tornamos todos aficcionados por tecnologia. Perdemos parte de nossa juventude criando empresas e produtos por anos, que quebrem padrões e estabeleçam novos passos na tecnologia e na inovação – buscamos a tecnologia, como dizem muitos, “disruptiva”. Somente um único problema: NINGUÉM COMPRA TECNOLOGIA.

Isso mesmo – essa é a hora que irão me chamar de imbecil e provavelmente procurar algo melhor para ler. Mas esperem só mais um pouco – apenas uma questão de abordagem pode estar impedindo você de criar um produto que possa ser vendido no futuro e criando uma startup ou empresa que já nascerá destinada a ruir.

Soluções e não tecnologia

As pessoas compram soluções e, por mais incrível que possa parecer, o grau de inovação e tecnologia contida nessa solução é quase que completamente indiferente para o consumidor médio. E o grande problema de muitas tecnologias que chegam ao mercado é exatamente esse – elas não resolvem problemas do usuário e até mesmo criam alguns outros. Em relação a algo disruptivo, o resultado pode ser ainda pior. Uma tecnologia completamente inovadora e passos à frente do mercado atual possui enormes probabilidades de fracassar… por quê? O motivo não é apenas um:

  • Tecnologias muito avançadas são instáveis, não possuem bom suporte e geralmente se tornam elefantes brancos.
  • Uma tecnologia produzida com o único objetivo de inovar não necessariamente atende a algum problema ou dor do usuário.
  • Tecnologias possuem um tempo de consolidação e aprendizado, mas clientes geralmente não têm paciência para enfrentar problemas, falhas, defeitos e substituições.
  • Nada de errado em perder tempo inovando – mas algumas novas tecnologias não têm, necessariamente, apelo mercadológico.

Ninguém está insinuando que você não deva inovar, ou mesmo que deva engavetar alguma nova tecnologia e produto que desenvolveu em função do feijão-com-arroz. Entretanto, a tecnologia pode sim estar à frente do mercado, mas tem de se aproximar suficientemente da linha de compreensão do público para que possa ter apelo comercial e, com isso, prevalecer no mercado.

Resistência e tolerância

O fato é que todo público, quando submetido a uma nova tecnologia ou a um conceito que chega a ser inovador, costuma apresentar duas variáveis: a resistência, que pode ser menor ou maior, a depender do grau de avanço e da área a ser atingida, e também a tolerância, uma vez que mesmo resistentes em permanecer com suas soluções atuais, alguns públicos são mais suscetíveis a “testar” soluções tecnológicas ou inovadoras. Entretanto, se considerarmos ambas as variáveis, podemos chegar a um “limite” de aceitação e compreensão do público em relação ao nível tecnológico atual – como no gráfico que segue.

GRAFOI

Como o gráfico demonstra, a EMPRESA 1 vem há mais tempo desenvolvendo sua solução e terminou por atingir um nível de desenvolvimento tecnológico maior que a EMPRESA 2, que começou a desenvolver de forma tardia e atingiu nível mais baixo de desenvolvimento tecnológico. Entretanto, a proximidade maior do conceito da EMPRESA 2 em relação ao nível atual de tolerância e compreensão de novos conceitos faz com que seu produto, no frigir dos ovos, tenha uma probabilidade maior de aceitação pelo mercado.

Produtos que explodem “de repente”

Esse tipo de comportamento explica, ao mesmo tempo, produtos de soberba tecnologia que nunca chegam a vingar e também produtos de avanço medíocre em relação ao conceito atual que acabam atingindo níveis fenomenais de vendas e adoção. Contudo, o gráfico acima explica mais um fenômeno que, nos últimos 20 anos, não tem sido raro: os produtos que explodem “de repente”.

O iPod revolucionou a forma com que o mundo ouve músicas, mas a verdade é que suas vendas só começaram mesmo a decolar muitos meses após seu lançamento. Os relógios inteligentes – smart watches – que vêm hoje sendo desenvolvidos pelos principais fabricantes ainda não vingaram, e talvez nunca venham a fazer sucesso. Em termos de tecnologia em miniaturização, eles estão muito além dos atuais smart phones – mas o paradigma hoje está nos celulares, não nos pulsos.

Voltando à EMPRESA 1 no gráfico, caso o produto continue no mercado até que a linha de aceitação e tolerância do público possa coincidir com seu grau de avanço tecnológico, então “touché”, você terá um sucesso de vendas. É claro que até lá, distúrbios e mudanças podem ocorrer na linha de tolerância em função de novos produtos que venham a se tornar benchmarks – mas você estava disposto a arriscar quando começou a desenvolver sua startup, por isso não reclame, mude o foco.

Ainda quer vender tecnologia?

Sem problemas – não está mais aqui quem falou. Entretanto, não custa você realizar algumas pequenas pesquisas e testes a respeito dos problemas enfrentados pelo público que você pretende atender com a tecnologia que está desenvolvendo. Hmmm… não tem público-alvo? Bem, então seu problema realmente não está na tecnologia…

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