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Startups: fim do modismo?

Os apocalípticos de plantão tendem a ver apenas o lado negativo de uma crise. Eu vou além – vejo também o lado cínico e irônico. o que é de extrema utilidade em um país como o nosso. Por 3 ou 4 anos, as páginas dos periódicos de economia permaneceram repletas de empresinhas startup, muitas delas trabalhos de final de semana de programadores, como se fossem a nova coqueluche do mercado de trabalho. Se você é esperto, faz um MBA e pega um emprego em uma multinacional, mas se for bom mesmo, montará startups. A moda se espalhou e, como tudo no Brasil, se tornou a menina dos olhos de toda a imprensa e até de alguns entes governamentais.

Mas tudo passa no Brasil… e rápido. Sem a água batendo na bunda, milhares ou dezenas de milhares de jovens brasileiros embarcaram na onda da empresa inovadora, dispostos a criar no “novo Facebook”. Apesar do enorme risco envolvido na criação desse tipo de negócio, jornalistas e gurus do “bem-bom” minimizaram os problemas e desafios e criaram um céu de brigadeiro ilusório para esse público.

Mas veio a crise. Com ela, o comportamento natural do brasileiro foi renovado: passar em concurso público ou empreender vendendo pasteis, bolinhos ou picolé (agora “paleta mexicana”). O empreendedorismo inovador deixou as páginas das principais revistas, e cedeu lugar ao tradicional tipo de empreendedor. Do dia para a noite, criar um negócio inovador virou novamente um risco desnecessário e abrir um negócio nos moldes tradicionais voltou a ser muito foda. Franquias, dicas de investimento em “negócios para 2016” e tudo mais para aplicar seu FGTS e grana da rescisão – afinal, estamos sendo demitidos – girando a economia a despeito dos riscos envolvidos no processo.

O modismo acabou. Voltaram as receitas de bolo do sucesso nos moldes Sebrae. Abra um negócio como os outros mil empreendedores que vieram antes de você e fique rico. Ninguém menciona o efeito dos novos impostos e alíquotas nesses negócios, ninguém fala sobre a queda do poder aquisitivo e a necessidade de competição por preço, ninguém fala sobre os riscos absurdos envolvidos em um investimento em uma franquia e nem fala sobre as milhares de lojas de franqueados que têm fechado as portas em base diária.

O modismo startup, com toda sua megalomania, parou. Agora é hora dos bons e velhos negócios da China para superar a crise, no melhor estilo “fonte otimista ouvida por jornalista”.

O risco permanece o mesmo

O mais interessante é que, se pensarmos a fundo, os riscos envolvidos na criação e desenvolvimento de uma startup continuam os mesmos – altos. Os riscos de ingressar em uma empresa, parar a vida para passar em um concurso ou abrir um negócio de bairro, entretanto, aumentaram. Proporcionalmente, nosso meio está mais seguro. Por que então a fuga de empreendedores? Bem, não há muitos investidores-anjo dispostos a empatar grana em ideias malucas e sonhos de grandeza. Mas para aqueles que sempre buscaram uma aventura solo, o horizonte acaba de ficar mais próximo.

Startups são coisa do diabo

Esse é o próximo passo. A demonização dos “aventureiros”. O mercado voltará a ver, em breve, startups desse modo. Sem o respaldo das revistas e jornais do segmento e dos especialistas que são tão especializados que apenas repetem opiniões da moda sobre qualquer assunto, o empreendedor ousado passará novamente a ser visto como um moleque mimado.

Azar, vocês diriam. Na verdade, até um pouco de sorte. Fora dos holofotes e do modismo desenfreado, startups terão mais espaço para trabalha e desenvolver negócios, e certamente contarão com custos menos inflacionados por modismos. Os “grandes nomes” do setor, podem esperar, já estão com malas feitas – vão atuar em segmentos nos quais podem vender mais receitas de sucesso. Com o tempo, você não irá sentir muita falta deles, principalmente quando vir que frases de efeito só servem para aumentar likes no Facebook.

O ano de 2016 é um ano difícil – sem crédito, investimento ou apoio sensacionalista, startups se verão diante da realidade. Uma realidade que faltou nos últimos 4 anos. Para aqueles que persistirem, estarão em breve caminhando em um mercado mais profissional e menos povoado por palestrantes “campeões”. Para os que desistirem, recomendo a Folha Dirigida ou o Jornal dos Concursos.

Um comentário

  1. Os aventureiros devem ficar longe, isto é algo sério!