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Um dia como outro qualquer – startups até 2018

Parece bastante provável que a “bancada” de startups estivesse, em peso, apoiando ao candidato do PSDB, Aécio Neves, para ocupar a cadeira da presidência no próximo mandato. A esperança de um cenário de maior benefício ao pequeno e médio empreendedor, não apenas a empresas de grande porte e empresários estabelecidos que podem arcar com coiós, caixinhas e “parcerias” com fiscais e governos para promover seus negócios com maior tranquilidade, como tem sido, infelizmente, durante quase duas décadas.

Não deu. Alguns fundadores de startups certamente ficarão felizes com o resultado, mas a grande massa terá de realizar seus planos sob o domínio do partido que já ocupa o palácio há 12 anos. Paciência… ou sorte, questão de óptica e opinião.

O fato é que, a partir de 1° de janeiro de 2015, empreender não será uma atividade mais ou menos difícil do que foi até agora. A palavra “manutenção” pautou as eleições deste ano. Estamos falando de Dilma, mas e quanto aos 23 governadores reeleitos e quase 300 parlamentares que venceram o pleito por novas legislaturas? Nos esquecemos deles? Se o objetivo era mudar algo, tanto sob o ponto de vista do executivo quanto do legislativo, estaremos basicamente na mesma. Amanhã será um dia como outro qualquer para o empreendedorismo e também para o segmento de startups.

O que mudar no meio das startups?

Como segmento da economia, o ramo de tecnologia e startups provou, ao longo do processo eleitoral deste ano, que não está preparado para promover as mudanças de que precisa. Depender de resultados de eleições é basicamente relegar a 200 milhões de brasileiros a responsabilidade de lutar pelos interesses econômicos dos poucos empreendedores de tecnologia (nem tão poucos, mas ínfimos se comparados à massa eleitoral total). Já temos associações nos representando, é bem verdade, e também um programa federal específico para o segmento. Isso é suficiente? Na verdade, não chega nem perto do que pode ser feito.

A palavra “lobby” tem uma conotação negativa no Brasil. É bastante engraçado, uma vez que nos Estados Unidos trata-se de uma ocupação de prestígio e muito bem remunerada. É legítimo para um setor nomear atravessadores e embaixadores que os possam representar perante o poder público, o Legislativo e o Executivo, não para pagar caixinhas e oferecer propinas, como vemos com frequência, mas sim para expor os valores do setor e negociar perante as autoridades benefícios e vantagens.

A moeda de troca que startups podem oferecer? Oportunidades para frequentadores de universidades e cursos técnicos federais e estaduais, geração de empregos, elevação da arrecadação em municípios, serviços e softwares a custos mais competitivos… tudo isso pode ser oferecido ao poder público em troca de vantagens competitivas para empresas de tecnologia, a exemplo do que ocorre com setores da indústria e do agronegócio. Não somos ainda um setor forte e com “bala na agulha”, mas poderíamos ser: o segmento de tecnologia emprega jovens em ocupações de nível superior e prestígio, em grau muito maior do que algumas indústrias que logram grandes conquistas junto a governos.

Talvez os resultados dessa eleição sejam um sinal de que, como setor econômico, não podemos depender da sorte ou das urnas para promover a transformação em nosso cenário de negócios. Se queremos mudar, precisaremos cada vez mais de representantes e lideranças que intercedam por nós – conhecedores das necessidades do segmento e sabedores do que ele tem a oferecer. Em outras palavras – precisamos fazer política e não depender de políticos.

Por onde começar?

O que nos aflige? O que facilitaria a vida de startups sem causar, ao mesmo tempo, grandes transtornos para a esfera política dominante? Será que a única pauta que podemos e conseguimos discutir é a de incentivos em forma de financiamento ou aporte de capital a título de perdido? Pagamos impostos, contratamos funcionários, alugamos espaços e escritórios e dependemos de insumos cada vez mais importantes, inclusive para a população e nossos usuários? A pauta, quando pensada de forma política, parece interminável em nosso setor:

  • Estabelecimento de exceções tributárias para contratação de serviços de tecnologia na nuvem, mesmo fora do Brasil.
  • Licenças de importação especiais, para insumos a serem empregados na construção de modelos e protótipos.
  • Benefícios tributários para empresas nascentes.
  • Regime de contratação diferenciada de aprendizes, estagiários e profissionais em startups, ao longo de seu primeiro ano de vida.
  • Parcerias com universidades e programas de ensino técnico chanceladas pelos governos.
  • Acesso ao crédito em bancos estatais, com menor rigor em garantias.
  • Isenção tributária na contratação de insumos e serviços básicos – internet dedicada, computadores, componentes eletrônicos, softwares diversos, etc.
  • Redução das exigências para participação em processos licitatórios ligados ao desenvolvimento de softwares e novas tecnologias.

A lista não acaba – para cada agrura enfrentada pelo setor, é possível barganhar um tópico diferente junto a lideranças municipais, estaduais e federais. A questão é a criação das lideranças. As entidades representativas de nosso setor precisam ir além de cursos e parcerias para descontos, sem desmerecer as jovens associações e grupos formados nas áreas de tecnologia, startups, mídia digital e outros. Precisamos amadurecer como setor – seja Dilma ou Aécio, não importa. Precisamos de novos políticos – e já que no congresso, nos palácios e nas assembleias simplesmente não deu – o melhor é gerarmos alguns dentro de nossa própria classe.



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