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Seu conteúdo é caro demais

Você possui uma empresa, em qualquer área que seja, de qualquer porte ou tamanho, startup ou não. Hoje em dia, todos lhe disseram, é preciso investir em conteúdo. Com frases piegas como “conteúdo é rei” (que foram mal e porcamente traduzidas do inglês), agências ganham parte de seu budget e entregam alguma coisa que, segundo tabelas e gráficos de ROI entregues ao final de cada mês, estão “alavancando” seu negócio.

Em primeiro lugar, deixe-me dizer: você está gastando demais com conteúdo. Se duvida disso, vamos primeiro identificar em qual dessas duas categorias de empresa você se encaixa:

  1. Caiu na venda de uma grande agência de comunicação ou empresa “na moda” no mercado, e paga fortunas por um conteúdo que, na maioria das vezes, não é muito diferente daquele de blogs produzidos por adolescentes de 17 ou 18 anos.
  2. Contratou um “frila” no Freelancer.com ou similar, e discorda completamente do que estou dizendo, porque está gastando somente R$ 8,00 por texto escrito.

Agora sim. Se você está na categoria 1, dirá que reconhece a importância da comunicação e está gastando o “justo” para usufruir de retorno em seu negócio. Se está na segunda categoria, dirá que paga “quase nada” pelo seu conteúdo, mesmo que ele traga pouco retorno.

Porém, a realidade é bem pior do que você pensava…

Pouca grana, mas direto no lixo

Você é um empresário esperto e, mesmo reconhecendo que comunicação e conteúdo são hoje essenciais, não pretende gastar tubos nisso. Ao contrário, reserva o que sobrou do seu jantar de final de semana com a família e contrata um rapaz em um site de freelancers por um preço “ótimo”. Veja bem, não é por ser jornalista, mas tudo tem um preço mínimo. Não precisa ser caro, mas de graça… desconfie.

Agora sim, como jornalista: seu conteúdo é uma merda.

Ele é mal escrito, não tem qualquer uniformidade ou linha editorial, pode estar acabando com a imagem de seus produtos sem que você sequer se dê conta disso e, mesmo sendo “otimizado” segundo normas de SEO, o máximo que a visibilidade maior está causando é elevar o papel de ridículo de sua empresa no segmento. Aqui podemos colocar traduções feitas com “ajuda” do Google Translate, artigos e textos de natureza banal e sem utilidade, que os “especialistas” chamam de topo de funil, mas que na verdade nem deveriam estar nele. A regra é simples: VOCÊ acha seu conteúdo bom?

Por mais que você esteja gastando pouco com isso, o retorno de seu investimento é zero – ou até mesmo negativo. Desfaça seu acordo com o freelancer e mantenha tudo como era antes – sem conteúdo. Você não irá se colocar em maus lençóis.

Agências e sua estrutura retrógrada

Você pode escrever bem ou não, mas tente imaginar quantas pessoas são necessárias para escrever um post de um blog, uma chamadinha de rede social ou mesmo um e-mail mais longo para ativar o relacionamento com seus prospects. A resposta, invariavelmente, é UMA pessoa, certo? OK, adicionemos aí alguém para rever o texto e deixá-lo de acordo com a linha que o cliente deve seguir, além de emendar enganos, erros de português e outros problemas (esse costumava ser o “editor”).

O problema é que a maioria das grandes agências trabalha com 4, 5, até 10 pessoas para produzir algo que um redator ou jornalista com mediana experiência faria em 20 ou 30 minutos. Primeiro, há o cara que mantém contato com sua empresa, o “gerente de atendimento”. Depois, há um especialista em SEO, outro especialista em “conteúdo” e outro especialista em marketing digital (o mesmo que dá nomes bonitos para textos e suas categorias, como “épico”). Finalmente, há alguém responsável por montar um Excel colorido, com a pauta e o cronograma. Já chegamos aqui em 5 ou 6 pessoas.

Bem, e o cara que irá escrever? Aqui entra a pegadinha. Esse cara, que redigirá finalmente seu conteúdo, é o mesmo que você contrataria por 8 reais o texto. Aquele do tópico acima, lembra? As agências contratam esse mesmo sujeito, pagando não muito mais do que isso, e encomendando textos a quilo com briefings preparados pelos 5 caras que gastam seu dia em reuniões.

Não bastasse os 20 chefes para um único funcionário, a estrutura que você está pagando não é a mesma que está entregando o serviço que você contratou. Este artigo, de um colega que possui anos de experiência em agências, pode esclarecer melhor.

Estou exagerando…

Muitos dirão que estou exagerando. Ou, na moda das discussões politizadas atuais, estou promovendo o “ódio”. Não… estou falando de empresas imensas que estão jogando dinheiro na lata do lixo, ao pagar agências e profissionais que custam ouro para “atualizar” e manter seu conteúdo, ou gastando centavos “só pra ter”, e com isso desperdiçando oportunidades interessantes. Quer ver alguns exemplos?

Veja o “Guia de Aparelhos” da TIM. Criado em 2013 e ainda no ar por meio do site original da operadora, o guia não é atualizado desde o iPhone 4. Basta conferir. Afora o design pobre e incapaz do subsite, o conteúdo é pobre, não resolve nada e desatualizado ao ponto do ridículo. Melhor do que pagar qualquer valor por isso, é não ter nada.

O Canal do Consumo Consciente do Carrefour é outro de meus favoritos. Textos produzidos à revelia, com dois ou três parágrafos; site provavelmente criado a partir de “template” comprado em Themeforest, sem ajustes ou customização; alguns textos maiores, simplesmente reproduzidos de outros sites com citação de “fonte”… quanto o Carrefour está pagando por isso?

Claro, há o outro lado da moeda – os pão-duros. Esses não é preciso sequer mencionar. Sempre que você vir websites com repetição de keywords sem qualquer lógica ou sentido, erros crassos de português e títulos que não correspondem ao conteúdo, estará se deparando com um dos felizes clientes do freelancer de 8 pila. E você, que até ontem estava batendo no peito e falando com nariz em pé que “conteúdo é rei”, talvez seja hora de reformular seus gastos e prejuízos… antes que seja tarde demais.

 

2 Comentários

  1. Bosta says:

    Um monte de bosta!