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Que tal seu pai como cofundador?

Já vi, ao longo dos últimos quatro anos, startups e empresas moderninhas de tudo quanto é tipo e jeito, principalmente no que toca à equipe de fundadores. Entretanto, apesar da enorme diversidade de estilos e disciplinas presentes na equipe que funda startups, não me lembro de ter visto nenhuma combinação de pai e filho. A pergunta é uma só: por que não?

É bem verdade que as gerações envolvidas nessa questão possuem características bastante distintas. Meu pai, por exemplo, é um típico baby boomer, hoje com 66 anos. Eu, teoricamente, estou na divisão das gerações X e Y, mas isso são apenas referências. Jamais considerei o trabalho como obrigação, mas sim como satisfação pessoal, ainda que tenha passado boa parte da minha vida tentando alcançar o topo de minha carreira como jornalista. Cheguei lá, virei administrador de tretas da empresa dos outros e achei uma bela merda. Resolvi mandar pro cacete e apostar na vida como freelancer e microempresário. Só me arrependo de não ter mandado pro alto um pouco antes, mas também não amargo o período em que lutei para chegar lá.

Gerações à parte, tudo isso reflete em experiência e história de vida. Meu pai tem mais de ambos, certamente. A razão pela qual nunca abri um negócio com  ele? Bem, ele preferiu a estabilidade do funcionalismo público, mas caso não tivesse sido assim, é provável que fosse uma das primeiras pessoas a quem eu recorreria para ter como sócio.

Agora chega de parábolas – quando digo “pai”, quero dizer simplesmente alguém que está uma ou duas gerações antes da sua. Todos hoje em dia acham indispensável ter um web developer como sócio ou cofundador em sua startup, o que pode ser interessante, mas está longe de ser essencial. Em qualquer segmento, sempre se pode recorrer à prestação de serviços. O mesmo não ocorre com a experiência. Até é possível contratá-la, em alguns casos, mas é certo que você, em seus primeiros passos com uma empresa, não estará disposto ou será capaz de pagar por ela.

Mentor sim, sócio não

Sempre me incomodou o tipo de mentalidade que faz com que alguém de 50 ou 60 anos de idade seja ótimo como mentor, porém inadequado como sócio. As pressuposições baseadas em meia dúzia de contatos, geralmente familiares, que temos com gerações anteriores, automaticamente fazem com que descartemos boas oportunidades de associação, simplesmente por diferenças etárias. O jovem das gerações Y ou Z se sente profundamente agredido quando o colocam de modo genérico em uma geração que, segundo pesquisadores, possui sérios problemas de concentração e um senso de responsabilidade no mínimo deturpado. Entretanto, sente-se bastante à vontade para atribuir adjetivos como “conservador”, “antiquado” e “burocrático” para gerações anteriores.

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A realidade é um pouco diferente. Ainda temos muitos visionários no mundo com mais de 60 anos de idade, do mesmo modo que convivemos com pessoas ultraconservadoras de 20 anos, que não enxergam dois palmos à frente dos olhos. Nosso pré-julgamento está criando um ambiente no qual a experiência é um bem dispensável, embora o dinheiro e o capital dessas pessoas que detêm mais experiência e vivência seja muito bem-vindo.

O inventor do controle remoto sem fio criou o primeiro modelo do aparelho com 40 anos de idade, assim como os três inventores do transistor possuíam por volta de 40 quando criaram o componente. E tudo isso em uma época na qual a expectativa de vida era certamente menor. Em relação ao empreendedorismo, convivemos com inúmeros exemplos de empresários que criam corporações inteiras a partir de sua idade adulta, ou mesmo velhice.

Tudo isso resume algo muito simples: ao descartar faixas etárias inteiras, estamos perdendo não apenas a experiência e a vivência, mas provavelmente pessoas capazes e criativas, que em nome de um preconceito sem fundamento deixam de integrar as fileiras em empresas nas quais certamente fariam a diferença como cofundador.

O monge e o cofundador

A impressão que se tem a respeito de um cofundador de idade avançada é a mesmo que temos de um monge ou um ermitão. Alguém que fala por meio de aforismos e salpica conhecimento e sabedoria em todos os passos do negócio, sem botar muito a mão na massa. Uma espécie de Mestre Yoda do empreendedorismo, ao menos na primeira trilogia filmada (antes dele mostrar que era muito foda com o sabre de luz).

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Mais uma pressuposição infundada – não achamos estranho, de forma alguma, quando vemos o velhote da padaria ou o tio do açougue carregar caixas e peças de carne nas costas, mesmo sendo os donos desses estabelecimentos. Entretanto, quando o assunto são startups, achamos automaticamente que os velhotes farão corpo-mole e ficarão apenas dando pitaco nisso e naquilo. Sejamos honestos – tem gente preguiçosa pra cacete que é bem alimentada e tem 20 e poucos anos na cara. Idade não é sinônimo de ócio, e não se surpreendam ao se associarem com um vovô, e depois descobrirem que ele usa muito bem todos os meios digitais, faz o café da galera e ainda ajuda a carregar caixas de computadores e montar.

O resumo da ópera é o seguinte – sempre que você reclamar das “oportunidades” que não são abertas para os mais jovens, tente se lembrar da barreira de entrada que você mesmo está colocando para aqueles que já não estão na flor da idade, e mais: talvez as oportunidades que se fecham para você comecem a mostrar maior abertura… quem sabe.

 

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