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Quatro bons motivos para apostar em startups para 2014

“Hype”, “bolha”, “moda”… são vários os adjetivos que têm acompanhado o segmento de startups e empreendedorismo criativo atualmente. Ainda que tenhamos de concordar que, no caso de grande parte dessas empresas, o impulso está acima da necessidade ou inteligência, não há qualquer motivo para crer que a proliferação de negócios inovadores, digitais e tecnológicos deva recuar este ano… ou quem sabe o próximo.

Por definição, startups estão associadas a modelos de negócio que, até por sua simplicidade em responder a problemas, possuem probabilidades de repetição tendendo ao infinito – e por isso são passíveis de um rápido avanço em escala. Nem todas as “startups” que por aí se apresentam são de fato esse tipo de empresa, mas temos de admitir que quase a totalidade desses novos negócios está ligada ao empreendedorismo criativo ou a serviços e soluções que respondem a problemas contemporâneos. Na boa: isso é mais que suficiente!

As pessoas odeiam admitir, mas estamos vivendo a curva final de um ciclo de crescimento econômico no Brasil, principalmente pautado no mercado imobiliário e no consumo de bens duráveis e semiduráveis. Agora, e já não sem crédito… digo, sem tempo, começa a arrefecer a venda de imóveis e o varejo já reduz o número de prestações para automóveis e geladeiras, com o aumento da inadimplência e claro, a queda nas vendas. O governo tenta segurar, abrindo mais crédito a juros baixos pelos bancos públicos e ampliando programas do tipo “Minha Casa sei lá o quê”. Mas economistas concordam que, não necessariamente uma recessão, mas uma “correção” está a caminho.

Tendo em vista o cenário como um todo, muitos poderiam se preocupar no segmento de startup – afinal, metade dele parece querer dinheiro de investidores mais do que uma empresa que seja lucrativa. Entretanto, há bons motivos para considerar o empreendedorismo novo como a melhor das saídas, principalmente numa época que pode ser de vacas magras:

Mão-de-obra cara?

Advogados sindicais e ufanistas de plantão: o Brasil é um país de mão-de-obra desqualificada e muitas vezes ridiculamente produtiva, porém cara e dispendiosa. Os culpados não são apenas os impostos e benefícios obrigatórios – o aumento do custo de vida gerou um gasto ainda maior com benefícios ligados ao transporte, alimentação e educação. Trazer mão-de-obra de outras cidades ou estados virou coisa de gente louca – ou você tem um funcionário que rende um quarto do que deveria, por passar horas no trânsito ou transporte público, ou você arca com despesas de auxílio e mudança em praças nas quais o preço médio de imóveis e serviços aumentou, pelo menos, 200% ou 300% em cinco anos.

Trazer empregados do exterior? Além de caro e complicado, gera problemas com os demais colaboradores, sindicatos e mesmo clientes. O brasileiro passou os últimos cinquenta anos indo se instalar em todo o canto do mundo, reclamando que “não pode” trabalhar. A mentira disso está diretamente no fato de que, muitos dos que foram jamais voltaram, e ainda por cima falam maravilhas do padrão vida lá fora. Mesmo assim, estrangeiros não podem trabalhar no Brasil – estão “roubando” nossos empregos. Por outro lado, não dizem que o desemprego caiu drasticamente na última década?

Em resumo, o mercado brasileiro é um emaranhado de argumentos que se contradizem e estatísticas escritas em papel de pão. Contudo, figuras como o freelancer, o sócio, o parceiro, o cofundador, o coworker e outros são coisa comum na nova economia e no mercado de startups. Rompemos a barreira da burocracia e do corporativismo tropical e decidimos correr atrás do que realmente importa em um negócio: concretizá-lo.

Onde fica seu escritório?

Coisa de bacana ter um escritório na Paulista ou Faria Lima aqui em Sampa, né? Pode ser… pena que você provavelmente estará incorrendo em custos desnecessários para você e seus investidores. Tirando algumas poucas empresas startup que lidam com outras empresas e corporações, a grande massa de empresas e profissionais do universo criativo e startup não têm a menor necessidade de estar em um lugar bonitinho. Muitos podem estar em casa, outros em coworkings, ou compartilhando escritórios dos pais e conhecidos… não importa.

Outro paradigma do brasileiro, e das empresas e governo locais, é o trabalho remoto. O grande problema aqui não é legal, e sim cultural. Empresas não querem funcionários trabalhando à distância – porque trabalho em casa para o brasileiro é férias. A verdade é triste, mas nua e crua. Mesmo assim, muitas empresas formadas por sócios e parceiros conseguem criar e desenvolver excelentes produtos sem um endereço fixo determinado, com muitos trabalhando de casa. No frigir dos ovos, os custos de manutenção de funcionários em escritórios e regimes tradicionais ainda aumentarão mais – mas trabalhar de casa aparece como uma opção realista para o novo segmento.

Riscos maiores, mas lucros também

Outro problema do desaquecimento econômico, que afetaria startups, é uma “fuga” nos investimentos. Embora uma fuga indistinta possa ocorrer entre fundos estrangeiros, não apenas para startups, mas para todos os setores, o novo mercado pode surgir como uma alternativa de investimento ainda maior. Os riscos em si já são altos, isso não mudaria muito. Porém, com outras opções e aplicações rendendo cifras menores por conta do desaquecimento, é também provável que mais capital de risco seja dirigido a empresas inovadoras.

Quebras de mercado

Recessões e depreciações de mercado são sempre assustadoras. Mas o dinheiro funciona com o princípio dos vasos comunicantes – se alguém perdeu bilhões, outra pessoa os ganhou. O dinheiro não some, ele migra. Quanto ao mercado de startups, uma vez que estamos sedimentando nossos modelos na existência de problemas, teremos apenas mais um para resolver.

Os EUA deram início a uma nova febre de startups que foi seguida por europeus e também asiáticos – a diferença em relação a 2000? Essa onda não causou a crise, mas sim veio em resposta a ela. A simplificação de produtos e serviços, o barateamento de itens e processos, o uso da tecnologia para ganho de escala e posterior otimização da economia… tudo isso continua a ocorrer. Talvez índices pífios de crescimento (ou ainda mais pífios) sejam o que precisamos no Brasil para gerar startups e empresas em geral mais competitivas e dinâmicas.



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