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Por que a impressão 3D muda tudo?

Aparentemente mais uma onda na indústria de gadgets e aparelhos, a impressão 3D, na verdade, tem o poder de trazer mudanças e consequências que vão muito além do real impacto de relógios inteligentes, sensores residenciais ou tecnologias “vestíveis” em geral. Produzindo excelentes peças e barateando diariamente sua tecnologia, o fato é que a impressão 3D ainda dá, de certa forma, seus primeiros passos.

Fatores limitantes, como a impressão em cores isoladas, o custo das resinas utilizadas na maioria das máquinas (supera os US$ 100,00 por litro) e até mesmo a incerteza em relação ao real custo de se produzir uma peça impressa em 3D ainda são variáveis a serem resolvidas pelas muitas empresas que cresceram nesse mercado, como Makerbot e Formlabs, somente capturando os exemplos mais proeminentes dentre a infinidade de startups que vêm desenvolvendo tecnologias na área.

Fora do contexto de “hype” e do desenvolvimento de aparelhos para uso residencial e individualizado, a impressão 3D corporativa avança em passos largos. Os principais fabricantes do mundo demonstram, com frequência, o poder de suas criações, produzindo celulares, drones, próteses tecnológicas e mesmo computadores apenas com o uso de peças construídas por suas impressoras, a partir de modelos e projetos que trafegam online.

A grande indústria ainda enxerga a tecnologia como uma curiosidade, mas na verdade podemos estar frente a frente com a criação de uma nova ordem econômica mundial, uma revolução sem precedentes no modo com o qual produzimos e comercializamos, embora a maioria do que se produz nessas máquinas ainda compreenda pequenos enfeites e peças bonitinhas.

Produtividade e custo calculados

É bem verdade que é possível gerar boas projeções de produtividade e custo de produção com base em dados estabelecidos, mas o grau de confiabilidade dessas projeções são outros quinhentos. Greves, paralisações, rotatividade de mão-de-obra, atrasos em entregas de fornecedores… tudo isso é quase impossível de se prever e afeta a produtividade de uma indústria, sem falar em seus custos e, consequentemente, o preço final dos produtos.

A impressão 3D extingue praticamente o fator mão-de-obra dos cálculos, além de minimizar consideravelmente os problemas com a logística de matéria-prima – o sonho de toda a indústria: saber quanto e por quanto irão produzir daqui a meses ou anos.

Estoque para quê?

Com máquinas fabricando produtos finais em poucos minutos, às vezes segundos, manter estoques de manufaturados passa a ser uma prática dispensável. O cliente pede e o bem é impresso, ou ainda, o próprio consumidor baixa um modelo ou arquivo com o objeto e manda imprimir, em sua própria casa. Estoques de grandes companhias poderão, do dia para a noite, ser convertidos em galpões para estocagem de itens primários, como resinas termoplásticas empregadas no processo. Em outros casos, nem mesmo o estoque de matérias-primas será necessário.

O controle da produção e de pedidos passa ser não apenas combinado, mas uma coisa só – um passo adiante em relação aos métodos de produção por pedido da atualidade.

Logística local

A logística de longa distância será completamente modificada com a popularização da impressão 3D. Entregas de produtos, impressos localmente, serão feitas no raio de cidades ou mesmo de bairros, não mais em longas distâncias, usando carretas, ferrovias e fretes marítimos. Com um menor volume de carga fracionada sendo embarcada por via aérea, rodoviária ou marítima, contêineres serão gradativamente aposentados ou destinados a outros fins e os preços do frete a longa distância se tornarão cada vez mais baratos, ao passo que entregas expressas ou locais deverão se tornar mais caras.

Barreiras de importação e impostos

Países como o Brasil, que baseiam seu modelo de competitividade na restrição alfandegária e em incentivos desproporcionais à indústria local estarão em sérias dificuldades. Com produtos importados podendo ser “baixados” da internet, royalties serão pagos ao exterior, mas a tarifação de produtos será difícil ou impossível, uma vez que sua impressão atenderá aos ideais do “conteúdo nacional”. A taxação por meio de impostos como o ICMS e o IPI também serão, no mínimo, um desafio. Com pessoas imprimindo seus produtos em casa, para uso próprio, a tributação terá de ser declarativa e a sonegação passará a ser muito difícil de rastrear.

Fim da obsolescência programada

Empresas que estipulam a vida útil de seus produtos no mercado enfrentarão a concorrência não de outras corporações, mas de cientistas, criativos e inovadores que distribuirão seus produtos e design na web, tornando itens fabricados por gigantes rapidamente obsoletos. A concorrência passa a ser universal e, em tese, qualquer indivíduo passa a ter possibilidades de desbancar enormes grupos econômicos, simplesmente divulgando na rede novos produtos e coletando royalties pelo uso de seus projetos.

Customização extrema

A era da super-customização terá início – com acesso ao design open source de novos produtos, pessoas do mundo inteiro poderão modificar e personalizar projetos antes de realizar sua impressão 3D. Softwares para facilitar a customização de modelos serão um novo nicho de serviços na web e cada cliente, tecnicamente, poderá imprimir seus próprios produtos, com modificações e versões criadas por si mesmo.



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