LEIA MAIS
Por que paramos de falar em startups?

Quem lia nosso blog deve ter reparado (ou não lia): não escrevemos nada faz pelo menos 6 meses. Claro, mantivemos algumas postagens em redes sociais, mas o fato é que […]

Odeie a Bel Pesce – agora é ‘hype’

Até uma semana e pouco atrás, todos os exultantes e fascinados “empreendedores” por profissão no mercado online e nas redes sociais adoravam e idolatravam a Menina do Vale. Não importa […]

Devo criar minha empresa no Brasil ou no exterior?

Muitos empreendedores jovens, alguns ainda vivendo com os pais, têm feito repetidamente a si mesmos e a colegas, amigos e conselheiros essa mesma pergunta: “devo abrir minha empresa aqui ou […]

Parem de negar a ‘velha economia’

A estratégia de formulação e criação de modelos de negócio de startups vem sendo cada vez mais utilizada não apenas por novos empreendedores, mas também por grandes empresas na criação de novos produtos, serviços ou no ingresso em novos mercados. Entretanto, para os fundadores de startups, o diálogo com a dita ‘velha economia’ ainda parece difícil e intrincado. Ao simplesmente excluir a economia tradicional de seus modelos, muitas startups perdem oportunidades importantes e, não raro, acabam por invalidar seu próprio modelo, simplesmente por ignorar algo que já está estabelecido e, portanto, inicialmente mais sólido que a própria inovação que seus modelos trazem.

O canvas, como sugere o nome, se trata de um modelo – sua execução somente se torna viável quando este é sujeitado à realidade e contexto do mercado no qual pretende se desenvolver. Dois tópicos fundamentais do canvas devem trazer uma relação viável com a economia tradicional, de modo a perdurar e vencer em um mercado que, seja de uma maneira ou de outra, já convive com players de longa data e realidades que muitas vezes fogem à proposta inicial de modelagem de negócios de uma startup: parceiros e canais de distribuição.

Canvas

[fresh_divider style=”dashed”]

Multiplique canais, não os exclua

A grande maioria das startups lança mão dos canais online para distribuir seus produtos, mas não podemos ignorar o lado físico e tradicional que até mesmo os mais modernos canais possuem. Por mais eficiente que sua estratégia de entrega possa parecer quando online, ela enfrentará realidades diversas quando migrar para a entrega física: roubos de carga, atrasos em decorrência de greves e paralisações, ineficiência dos Correios, localidades inacessíveis e por aí vai. Sem ao menos conhecer o tipo de problema que a logística brasileira possui, muitas startups podem se ver frustradas em seus planos de escalabilidade.

Pensar fora da caixa não significa que você não deve, de vez em quando, olhar dentro dela. Canais e soluções variadas de entrega ao cliente podem significar a redução sistemática desses pequenos inconvenientes, que por vezes saem muito caro. Lojas online de grande porte enfrentam, mesmo com sua estrutura, processos e reclamações de clientes que não recebem seus produtos por razões diversas e o custo jurídico e de marca de desventuras como essa, no caso de uma empresa nascente, podem significar a inviabilidade de todo um modelo.

Do mesmo modo, é necessário transigir com o mercado estabelecido para evoluir em modelos de negócio inovadores. Um bom exemplo é a atitude de muitos dos aplicativos de agendamento e solicitação de corridas de táxi, que vêm crescendo em popularidade: as principais startups desse segmento, como é o caso do EasyTaxi, já demonstraram interesse e planos de criar relações saudáveis com as centrais de rádio-taxi, que hoje dominam boa parte desse mercado. Um novo nicho sempre possui atores dominantes em seu entorno – ignorá-los não é uma atitude nada inteligente. O que nos leva à segunda parte deste artigo: as parcerias.

[fresh_divider style=”dashed”]

Olhemos fora do ‘clubinho’

Startups, ao menos no Brasil, vêm sendo muito bem-sucedidas em fechar parcerias com outras empresas dessa natureza – por vezes até mesmo com possíveis concorrentes. Entretanto, o escopo das parcerias firmadas pela grande maioria das empresas nascentes hoje se restringe, senão a outras startups, a empresas de tecnologia e prestação de serviços. Outra observação: cliente e parceiro estão longe de ser a mesma coisa. Não venha bater no peito e dizer que você tem “mais de mil parceiros” – se você presta serviço para tais ‘parceiros’, eles são na verdade clientes com um nome mais bonitinho.

Atuar em mercados segmentos exige o fechamento de parcerias com associações de classe, sindicatos patronais ou de trabalhadores, fundações e institutos e outros atores que conhecem clientes e players de um segmento de modo mais próximo e há mais tempo que você. De igual maneira, a entrada em novos mercado, geograficamente falando, demanda parcerias com governos locais, empresas tradicionais nessas regiões e até mesmo líderes comunitários – em resumo, gente que conhece a região melhor do que sua empresa.

A ‘velha economia’ é o palco no qual startups vieram para apresentar suas novas propostas. E como em um teatro, o público pode amar sua peça, porém sem negociar com quem está atrás das cortinas seu espetáculo nunca irá em cartaz.

[fresh_divider style=”dashed”]



Comentários fechados.