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Os 5 estágios do luto do empreendedor

Negócios, assim como pessoas, morrem. Aliás, isso ocorre com frequência certamente maior do que gostaríamos. Por mais que a galera do “oba-oba” adore copiar máximas importadas do Vale sobre o “falhar para aprender”, a realidade é bem mais embaixo no Brasil e, à parte da visão do mercado à respeito do fracasso, contamos ainda com nossa inexorável mentalidade brasileira de que falhar é um certificado de incompetência (paradoxal, quando é evidente que falhamos mais e de modo mais grave que nossos companheiros estadunidenses).

Existe um modelo, até bastante conhecido para quem assistia a seriados médicos, como E.R. ou House, que propõe que pessoas em luto ou à beira da morte passam por 5 estágios distintos. Esse modelo, só a título de cultura inútil, chama-se Kübler-Ross. O engraçado é que ele pode ser facilmente associado ao comportamento humano nos últimos meses ou dias de uma empresa e, certamente, explicam muito do comportamento do empreendedor nessa fase. Se mais delongas, vamos compreender os 5 estágios e, por favor, tentem evitar citar nomes nos comentários – afinal, todos conhecemos pelo menos meia dúzia de pessoas em algum desses estágios, em empresas que estão prestes a ir para o beleléu.

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Negação

O primeiro grande estágio pelo qual o empreendedor passa, mesmo quando todos já viram que seu modelo de negócio é uma imensa furada e que, daqui por diante, apenas será um alto-forno de queima de dinheiro, é a negação. Não importa o que o mundo diz, não interessa se não há clientes, pouco importa se tudo já foi tentado e resultados não foram conseguidos: não é o modelo que está errado, é o mundo, o consumidor, o mercado ou até mesmo os clientes, por não comprarem.

Nessa etapa o empreendedor simplesmente ignora todo e qualquer aconselhamento, seja de amigos, sócios, mentores, não importa. O risco aqui é o empreendedor cair em muitas das soluções mágicas de “especialistas” e “consultores”. Ele estará mais suscetível do que nunca e se apegará a qualquer oportunidade plausível de negar a realidade – a empresa certamente já era.

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Raiva

Quando o empreendedor retorna à realidade, passando pela fase de negação, ele abraça a revolta. Essa é uma fase intensamente vivida pelo empreendedor brasileiro, que usa e abusa de todos os instrumentos que, convenhamos, realmente destroem a competitividade das empresas, como forma de provar que seu negócio não vingou ou não deu certo por uma série de injustiças e razões que saíam completamente de seu controle. Em muitos casos, inclusive, ele pode estar certo – porém, nessa fase o empreendedor ainda é praticamente imune a conselhos e, não raro, acaba metendo os pés pelas mãos e tornando a situação ainda pior.

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Barganha ou negociação

Essa é uma fase muito interessante nessa analogia. No segmento de startups, não por acaso é aqui que surgem boa parte dos chamados “pivôs”. Disposto a reverter a situação desfavorável que levou sua empresa à ruína, o empreendedor aceita acordos e barganhas, tenta fazer mudanças e se adequar às novas situações e, ao contrário dos estágios anteriores, tenta agradar e contentar todos ao seu redor como forma de conseguir um meio de voltar atrás.

O cuidado especial aqui deve ficar, novamente, por conta de “consultores” que se autoproclamam especialistas em “pivotar” modelos de negócio, ou ainda, em gestão de mudanças. A fase de negociação é importante, pois é onde o empreendedor começa a se conscientizar da falibilidade de seu modelo e abre caminho para um doloroso processo de aceitação, que terminará junto com a empresa, ao final de tudo.

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Depressão

Esse é um estágio perigoso. Na depressão o empreendedor já tem plena consciência de que não há mais jeito. Ele tentou de tudo na fase da barganha, e ainda assim, o destino de seu negócio parece inevitável. Amigos e colegas devem dar especial suporte nessa etapa, pois o empreendedor não apenas se deprime, ele pode adotar comportamentos autodestrutivos que podem vir a prejudicar seu desempenho e motivação uma vez que a empresa tenha sido de fato encerrada.

A depressão, muitas vezes, envolve uma fase de retorno a um emprego, busca por concursos públicos e outras saídas que praticamente aparecem como uma declaração de desistência por parte do empreendedor. Em alguns casos, o empreendedor simplesmente desiste e segue sua vida com a eterna frustração e arrependimento de nunca ter de fato construído o seu tão sonhado negócio.

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Aceitação

A amarga fase da depressão abre caminho para um horizonte de aceitação, já na fase final da perda. Infelizmente, e embora o empreendedor nesse estágio já tenha aceito plenamente sua derrota, a busca de conselhos e ajuda para tentar resolver a situação muitas vezes não surte efeitos, e a empresa termina indo para o cemitério, de um jeito ou de outro. A aceitação é a fase mais importante não no empreendimento em si, mas na construção da personalidade empreendedora. É passando por ela que o empreendedor aprende a ouvir, aceitar ajuda, dividir tarefas e lidar com problemas de forma mais objetiva e inteligente.

Muitos especialistas dizem que o fracasso é um primeiro passo para o sucesso. O empreendedor que passa por todo o processo até a aceitação final de sua falibilidade de fato tende a construir negócios com melhor desempenho em situações futuras, identificando em si mesmo traços de negação e raiva com antecedência e abrindo caminho para saídas e aconselhamento antes que as coisas assumam um porte sobre o qual ele não tem controle.



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