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O superlativo ridículo do empreendedorismo

Business competition

Li esta semana algumas peças, artigos e apresentações falando do que diferencia um “pequeno negócio” de um “império”, ou uma “empresinha” de uma “multinacional”. Os gurus do empreendedorismo popstar não mais querem que você crie startups ou empreenda de forma criativa, eles querem que você seja o próximo Antônio Ermírio de Moraes, Abílio Diniz ou Donald Trump. Pensar em um restaurante ou site de e-commerce rentável e bem sucedido virou pecado, é “pensar pequeno”. Alguns dos gênios que ensinam a molecada até mesmo garantem que grandes negócios e próximos “Googles” e “Facebooks” podem ser criados a partir de seus maravilhosos ensinamentos, os quais na maioria dos casos lembram um amontoado de frases de biscoitos da sorte ou realejos de praças de interior.

A realidade

Curiosamente, a avassaladora maioria desses mesmos gurus e mentores exaltam títulos lindos e sonoros, mas são proprietários e sócios de empresas de porte pequeno, consultorias sediadas em salas no centro da cidade ou pouco mais que um blog pronto do Wix e um cartão feito em alguma gráfica digital de “1.000 por apenas R$ 30,00”. Parece engraçado que os mesmos que vendem o sonho louco de grandeza tenham pequenos escritórios e empresas ME espalhadas por aí.

Estamos vendendo a coisa toda da forma errada. Crescer desesperadamente é o que cria a necessidade de investimento pesado inicial para que muitas startups que sairiam do chão sozinhas precisem de dezenas ou centenas de milhares de reais apenas para colocar uma landing page no ar. Os gurus adoram os exemplos emblemáticos, mas esquecem de mencionar que eles já produziam algo de útil com os tímidos investimentos iniciais de fundadores.

Quem seguir?

Essa parece ser a pergunta: os “modelos” a seguir. Todos dizem ter modelos de negócio únicos, inovadores e criativos, mas precisam de espelhos que estão muito além de sua realidade para dar seus primeiros passos. Fórmulas, cartilhas e séries de passo a passo – tudo para inflar o ego de jovens com boas ideias (alguns não tão jovens assim) e levá-los à crença de que o empreendedorismo é feito de participações, cláusulas contratuais mirabolantes e vendas de stakes aqui e ali.

O superlativo do empreendedorismo está criando futuros ex-empresários em velocidade espantosa, produzindo mais candidatos a concursos públicos nos anos que virão do que empresas que realmente terão capacidade de sustentar seus fundadores.

Ninguém está dizendo para você pensar pequeno – apenas pensar, no entanto, é suficiente.

Estude um pouco além. Não parece estranho que todas as respostas a respeito da criação, abertura e gestão de uma empresa estejam encerradas em cursos de 20 ou 30 horas?

Finalmente, se tiver mesmo de escolher alguém para seguir, que tal começar com seus clientes? Eles não necessariamente exigirão que sua empresa seja a maior do setor, o próximo Facebook, ou que você e seus sócios sejam CEOs, CFOs e qualquer outra coisa. Eles exigirão produtos decentes a preços justos, atendimento bom e uma conduta confiável. No final das contas, a verdade é que há muito menos ciência na coisa toda do que fazem transparecer – identificar necessidades e problemas, criar produtos e soluções e entregar valor ao cliente, exigindo dele compensação por isso. O resto é conversa pra boi dormir.

Um comentário

  1. Gustavo says:

    É bom encontrar alguém que tem os mesmos valores.
    Hoje mesmo vi uma matéria sobre “profissões da próxima geração”, e uma delas era ser empreendedor.
    Achei curioso e vai de encontro ao seu texto. Será que um curso profissionalizante de 16h é suficiente? :)

    O básico, o fundamental é essencial. Sempre oriento meus clientes com isso: você precisa atrair possíveis clientes e vender para eles.
    Uma landing page é uma parte possível e não obrigatória do processo. Foque no essencial e tenha mentores que já chegaram onde você quer chegar.