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MVP em módulos – alternativa para financiar startups?

Há cerca de três anos, comecei a deslindar o segmento de startups – suas particularidades, teorias e métodos, a forma com que essas empresas se desenvolviam e o que as diferenciava das demais e, principalmente, como faziam para ganhar dinheiro. A despeito dos milionários aportes que alavancam muitas das empresas do setor, eu nunca me referi a “ganhar dinheiro” como sendo o ingresso de um novo acionista ou a entrada de capital via equity funds ou investidores anjo. Sempre me interessei pelo modo com essas empresas podiam (ou poderiam) gerar suficiente caixa para financiar suas operações e, numa segunda instância, suas expansões.

Após muito estudar algumas empresas, em sua maioria estrangeiras, achei particularmente interessante e promissor o modelo de geração de receita por “módulos”. Não são raras as startups que precisam desenvolver seus produtos e serviços em blocos. Por mais simples e direta que possa ser a solução final, ela demanda uma série de componentes que, por si sós, já são produtos. É nesse instante que faço uma pergunta simples: por que não vender esse módulo para financiar o produto final?

Óbvio? Pois não é o que a maioria dos empreendedores parece demonstrar.

De qualquer modo, algumas abordagens “modulares” de negócio vêm sendo desenvolvidas no mundo inteiro e, na maioria dos casos, acabam viabilizando projetos inteiros. Além de conceder a fundadores alguma possibilidade de self-funding, tais abordagens permitem testar produtos e até mesmo alavancar usuários, sem meter a mão no bolso e sem implorar por investidores em um primeiro momento.

De Saas a API

Um dos modelos modulares clássicos é o desenvolvimento de softwares as a service que, em um segundo momento, acabam culminando em soluções completas envolvendo APIs, com pivôs e até splits do modelo de negócio. Um bom exemplo desse caso é o popular Mailchimp. Começando como um serviço de envio de e-mail marketing como qualquer outro, evoluiu seu produto, incluindo novos features, mas sempre cobrando a utilização acima de um patamar de ‘freemium’.

O negócio escalou e se diferenciou da concorrência, até culminar em um interessante desdobramento do modelo: o Mandrill, uma API para entrega de e-mails que hoje conta com mais de 250 mil usuários. No modelo de negócio do Mailchimp, a receita gerada com os produtos em curso é o capital a ser investido em features e desdobramentos, e por aí vai. Aqui ocorre o inverso – uma startup já definiu seu MVP, mas partes desse produto ou processo também são comercializáveis – e rendem capital para investimento no projeto principal.

Open source

Eis uma estratégia pouco utilizada por empresas brasileiras para a atração de investidores. Um exemplo claro do sucesso de iniciativas open source cujo modelo de negócio e geração de receita é posteriormente baseado em serviços são os bancos de dados diversos do mercado. O melhor desses exemplos talvez seja o MongoDB. A empresa já levantou mais de US$ 100 milhões em rodadas, sendo que possui um banco de dados, desde os tempos de seu desenvolvimento, totalmente aberto e gratuito. A receita: vem de serviços diversos de consultoria, treinamento e backup – os quais agora, com a popularização do uso, podem render bilhões no longo prazo.

Outro exemplo são frameworks de desenvolvimento ou prototipação de websites e aplicativos. O ZURB Foundation, por exemplo, começou como centenas de outros grids CSS. O modelo de negócio que se revelou posteriormente conta com dezenas de apps e add-ons que permitem desenvolver complexas aplicações com o framework original como base. Os “design apps” da ZURB, por exemplo, um conjunto de ferramentas para trabalhar com o Foundation, rende fortunas em assinaturas. Os planos anuais para seu uso variam de US$ 99 a US$ 199 mensais.

Marketplaces

Outra fonte impressionante de capital inicial para startups, os marketplaces são raros no Brasil, assim como o uso de portais estrangeiros. A australiana Envato já viabilizou dezenas de startups na área de design e desenvolvimento web com seu marketplace. Empresas como QuanticaLabs e ThemePunch, que oferecem serviços de webdesign, desenvolvimento customizado e até web hosting especializado, começaram vendendo temas e scripts na Envato, levantando centenas de milhares de dólares com seus produtos iniciais.

Há marketplaces estrangeiros para tudo: elementos de web design, temas WordPress e Joomla, PSDs, modelos para impressão 3d, códigos open source s scripts e por aí vai. Sempre é possível imaginar que alguns dos módulos desenvolvidos para levar o seu MVP a cabo são, de fato, comercializáveis. Entretanto, parece que nós brasileiros perdemos tempo ainda com a ideia de “proteger” nossa produção, e temerosos de vender aquilo que produzimos, perdemos oportunidades de mercado que são acessíveis a empresas de todo o mundo.

Freelancers

Não são raros os fundadores de startups no exterior que, mesmo após iniciar o desenvolvimento de suas empresas, continuam a trabalhar como freelancers por algum tempo. O ganho médio de bons profissionais freelancers de design e programação pode, sem muita complicação, chegar à casa de alguns milhares de dólares ao mês. Além de manter os fundadores, esses trabalhos podem ajudar a levantar capital para empreendimentos e, porque não, até mesmo oferecer possibilidades de teste para MVPs e estratégias de mercado e atendimento ao cliente. Produzindo para clientes, fundadores podem chegar a conclusões importantes a respeito de módulos ou partes dos produtos finais de suas startups.



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