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Lições da crise brasileira para o empreendedor

A crise política, econômica e social brasileira é provavelmente a pior que vemos em décadas. Empresas fecham as portas em ritmo alucinante, governantes aparecem em escândalos escabrosos de corrupção a cada hora e o povo se divide em alas “do bem” e “do mal”, de forma ignorante ou oportunista, a depender de cada caso. Não mais se fala das maravilhas de empreender, da riqueza fácil ou do sucesso do dia para a noite. Pudera – o brasileiro não é nem de longe um povo realista, mas é um resmungão de primeira linha. Contudo, por mais difícil e absurda que seja a conjuntura atual no país, o empreendedor médio jamais teve uma oportunidade tão bela e clara de aprender uma série de lições que, há muito, pareciam esquecidas ou apenas levantadas por aqueles que eram “do contra” ou “pessimistas”.

As lições da crise são diferentes das demais: você não ESCOLHE aprendê-las. Elas são simplesmente enviadas goela abaixo, e ou você lida com elas e suas novas realidades, ou fracassa e é destruído. A crise não cede espaço para a “motivação”, o “incentivo”, o “apoio” e a “tolerância”. Durante uma crise das proporções da que vivemos, as pessoas se tornam intolerantes, agressivas, egoístas e individualistas – não espera mão na cabeça ou uma palavra de “conforto”. As lições da crise farão diversos empreendedores pessoas preparadas para realmente criar e principalmente gerenciar um negócio. O mundo lindo dos sonhos pintado em livros de pseudo-empreendedores com bonequinhos e desenhos dignos de livros de colorir e pintar não mais existe – e, creia-me, isso é ótimo sob alguns pontos de vista.

Agora que estamos quase chafurdando em alguns setores, as lições reais do empreendedorismo viraram lições da crise. Mesmo alguns dos nomes do “bem-bom” já começaram a pregar, com medo de perder sua audiência.

1. Ignore previsões e projeções excessivamente otimistas

Pouco tempo atrás, qualquer um que, durante um evento de apresentação de startups, lançasse um “mas você não está sendo ambicioso demais?” tomava imediatamente uma reprimenda, senão um tapa. No Fantástico Mundo da Startup Escalável, era proibido questionar os números absurdos que envolviam o crescimento, expansão e escala de qualquer negociozinho meia-boca até as luas de Júpiter. Agora, com o dinheiro curto e o empresariado brasileiro indo para o vinagre, ambição demais pode até prejudicar um empreendedor iniciante: o melhor agora é ser “pé no chão”, parafraseando algumas dezenas de panacas que falavam, no ano passado, que empreendedor tinha que “pensar grande”.

Amigos palestrantes e gurus: decidam que porra vocês querem!

2. Dívidas são um câncer

Qualquer tipo de dívida: empréstimo, financiamento, cheque especial, cartão de crédito e até mesmo investimento que vem em troca de promessas – pois isso é, basicamente, um empréstimo atrelado a uma garantia. As lições da crise mostram a qualquer um com juízo que o endividamento, algo que pouco tempo atrás ouvi como sendo “a única maneira de abrir uma empresa no Brasil”, é um câncer, e construir uma empresa do zero sobre dívidas é a metástase.

3. Mais simples ainda, por favor

O mandamento para startups sempre foi manter a coisa simples – mas muitos o ignoravam. Empresas com produtos complexos, funcionamento intrincado e estruturas maiores do que realmente precisavam, com sócios demais ou grana de investidores pronta para gastar (e se arrepender depois). As lições da crise trouxeram uma nova perspectiva: o que era simples, agora virou complicado. Ou seja, faça tudo ficar AINDA MAIS simples – porque, pelo visto, do modo anterior não era fácil o suficiente.

4. Errar custa dinheiro

Sim, você ainda pode errar – é parte do processo. Mas lembre-se: isso CUSTA dinheiro. Às vezes, dinheiro que você não tem. Uma execução rápida e simples e um retorno claro e líquido serão cada vez mais valorizados, em contraposição a ideias mirabolantes com retorno “suposto” em anos. As lições da crise tornam o mercado mais realista e pragmático: não espere que comprem sua ideia sensacional, se ela não gera receita e, principalmente, lucros – porque faturar em si é fácil pra cacete, difícil mesmo é ganhar dinheiro.

5. Ideias têm valor negativo

Os empreendedores estavam apenas começando a se tocar – graças a Deus – de que ideias por si só não valiam absolutamente nada. Pois bem, na crise elas têm valor negativo. Ou você executa e começa a ganhar dinheiro, ou será cobrado pelas “ideias” que fica inventando – simples assim. As pessoas continuarão comprando projetos, produtos e empresas, mas elas deduzirão imediatamente o conteúdo de “ideias” do valor que estarão dispostas a lhe pagar.

Um comentário

  1. Roniel Uchoa says:

    Estou conhecendo o site agora e já gostei bastante No entanto, não concordo com a lição 2 “Dívidas são um câncer”. Já vi uma entrevista com o grande empresário Silvio Santos e ele afirmou que é impossível ganhar dinheiro sem fazer dívidas, pois só cresce, quem tem coragem de assumir riscos e apostar em sua ideia. Nem todos os projetos são possíveis de investimento anjo, nem todos o empreendedores precisam de um sócio, mas quase todos necessitam de investimento E qual a outra forma de conseguir realizar seu sonho, a não ser ir atrás e apostar naquilo que acredita, nem que para isso seja necessário fazer dívidas?