LEIA MAIS
Por que paramos de falar em startups?

Quem lia nosso blog deve ter reparado (ou não lia): não escrevemos nada faz pelo menos 6 meses. Claro, mantivemos algumas postagens em redes sociais, mas o fato é que […]

Pronto! Já pode desligar o módulo empreendedor!

Estranho um título como esse em um blog sobre empreendedorismo, startups e afins, não é mesmo? A verdade é que faz todo o sentido. Não irei perder meu tempo realizando […]

Limite de uso na banda larga – o que muda para startups?

Tudo indica que não vai ter jeito – a internet de banda larga será pedagiada, assim como ocorreu com as conexões de 3G e 4G. Teoricamente respaldadas por regras da […]

KaBuM! – uma startup… dez anos depois

Cerca de dez anos atrás, uma onda de empreendedorismo digital tomou os mercados, talvez de forma tão massiva quanto a que vivemos agora. Milhares de companhias surgiram do nada nos EUA, principalmente, mas também em todo o restante do mundo. O rápido ganho de escala, para grande parte delas, foi apenas igualado pelo fracasso e falta de liquidez de seus ativos, assim que estourou a famosa bolha das empresas “pontocom”. Na época, contudo, conexões de internet no Brasil engatinhavam, assim como o mercado de startups. Umas poucas lojas online dominavam o ainda tímido comércio digital e muitas das startups que surgiram, e até faliram por aqui, eram na verdade portais, como os ainda conhecidos Terra, iG e outros.

Em meio à confusão, por volta de 2003, dois jovens de Limeira decidiram apostar no crescimento do e-commerce. Sua proposta se mostrou válida e o KaBuM! sobrevive até hoje, mas nem tudo são, ou foram, flores, como nos contou um pouco o fundador Leandro Ramos, atual CEO do KaBuM!.

[fresh_divider style=”dashed”]

Startupeando –  KaBuM! é um caso interessante e um exemplo brasileiro de startup da “primeira geração”. Como os desafios técnicos e gerenciais se apresentavam naquela altura, para quem ousava empreender na internet? E como eles diferem dos desafios de hoje?

Leandro Ramos – Há 10 anos, o e-commerce do Brasil ainda engatinhava e havia uma gigantesca concentração das vendas em duas ou três grandes lojas. Uma das grandes dificuldades para gerar vendas era provar a idoneidade da sua loja virtual e conquistar a confiança do mercado. Na época, havia poucas ferramentas para o consumidor pesquisar sobre a loja e isso gerava insegurança ao cliente, mesmo oferecendo um serviço de qualidade com preço atrativo. Para reverter, nossa estratégia foi inverter o risco: nós oferecíamos aos clientes a opção de cash on delivery (pagamento na entrega), onde o risco para o cliente era nulo. Assim, ele só pagava pela compra quando o produto era entregue. Isso foi fundamental para o fortalecimento da marca e crescimento do KaBuM!.

Hoje o mercado é outro, extremamente profissionalizado, com mais ferramentas, tanto para os clientes como para e-commerces. A logística também é algo que nitidamente foi impactada pelo grande crescimento do comércio eletrônico, o que traz ainda mais desafios para oferecer um serviço de qualidade aos clientes.

[fresh_divider style=”dashed”]

Dez anos atrás, a base de usuários de internet era consideravelmente menor e a velocidade de conexão média, nem se fala. Hoje todos falam em métricas relacionadas ao número de usuários, mas durante a primeira geração, eu ouvia falar muito mais sobre “ticket médio”, ainda em minha época de repórter de economia. Afinal, o que determina o sucesso de uma empresa de e-commerce para vocês – muitos usuários, ou usuários frequentes e “mais embolsados”?

L.R. – Na nossa visão, o fator mais importante sempre foi a qualidade do serviço. Você pode até ter um ticket médio alto com vários clientes acessando sua loja e gerando alto tráfego. Mas se ele fizer um pedido e o serviço não for satisfatório, ele não vai voltar. Com a Internet, o consumidor conquistou um poder nunca antes alcançado. A sua satisfação é algo muito valioso para a loja. Positiva ou negativa, ele irá compartilhar sua experiência com a loja e isso trará resultados tanto positivos como negativos, isso só dependerá do serviço prestado. O “boca a boca” virtual é sem duvida o mais eficaz de todos.

[fresh_divider style=”dashed”]

O governo tem apertado o comércio virtual em relação à carga tributária, e também tenho ouvido muito falar a respeito de severos problemas em relação à logística – ações de clientes, problemas com roubo e desvio de carga, mudanças nos Correios… como a KaBuM! vem enfrentando esses antigos e novos desafios particulares ao Brasil?

Qualquer ramo de atividade no Brasil, tanto na questão logística como tributária, passa por grandes dificuldades. O e-commerce particularmente tem estado em maior evidência recentemente, pois a grande maioria das lojas efetua entregas para todo o Brasil, onde a logística e tributos são pontos extremamente atingidos em operações interestaduais.

Na questão de tributos, existe a famosa “guerra fiscal” entre os Estados (o Estado de origem, onde fica a loja, contra o Estado de destino, onde está o cliente). Com o crescimento e a representatividade do e-commerce na econômica como um todo, o Governo Federal tem dado mais atenção nos últimos anos para estas dificuldades e esperamos que em breve tenhamos uma posição definitiva dos Estados.

[box style=”shadow” ]Já sobre logística, como informado anteriormente, o rápido e expressivo crescimento do e-commerce no Brasil fez com que determinadas empresas não fossem capazes de absorvê-lo. A questão do roubo das cargas talvez seja o pior dos pontos. Com o aumento do roubo de cargas, o custo do frete aumenta, porque os transportadores investem mais em segurança e repassam este custo no preço do serviço.[/box]

Além disso, o cliente acaba tendo uma má impressão do serviço e da loja, mesmo não sendo uma falha diretamente dela. Isso faz com que o consumidor pense duas vezes em comprar novamente naquela loja ou até mesmo via internet, devido ao problema ocorrido anteriormente.

Nosso desafio é monitorar estes acontecimentos e criar estratégias para que a satisfação do cliente seja afetada o menos possível por conta dessas dificuldades.

[fresh_divider style=”dashed”]



Comentários fechados.