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João e o pé de feijão – startup edition

Era uma vez um menino chamado João. filho de um pobre fazendeiro, chegou um dia da escola, após a aula, durante uma forte geada. Ao chegar em casa, viu seu pai chorando: a pequena lavoura de subsistência, único ganha-pão dos dois e também a comida na mesa de todo dia, havia sido completamente queimada. Após recompor-se, o pai decidiu que no dia seguinte procuraria um dos grandes fazendeiros da região, oferecendo sua terra restante como pasto e arranjando algum troco pelo favor.

O fazendeiro, sovina porém ainda com algum senso de humanidade, deu ao pai de João três moedas de ouro e uma vaca para que ele cuidasse e mantivesse em seus pequenos pastos. A coisa seria apertada, mas daria para contornar – seria um inverno difícil, mas eles superariam.

***

João não se conformava com a decisão do pai – como ele vendera sua ideia por tão pouco. Decidido a dar a volta por cima, João lembrou-se do comerciante na cidade que dizia vender feijões mágicos. Um dia, enquanto o pai ainda dormia, tomou a vaca e levou-a até a cidade, em busca do comerciante.

– Ó meu amigo comerciante, tenho aqui uma vaca maravilhosa – dá mais leite do que qualquer uma, e ainda assim consome menos pasto.

– E que iria eu querer com uma vaca, Joãozinho?

– Você pode vender o leite, por anos a fio, e quando ela não mais seja capaz de produzir, pode transformá-la em carne, banha e couro, e com isso ainda fazer um bom lucro.

Sabendo a situação do pai de João, o comerciante ofereceu nove moedas de ouro pela vaca. João fez que não. O homem, então, subiu a 15 moedas sua oferta, apenas para ouvir de João uma bela negativa. O comerciante ainda foi a 18 e fez uma última oferta, mas o jovem era todo negativas.

– O que você quer então pela vaca, pequeno João?

– Quero seus feijões mágicos.

– Ah, isso… não os tenho comigo, e de mágicos nunca tiveram nada.

– Está a esconder de mim, ó ganancioso comerciante. Essa vaca lhe trará muita riqueza, e por isso merece seus lendários feijões.

– Fique com as moedas de ouro, João. Vão ajudar seu pai.

Mas o pequeno não queria conversa. Derrotado na negociação, o comerciante sumiu por alguns minutos e voltou com um punhado de feijões à mão. Ainda tentou convencer João das moedas uma última vez, mas o rapazola tomou os feijões de sua mão, entregou a vaca e assim se foi.

***

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Na mesma noite, João resolveu seguir o “modelo proposto” pela lenda, que dizia que os feijões mágicos tinham de ser plantados em uma noite de lua cheia, próximo à janela da casa. Excitado, João plantou e regou os pequenos feijões e foi para a cama – mal conseguiu dormir de ansiedade. No dia seguinte, a terra, os feijões, a janela – tudo continuava igual. O pai acordou e perguntou, imediatamente:

– Onde está nossa vaca, João?

– Me livrei dela, pai, você havia feito um péssimo negócio.

– E você, que fez com ela então?

– Troquei-a por feijões.

– Ótimo, quantas sacas?

– Três grãos.

O pai apenas virou as costas e saiu andando. Ao longe, era possível ver uma pequena lágrima brilhando. Não o culpava – em sua infância caiu também ele em todo tipo de golpe e estratagema. Espero a poeira baixar e foi ter com João, para conversar sobre o acontecido. João não arredava pé. O pai saiu novamente, disposto a arrumar um emprego nas minas de ferro enquanto a coisa não desse uma tranquilizada em casa.

E João esperou: dias, semanas, meses… sem que um único broto saísse da terra. Um ano fazia agora desde que João jogará ali os feijões, e nada ainda. Seu pai já trabalhava em dois turnos na mineração e disse a João que era hora dele também arrumar um emprego.

***

Já como ajudante de alfaiate, João tornou a encontrar o comerciante que lhe trocou os feijões pela vaca. Agora era um grande fazendeiro – o maior produtor de feijão de todo o reino. Revoltado, João foi discutir com o homem.

– Seu bandido, trocou uns poucos feijões vagabundos pela minha vaca!

– Na verdade, João, insisti que não os levasse. Eu lhe ofereci moedas de ouro por ela, mas você quis feijões.

– Mas era para eles serem mágicos. E não eram. Sequer brotaram.

– Claro, como todos os outros que produzo, eles são para comer.

– Malditos feijões, de mágicos nunca tiveram nada.

– Na verdade, João, a magia sempre esteve ali – tornei-me rico e próspero, vendendo feijões tão bons e que trazem tanto valor para meus clientes, que muita gente por aí diz que eles são mágicos… mas continuam sendo apenas de comer.

MORAL DA HISTÓRIA: MAIS VALE CRIAR VALOR COM O SIMPLES DO QUE ESPERAR LUCRAR COM O COMPLICADO.

 

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