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Hora de vender pra gringo (e não comprar)

É claro que o segmento de startups e a economia digital foram afetados e continuam a ser vitimados pela crise que abateu nosso país – seria uma imbecilidade sem tamanho supor que o setor saiu incólume. Ninguém se livrou dos vários problemas decorrentes das pueris ações governamentais e, embora durante anos aqueles que avisaram tenham sido tachados de “mau agouro”, “uruca”, “urubu” e “pessimistas”, a crise veio, forte e duradoura como sempre ocorre por aqui.

Para aqueles que não viveram a época – sim, está ficando igual era nos anos 1980. O fato de termos celulares e uma opinião assoberbada a respeito de nós mesmos (como acusávamos os argentinos de terem) não torna a crise menos grave. Tapar o sol com a peneira e “acreditar” ou “esperar” que a economia reaja ou que o mercado online seja poupado é simplesmente reforçar a velha concepção (verdadeira, por sinal) de que o brasileiro reza demais e resolve de menos. É hora de tomar posição e parar de “ter fé” – se o problema é grande, resolva-o você mesmo, ao invés de “delegar” tarefas para alguma entidade ou simplesmente para o “universo” ou para a sorte.

Um dos mais significativos efeitos para startups da hecatombe econômica à qual nos levaram, embora não o único, é o valor do dólar. Claro que grandes empresas também possuem dívidas em dólar, mas esse não é o caso – estamos falando sobre empresas digitais. A pequena empresa brasileira normal não possui, na maioria dos casos, dívidas ou custos dolarizados. Mas e quando a nós, empresários do meio digital?

Pode rever tudo

Traumático, mas até que saibamos até que ponto o dólar pode realmente chegar, manter sua startup nas mãos de ferramentas e aplicativos que possuem custos em dólar é o mesmo que saltar sobre uma cerca de arame farpado. Você pode até passar, mas correu um enorme risco de rasgar sua perna ao fazê-lo. O único jeito é passar por baixo ao invés de pular, afastando os arames paralelos.

O dólar é uma realidade diária em nosso segmento. Quantos aqui não assinam serviços mensais como o do Mailchimp, ou mantêm servidores e cloud hosts no exterior do país. Isso sem falar da publicidade online – a base de cálculo é sempre em dólar, não importa o quanto os números apareçam para você em real, e é bem provável que seu custo de aquisição tenha subido sem que você sequer tenha dado conta disso.

A grande verdade é que somos um segmento cativo de soluções em dólar – não há nenhum de nós que não as utilize. Eis a hora de rever tudo. Por mais que o serviço estrangeiro seja um pouco melhor, o apelo nacional ganhou força, e vale a pena abrir mão de alguns features a mais para enxugar seus custos.

Sem planos mirabolantes

Todas as startups brasileiras “querem” conquistar o mundo, abrir escritórios “na gringa” e estar presentes em “N” países. Antes disso, é melhor começar a catar milho no exterior. Um cliente aqui, outro ali; um serviço colocado em inglês… esses pequenos esforços, quando convertidos em uma venda, agora valerão o dobro de uma venda em território nacional – vale a pena pensar fora, não da caixa, do país mesmo.

O problema é que poucas startups possuem um plano de ação objetivo para atuação em outros países. Estamos preocupados demais em estabelecer bonitos planos de conquista do universo, mas pouco preparados para atender a meia dúzia de clientes em outros países. Inglês? Temos certeza de que falamos, mas ainda usamos o Google Translate (e quem acha que ele funciona, é porque não fala merda nenhuma).

Contratar freelancers fora do país, investir em gente realmente capaz de lidar com clientes estrangeiros e gastar um pouquinho mais de R$ 1,00 por página naquela tradução meia-boca que você colocou no ar. Quer ganhar em dólar ou euro? Então rasgue seus complexos planos de internacionalização e comece a suar um pouco a camisa com a velha cartilha – enviar e-mails, ligar, traduzir e atender clientes de forma individual. Se você acha que é difícil vender pra brasileiro, vender pra gringo dá muito mais trabalho.

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