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Fracasso – uma vez mais, apenas fracasso

Nos “anos de ouro” das startups e do empreendedorismo bem-bom no Brasil, assumimos, em tese, valores que são compartilhados por empreendedores de regiões como o Vale do Silício ou cidades notoriamente inovadoras, como Vancouver, Boulder, Melbourne e outras. Com uma única diferença: brasileiros como somos, nunca acreditamos realmente que o fracasso tinha algo de bom para ensinar.

Agora que chegamos à uma época de vacas magras (mais uma), fracassar se tornou novamente o que sempre foi para nós: burrice, preguiça, falta de compromisso, orgulho, arrogância, analfabetismo funcional e muito mais. Em um país que fracassou, a despeito da sorte de seus governantes e classe empresarial oligárquica, nós pobres mortais do empreendedorismo perdemos novamente a chance de tentar – agora só vale conseguir, e bem rápido se possível!

Não posso dizer que estou surpreso. Para quem acha que o mercado ainda enxerga as virtudes do fracasso, aqui vão algumas reflexões:

  • Quantas pessoas, ultimamente, falaram para você em desistir de um trabalho entusiasta ou um empreendimento iniciante e prestar um concurso?
  • Quantas pessoas que achavam franquias uma roubada passaram a achar as mesmas uma “oportunidade”?
  • Onde estão os gurus maravilhosos que falavam sobre as virtudes do erro, senão apenas dando dicas para “ter sucesso na crise” agora que a coisa ficou preta?
  • Você ainda está disposto a tocar aquela sua ideia que você havia começado? Ou está com medo de falhar?

Não é um fenômeno somente brasileiro. Crises econômicas e políticas minam a autoconfiança da população, sobretudo de empreendedores, e os levam imediatamente a soluções e oportunidades mais “seguras”. Contudo, esse primeiro estágio rapidamente se esvai e empreendedores começam a enxergar possibilidades de remediar sintomas da crise, ao mesmo tempo em que criam novos negócios. Bem… esse tempo já passou por aqui. Sejamos honestos, independente de crença ou ideologia política (ou alienismo puro e simples) e vamos admitir – o Brasil já está há mais de um ano em uma crise, e ela não é das mais simples.

Crônica do dinheiro alheio

Falhas, fracasso e cagadas mil recebiam salvas de palmas durante algum tempo. Ávidos por promover qualquer ideia e impulsionados por manchetes jornalísticas da fortuna feita em uma única madrugada, empreendedores queimaram empréstimos, contas e cheque especial e limites de cartão de crédito, enquanto viviam a “glória do fracasso” financiado por investidores – muitos deles inclusive levados pela mesma onda da grana fácil.

Acontece. Nenhum mal em fracassar. Porém, mesmo nos anos do bem-bom, nenhum deles trabalhou realmente com a possibilidade de fracasso cinematográfico, embora muito incorressem nele. Agora que a torneira do dinheiro “virtual” secou, concursos públicos e empreendimentos “garantidos”, como franquias, ganharam novamente a praça, como já discutimos aqui.

Fracasse com moderação

Ninguém quer realmente fracassar – se o quer, não precisa de uma startup, e sim de um psicólogo. O fato é que o fracasso, muitas vezes, é produto de uma série de fatores, embora raramente seja intencional. Os anos de pujança se foram e o fracasso, embora não mais cultuado, continua sendo uma realidade ainda mais frequente. A dica, nessas horas, é a mesma que deveria estar sendo seguida desde o início: fracasse com moderação, investindo pouco para obter um retorno razoável, e trocando parte da “escalabilidade” por alguma segurança. Afinal, seus credores jamais fracassam em postar as contas e faturas que você paga todo mês.



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