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É tudo problema seu, empreendedor!

Você ouviu direito. Por mais que queira justificar seus fracassos e vangloriar-se por seus sucessos, é tudo problema seu – e sempre vai ser. Atribuir responsabilidade a terceiros é o esporte favorito do brasileiro, futebol é apenas o segundo. O empreendedor, antes mesmo de assumir suas próprias responsabilidade, parece procurar desculpas para eventuais fracassos: crise econômica, falta de incentivo, ausência de investidores, etc, etc e tal.

Nada disso torna seu negócio melhor, ou mais fácil, ou ainda mais atraente para seus futuros clientes (caso você consiga algum). Aprendemos lá atrás, com os verdadeiros gurus do segmento de empreendedorismo e startups, e não com os palestrantes de vendas travestidos de novos especialistas em empreendedorismo digital, que problemas são a matéria-prima de qualquer bom empreendimento. Nosso erro, contudo, é achar que apenas os problemas dos OUTROS devem ser explorados…

O empreendedor “migué”

Esse é um tipo bastante comum – não é uma exclusividade da era digital, ele existe desde a Antiguidade. Esse cara nunca realiza ou executa nenhuma de suas valiosas e esplendorosas “ideias”, e a razão para tal é muito simples: os problemas.

Ao invés de buscar soluções, esse empreendedor sempre está a procura de quem resolva problemas nos quais ele já deveria estar trabalhando. A grande maioria daqueles que hoje pedem financiamentos ou investimentos, infelizmente, estão nessa categoria. Como o mundo ainda é um paraíso perdido de trouxas, por vezes alguns deles conseguem uma grana aqui e ali. Mas como era de se esperar, não estão dispostos a resolver seus próprios problemas, de modo que conseguir capital é apenas um primeiro passo que resolveram para eles – o mais provável é que falhem em novas dificuldades que obviamente se apresentarão ao longo do percurso.

  1. Os culpados podem ser pessoas próximas, funcionários, prestadores de serviço ou até mesmo entes imaginários ou inatingíveis no cotidiano.
  2. O conceito e a execução do app são uma bosta, mas a culpa é do desenvolvedor.
  3. O capital levantado é insuficiente para pagar os custos que o empreendedor não previu, mas a culpa é do “mercado”.
  4. Ele não fatura um puto, porque o produto é ruim, mas a culpa é do cliente.
  5. Ele sonega impostos e não sabe fazer uma conta de “dividir”, mas a culpa é da crise econômica.

Enquanto culpados vão sendo arrolados, o negócio em si, que já não prometia muito, começa a afundar de modo rápido e inevitável. Atribuindo “culpas” e suportado pela máxima de que “falhar é parte do jogo”, o empreendedor queima dinheiro, tempo e paciência dos outros e não executa nem mesmo 10% do que havia proposto. Sem ter onde cair morto, ele simplesmente dá um “migué” e some.

O empreendedor “problemático”

Esse cara vive tendo problemas. Curiosamente, ele tende a resolvê-los. Com um pouco de “sorte” e alguém “bancando” ele, o cara cria uma empresa que realmente vai para frente. Alguns dos casos de sucesso que o “migué” atribui à sorte ou a “investidores” têm raízes muito mais fundamentadas em problemas, os quais empreendedores mais capazes assumiram, ao invés de passar adiante:

  1. O sistema bancário brasileiro é atrasado, burocrático e lento – uma verdadeira bosta. Ao invés de reclamar, empreendedores “problemáticos” criaram empresas como o NuBank e o Banco Original.
  2. Empresas de rádio-táxi têm um lixo de atendimento e sempre dão informações erradas. Empreendedores “problemáticos” criaram aplicativos como o EasyTaxi e o 99taxis.
  3. O Brasil é um país caro e mais fechado que Cuba em termos de importação. Alguns empreendedores criaram formas de trazer produtos do exterior.

Os mesmos problemas que “afligem” o empreendedor “migué” e fazem com que ele não consiga, ou não tenha “incentivo” (odeio essa palavra – ela é sinônimo de preguiça em 90% dos casos) ou ainda, não tenha quem “financie” suas maravilhosas ideias, parecem ter na verdade sido o pontapé inicial para empreendedores que não perdem seu tempo reclamando.

A moral da história? Pare de adiar a execução do seu projeto em razão de problemas que ninguém tem que resolver por você e resolva o primeiro deles: sua falta de vergonha na cara.



2 Comentários

  1. Jõao Pedro says:

    Deverias ter opção para assinar o conteúdo do site.

  2. Você disse quase tudo.
    Se você mudar os termos “empreendedor” ou “migué” para “investidor”, acelerador” ou outros, o texto continuará com o mesmo sentido ou quase.
    No próximo post faça um “mea culpa” com os investidores, aceleradores, etc., e empresas que promovem as startups.
    É surpreendente o volume de bobagens que ouvi desses caras.
    Mesmo assim, desenvolvi e estou tocando quatro sites e um quinto a caminho. Veja se tiver tempo.
    http://www.lebrecho.com
    http://www.lechef.com.br
    http://www.cartasabertas.com
    http://www.agendadearteecultura.com