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Dinheiro é para os fracos

Chega! A historinha do moleque de bermuda e óculos escuros que monta um aplicativo qualquer e ganha centenas de milhares de reais em investimento tem de parar. Em primeiro lugar, esse personagem é raro, mas sempre existiu. Em segundo, que tipo de mentalidade estamos apregoando nas ditas “escolas de empreendedorismo” que começaram a proliferar por aí? Enquanto jovens gastam os tubos (pagos pelos pais) em escolas que ensinam, em 90% do programa, frases de efeito e lições de autoajuda dignas de chamadas de programas da manhã, nosso país chafurda em uma crise com poucos precedentes e o tal “investimento” virou artigo de luxo.

Onde estão os valores de “empresa enxuta” que um dia nortearam o segmento? Onde estão os milhares de empreendedores que passaram por startups que simplesmente não vingaram, e hoje seguiram suas vidas? Onde está o dinheiro que prometem nas carteiras escolares, quando deveriam estar prometendo um ensino de qualidade que realmente fizesse sentido?

Para você que está começando, ou ainda frequenta algumas das aulas desses cursos, coloque uma coisa só na cabeça: dinheiro é para os fracos.

Gestão de custos

Gerir custos e equilibrá-los de modo a produzir lucro dentro de um negócio sempre foi a prerrogativa-chave de qualquer empreendimento bem-sucedido. Sem lucro não há expansão. Escalabilidade só funciona com planilhas sustentáveis. A perda de tempo enorme que algumas startups da atualidade representam aponta que a maioria dos gurus da atualidade anda ignorando pelo menos dois importantíssimos campos do diagrama do Canvas – a Estrutura de Custos e as Fontes de Receita.

“Gerar receita não é a prioridade no momento”. Para cada vez que ouvimos uma frase como essa, deveríamos remeter ao mancebo que a pronunciou os boletos e faturas de todas as contas que são pagas por seus pais ou mantenedores. A falta de compromisso com a produção de receita, comicamente, vem geralmente acompanhada da mesma postura relapsa em relação a custos – as empresas que menos faturam dentre as startups são geralmente aquelas que gastam mais.

Está na hora de botar alguns empreendedores “desapegados” de valores materiais para correr e trabalhar uma startup do modo correto – o que faz dinheiro.

Trabalho como investimento

Esqueça prêmios e a suposta benevolência de investidores-anjo. Se você pretende levar uma empresa adiante, é melhor começar a perceber que o maior investimento possível, especialmente para você, que não tem onde cair morto, é o trabalho. Encontre pessoas compromissadas, que se disponham a trabalhar tanto quanto você, e peça a elas que invistam sua mão-de-obra e habilidades, não dinheiro. Por incrível que pareça, o dinheiro é talvez o maior motivo de fracasso entre empresas startups – seguros com o respaldo do capital, empreendedores tendem a se dedicar menos intensamente a seus negócios, e acabam torrando as ‘fortunas’ que recebem de terceiros sem produzir absolutamente nada.

Perdemos a noção do razoável

É possível abrir uma franquia com R$ 10 mil. Abrir uma lanchonete na periferia é algo que não envolve mais de R$ 50 mil. Com R$ 500 mil, você consegue montar uma boa padaria de bairro. Então, coloque a mão na cabeça e pense de novo – como você é capaz de dizer que R$ 200 mil é pouco?

O empreendedor no segmento de startups perdeu completamente a noção de como fazer render qualquer dinheiro ou capital que tenha sido investido em seu projeto ou empresa. Inebriados pela ciranda dos milhões e “overnight millionaires”, passam a estabelecer valuations e proporções para pedir ou estimar necessidades de capital que não possuem qualquer compromisso com a realidade e são simplesmente baseados em sua deturpada concepção de valor.

A dica para qualquer recurso ou investimento que você disponha é a seguinte: faça funcionar, pois é o que tem pra hoje.

A métrica que falta

Nos baseamos completamente em métricas, a grande maioria delas relacionada à publicidade e ganho de usuários no mundo digital, porém a maioria das startups passa por cima da mais importante métrica na vida de qualquer empresa – o número de clientes. Não estou falando de taxas de conversão burlescas ou projeções apoiadas em números setoriais que, por sua vez, são chutados por instituições que não realizam sondagens ou empresas de marketing digital, ávidas por mais gastos com ads.

A métrica que mais importa é o número de clientes que você possui e, em segundo lugar, o quanto esses clientes gastam e por quanto tempo. O resto é papo e especialista em marketing digital e SEO e, convenhamos, nenhum deles se tornou milionário até o momento, embora estejam ganhando uns belos trocados de você.

 

 



2 Comentários

  1. Eduardo says:

    Por gentileza Carlos, gostaria de entender melhor essa parte. O que seria “sondagens ou empresas de marketing digital, ávidas por mais gastos com ads.”?

    • Carlos Matos says:

      Empresas que realizam e divulgam pesquisas com estatísticas de conversão teoricamente feitas a partir de sondagens, mas que na verdade são estimadas ou chutadas, simplesmente.