us-owned-foreign-business
LEIA MAIS
Por que paramos de falar em startups?

Quem lia nosso blog deve ter reparado (ou não lia): não escrevemos nada faz pelo menos 6 meses. Claro, mantivemos algumas postagens em redes sociais, mas o fato é que […]

Odeie a Bel Pesce – agora é ‘hype’

Até uma semana e pouco atrás, todos os exultantes e fascinados “empreendedores” por profissão no mercado online e nas redes sociais adoravam e idolatravam a Menina do Vale. Não importa […]

Por que o disruptivo sobreviverá à crise?

Já nos acostumamos ao termo na área de startups e empreendedorismo: disruptivo. Grosso modo, a chamada inovação disruptiva, que vem sendo comemorada há alguns anos, é o ato de romper […]

Devo criar minha empresa no Brasil ou no exterior?

Muitos empreendedores jovens, alguns ainda vivendo com os pais, têm feito repetidamente a si mesmos e a colegas, amigos e conselheiros essa mesma pergunta: “devo abrir minha empresa aqui ou fora”?

Em momentos de crise tenebrosa, como o que vivemos hoje, o brasileiro sempre tira seu espírito aventureiro do bolso e segue para a “gringa”, em busca de oportunidades (ou sonhos). Infelizmente, não mudamos muito nos últimos 30 ou 40 anos. Uma parcela incrível dos jovens de alta renda brasileiros quer estudar no exterior, ou mesmo montar negócios a partir de lá. A questão é: é realmente mais fácil?

O brasileiro é naturalmente sonhador, e os empreendedores que querem criar a startup dos sonhos não são uma exceção. A realidade é que a grande maioria dos países europeus e os Estados Unidos representam mercados nos quais o bem-estar social é, de certo modo, algo mais garantido. Não é exagerar quando se diz que o pobre na Europa vive melhor do que a classe média brasileira: isso ainda não mudou. Proporcionalmente, países como Portugal, Espanha, Itália e mesmo Reino Unido (fora de Londres) possuem um custo de vida mais baixo que o brasileiro. Por 300 ou 400 euros aluga-se um apartamento de bom tamanho, com menos de 50 euros se faz um mercado da semana e os automóveis e meios de transporte… bem, não é nem preciso comentar.

Ao contrário do que se pensa, o Brasil virou “desenvolvido” apenas em preços. Planos de saúde, escola e educação, água, luz, gás, internet… tudo o que temos certeza de que é uma nota preta por lá é, na verdade, proporcionalmente mais caro por aqui.

Então devo abrir minha empresa fora, certo?

Calma, não cheguei lá. Dito tudo isso, é muito fácil dizer – o padrão e a qualidade de vida são melhores. Contudo, enriquecer e ter sucesso com uma empresa não é a Festa da Uva. Esqueça os “jeitinhos”, pois por lá, você terá de levar a coisa a sério. O brasileiro geralmente se dá mal ao tentar abrir negócios no exterior – algumas razões vêm imediatamente à cabeça:

Sim, existe ainda algum preconceito – especialmente se você vai para lá abrir negócios consultivos ou que ofereçam serviços de nível superior. Pode despejar sua hipocrisia – o brasileiro ainda é visto como ótimo pedreiro, garçom ou balconista, mas não como um excelente advogado, economista ou engenheiro. Se você vai para lá a mando de uma empresa, a coisa é diferente – sua competência já foi testada por aqui. Em voo solo, prepare-se para enfrentar maus momentos.

A burocracia não é pouca – temos certeza de que a papelada por lá não existe… vai nessa. Muitos países da Europa exigem dezenas de documentos, inclusive traduzidos e juramentados, para permitir que brasileiros consigam vistos de residência ou simplesmente de trabalho. Acha mesmo que para abrir seu próprio negócio eles vão simplesmente fazer vista grossa?

Lucro brutal – nós brasileiros, excitados por um mercado no qual as pessoas gastam muito mais do que têm e ainda reféns de uma filosofia pautada na antiga correção monetária e na hiperinflação estamos acostumados a pensar em lucros de 30%, 40%, 100%. Negócios por lá são mais humildes – lucros são menores, porém não há grandes oscilações, nem em termos de custos e nem mesmo de salários (dissídio anual é coisa de brasileiro que tem preguiça de negociar o próprio salário).

Barreira do idioma – leia o Facebook diariamente. Cerca de 90% dos brasileiros comete erros crassos em expressões e vocábulos de nível fundamental, como “de repente”, “com certeza” e outros. Contudo, esses mesmos brasileiros, alimentados por escolas de inglês que vendem uma “fluência mágica”, têm certeza absoluta de que falam o melhor inglês, o melhor espanhol, o melhor alemão do mundo. Encaremos: nosso inglês é uma merda. O fluente é intermediário, o avançado é básico e o intermediário não consegue comprar uma batata frita no McDonald’s. Pior no caso do espanhol. Pela similaridade da língua, o brasileiro tem certeza de que falando o mesmo português, mas com sotaque castelhano, estará debulhando no espanhol. No exterior, com sua empresa ou como profissional, toda vez que você não se fizer entender, é você quem estará perdendo dinheiro.

Então abro minha empresa no Brasil?

Depende.

Seu plano de negócios já envolve a contratação de uma dezena de funcionários, antes mesmo de você lucrar o primeiro centavo? FAIL.

Você pretende abrir um negócio na área de franquias, simplesmente porque é “mais fácil”? FAIL.

Nunca chefiou nem mesmo seus colegas de bairro em um jogo de taco, mas quer liderar uma equipe inteira sem preparo? FAIL.

Os problemas não são apenas econômicos. Abrir uma empresa no Brasil hoje esbarra nas mesmas questões de sempre – e em mais uma série de questões causadas pela circunstância em que estamos vivendo. Claro que você pode abrir sua empresa no Brasil… mas vá com calma. Ideias faraônicas e sonhos de grandeza são o antônimo de uma crise, e observando o número de lojas e estabelecimentos que, do dia para a noite, está passando de aberto para uma plaquinha escrito “passo o ponto”, eu pensaria em abrir minha empresa em um momento mais oportuno, ou em um segmento que eu realmente conheça e domine.

Comentários fechados.