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Crônicas do fracasso alheio – trabalho pesado e qualidade demais

Grande parte das startups que vão adiante trazem equipes iniciais que contam com três a cinco fundadores e colaboradores, mas lá atrás, nos primeiros passos da ideia e do modelo, a coisa não ocorre bem assim. Muitos empreendedores começam a fase de prototipação e validação do modelo sozinhos e, embora isso muitas vezes economize novos passos quando a empresa realmente firma, muitas boas ideias acabam tendo uma morte prematura em razão do cansaço e da falta de tempo, ou ainda da mais pura solidão.

Trabalhar sozinho por algumas horas é muitas vezes a concretização de um sonho, mas por meses ou anos, pode virar a versão terrena do Purgatório. Hoje vamos contar algumas histórias de lições aprendidas por empreendedores solitários, que acabaram desistindo de negócios e produtos que poderiam ter algum sucesso, mas somente aprenderiam depois que seus próprios corpo e mente têm limitações.

Mais trabalho do que parecia

Começamos com um pouco da história de Miguel Hernandez, fundador e CEO da hoje promissora empresa de produção de vídeos de demonstração de produtos Grumo Media. Mas pouco mais de um ano antes de fundar a Grumo, Hernandez meteu pés pelas mãos em sua primeira startup – um sistema de gerenciamento e emissão de invoices chamado PointKit. A página existe até hoje, mas a empresa em si jamais existiu.

Hernandez enumera uma série de motivos para seu insucesso em um artigo, mas parece que a principal razão do fracasso, como motivo central, foi o fato dele subestimar o volume de trabalho para o desenvolvimento de um produto completo, dependendo apenas de seus próprios esforços. Ele começa explicando que, ao desenvolver o PointKit, achava que uma vez terminada a ferramenta de gestão de invoices, bastava atribuir ao produto um preço e pronto – ganharia milhões!

“Boom! Grande erro número um. Uma ferramenta não é um produto. Um produto não é apenas uma ferramenta. Pegar uma ferramenta e transformá-la em um produto real consume muito trabalho, e a maioria dele não tem nada a ver com saber ou não programar”, explica Hernandez. Ele cita exemplos como a definição e criação de uma identidade para o produto, bem como o estabelecimento de campanhas e estratégias de marketing e vendas que permitirão ao produto deslanchar… mas nessa primeira experiência, ele admite ter esquecido desses “detalhes”. Nesse aspecto, ele reforça o valor do relacionamento social para buscar ajuda de outros profissionais ou realizar trocas e intercâmbio de conhecimento e mão-de-obra. “Não use a desculpa de não ter dinheiro para evitar pedir ajuda“.

Overqualifying…

Às vezes você pode, por mais incrível que pareça, estar querendo prestar um serviço “bom demais” para o público que pretende atingir. Embora isso possa não parecer um problema, sob a óptica de seus colaboradores ou parceiros pode ser frustrante. Uma história que ilustra bem esse caso é a da startup americana News Tilt – o site, inclusive incubado pela Y Combinator, visava oferecer oportunidades a jornalistas que quisessem empreender, abrindo campo para que pudessem viver basicamente de produzir conteúdo pela plataforma.

Embora o artigo redigido pelos fundadores da empresa enumere diversos motivos que levaram ao insucesso do site e seu encerramento apenas alguns meses após ir ao ar, destacamos duas razões ligadas a um serviço “além das expectativas”:

  • Os fundadores explicam que os jornalistas atraídos pela proposta, por mais incrível que pareça, eram qualificados demais. “Tínhamos um cara com um Pulitzer e um cara com um Emmy“. Mas esse alto de nível de contratações e atração de profissionais se mostraria um tiro no pé, como eles comentam. Embora o modelo precisasse de jornalistas sedentos por renome, querendo trabalhar dia e noite a fio, a News Tilt acabou atraindo profissionais já bem sucedidos, que viam na plataforma apenas um modo de complementar renda de modo marginal ou apenas tinham alguma curiosidade em relação ao funcionamento do sistema;
  • Uma outra razão, também ligada ao nível alto demais dos profissionais envolvidos, eram os artigos e textos apresentados. A qualidade era excelente, mas tratava-se de conteúdo longo demais – dificilmente comercializável e de fácil escoamento na internet… um desastre.

A qualidade demasiada acabou afastando a startup do público, que nunca de fato apareceu. Provavelmente, operando com qualidade muito baixa, como ocorre com alguns sites de freelancers e “conteúdo a quilo” na internet, a News Tilt também teria dado com burros n’água. Contudo, parece haver um ponto médio entre volume e preço e qualidade e certificação – coisa que a maioria dos sites nesse segmento ainda sofre para alcançar.



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