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Crescimento e sucesso são coisas diferentes

Os empreendedores do universo startup parecem ainda estar colocando dois pesos completamente diferentes dentro de uma mesma medida: crescimento e sucesso, sob a óptica empresarial, estão longe de significar o mesmo. O modelo de rápido crescimento e aceleração imposto às empresas nascentes em virtude de modelos como a ‘lean startup’ de Eric Ries (leia mais sobre o modelo de Ries e suas inconsistências no Brasil) criaram uma busca desenfreada por métricas que inferem apenas volume, principalmente de usuários. Entretanto, isso não tem absolutamente a ver com a receita de uma empresa, e portanto, não necessariamente indica um negócio bem sucedido.

Em outras palavras, é tudo muito bonito – ser popular é algo fantástico, mas enquanto isso não se reverte em caixa, qualquer startup está tão longe de atingir o sucesso de seu modelo de negócio quanto no dia em que deu seus primeiros passos.

Fifty, fifty

O autor e fundador de diversas startups nos EUA, William Mougayar, discute o problema em post para o blog Startup Management. Na visão de Mougayar, se o crescimento e escala atingidos por startups pode ser considerado como 50% de seu sucesso, a geração de receita e lucros certamente representaria os 50% complementares.

“Você pode ter um grande produto, com milhões de usuários e estar adicionando milhares deles todos os dias, mas se você não começa a ajustar seu modelo de negócio para revelar a estratégia necessária para gerar sua receita, então o tempo está se passando para você. Ao final desses ajustes, a receita é de fato a prova de que seu modelo de negócio é válido”, comenta o autor em seu post.

Ironicamente, embora a geração de receita não pareça um conceito prioritário ou mesmo importante para muitas startups, sua avidez por investimentos é imensa. Em outras palavras: você admite que precisa de dinheiro, mas por alguma razão não está preocupado em gerá-lo.

Vendas e popularidade

Nossas redes de TV vêm sendo invadidas por comerciais de concorrentes do aplicativo Whatsapp – que já vinha sendo usado por mais de 250 milhões de usuários em todo o mundo para a troca de mensagens instantâneas. Pois bem, o Whatsapp decidiu pela cobrança de US$ 0,99 por ano de seus usuários. Se o modelo de geração de receita irá funcionar, só o tempo dirá, mas o fato é que de qualquer modo ele deve, ao menos em um primeiro momento, representar uma desaceleração ou mesmo queda no número de usuários ativos do aplicativo.

Enquanto isso, concorrentes como WeChat e Line já chegam à marca de 150 ou 200 milhões de usuários ativos, além da coreana Kakao Talk, com 100 milhões, aproveitam o anúncio do benchmark Whatsapp para impulsionar seus próprios números.

A questão aqui é, como ocorreu com as principais redes sociais, até quando investidores e mercado irão prosseguir sem pressionar por resultados. Rumores, por exemplo, apontam para negociações entre Google e Whatsapp envolvendo uma oferta de US$ 1 bilhão pela empresa do app. Enquanto isso, estima-se em US$ 100 milhões o faturamento anual aproximado da Whatsapp, embora a empresa não divulgue dados financeiros. Para os concorrentes, a questão é até que ponto a decisão do Whatsapp acabará inviabilizando seus futuros modelos ou tentativas de geração de receita.

Desculpa para fazer nas coxas

O empreendedor Marc Andreessen, um dos fundadores da antiga Netscape, após criar o primeiro browser da história, o Mosaic, considera que, passado algum tempo, é hora de analisar os resultados e efeitos da metodologia da ‘lean startup‘. O que mais aflige o empresário, segundo ele em entrevista para Dave McClure, é o fato de diversas startups se utilizarem da teoria de Ries simplesmente para não investir o capital onde esse é devido, ou de forma ainda mais banal, criar produtos, serviços e empresas “nas coxas”.

Outro traço comum de startups é a “matemática dos virais” – do jeito que ouvimos, parece realmente que para atingir dezenas de milhões de pessoas basta seguir uma fórmula mágica de três ou quatro passos. Claro, e as demais empresas somente não o fazem por alguma razão que foge à compreensão…

Depender de virais, basicamente, é jogar na loteria – aliás, se dividirmos as startups que obtiveram expansão viral repentina em sua primeira tentativa de escala pelo total de empresas já fundadas ou fechadas no segmento, provavelmente descobriremos que é melhor negócio apostar na Mega Sena.

O ciclo de Ries prevê que equívocos gerem aprendizado, que por sua vez leva a uma melhoria na apresentação do produto. Contudo, embora o erro seja tolerável, não faz muito sentido que ele seja “esperado”. Está na hora de perguntarmos se, em relação a reclamações de que fundos e investidores dirigem seu capital em grande parte a empresas já estabelecidas, isso não ocorre por falta de compromisso com resultados por parte de empreendimentos nascentes. Está na hora de juntamos toda a papelada – Canvas, apresentações, planos de negócio, ideias, propostas de produtos, etc – e botarmos o negócio para rodar. Compartilho aqui uma frase com os colegas, para resumir de certo modo todo o artigo acima:

O crescimento de uma incerteza, rápido ou lento, não conduz ao sucesso – apenas a dúvidas ainda maiores.



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