Contratações em startups – um pouco de conservadorismo faz muito bem

O Brasil é um dos países onde a a tributação e encargos trabalhistas pesam mais no andamento dos negócios, e ainda assim, vemos startups todos os dias fazendo novas contratações, mesmo sem ter um produto fechado ou gerar receita suficiente para cobrir os custos de sua própria fundação. Alguns modelos de negócio sem dúvida preveem a contratação de alguma mão-de-obra para desenvolvimento e escala do produto ou serviço, porém um pouco de conservadorismo na hora de aumentar a folha de pagamento nunca fez mal a ninguém.

Conservadorismo não significa necessariamente não contratar, mas sim observar alguns equívocos e condutas que possam causar posteriores complicações, seja em termos financeiros ou mesmo de relacionamento para o bom andamento do seu negócio. O conservadorismo, sobre o ponto de vista do empreendedor mínimo, evita alguns erros bastante comuns no segmento, como por exemplo:

  • Contratar alguém apenas com base em relacionamento pessoal anterior à constituição da empresa ou negócio;
  • Admitir colaboradores em razão de suas necessidades pessoais ou profissionais, vulgo “dar uma força”, sem saber ao certo qual e onde exatamente essa pessoa irá contribuir;
  • Ampliar o quadro de sócios apenas como uma forma torpe de “contratar” profissionais que você não poderia bancar de outro modo;
  • Admitir colaboradores que possam “ajudar aqui e ali”. Uma função definida e bem descrita, com tarefas e responsabilidades de cada é essencial nos estágios iniciais de uma startup;
  • Contratar excessiva mão-de-obra apenas para aliviar os fundadores de tarefas que consomem tempo. Essa prática pode levar à admissão de vários funcionários com perfis e características similares, gerando excesso de recursos humanos para algumas tarefas e déficit para muitas outras;
  • Iniciar contratações sem conhecer exatamente o escopo de cada uma das funções e cargos envolvidos;
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Beco sem saída

As consequências de um quadro de funcionários e colaboradores inflado vão muito além da “conta que não fecha”. Muitas empresas nascentes, vencedoras de rodadas de pitches e já financiadas por investidores e fundos em rodadas preliminares, quando carregando pesadas folhas de pagamento, acabam submetidas a uma pressão por resultados que leva inevitavelmente a uma migração prematura para o estágio de ganho de escala.

Com um contingente caro, pressionada para produzir receita e encurralada pelo seu próprio tamanho, startups levam à fase de escala produtos e serviços ainda não preparados e validados para um confronto definitivo com o mercado, e acabam colocando todos os seus esforços em uma cruzada por lucros que não levará a lugar algum.

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