LEIA MAIS
Por que paramos de falar em startups?

Quem lia nosso blog deve ter reparado (ou não lia): não escrevemos nada faz pelo menos 6 meses. Claro, mantivemos algumas postagens em redes sociais, mas o fato é que […]

Odeie a Bel Pesce – agora é ‘hype’

Até uma semana e pouco atrás, todos os exultantes e fascinados “empreendedores” por profissão no mercado online e nas redes sociais adoravam e idolatravam a Menina do Vale. Não importa […]

Devo criar minha empresa no Brasil ou no exterior?

Muitos empreendedores jovens, alguns ainda vivendo com os pais, têm feito repetidamente a si mesmos e a colegas, amigos e conselheiros essa mesma pergunta: “devo abrir minha empresa aqui ou […]

Como perder uma startup em 10 dias

Sim, o título engraçadinho é uma referência descarada à comédia romântica de nome similar – e a despeito do que possam dizer, acho um filme muito bom. É sabido, porém de certo modo ignorado, que praticamente 80% ou 90% das empresas surgidas em nosso segmento não vão, literalmente, dar em nada. A questão que pouco se discute, de fato, é o porquê de um índice tão elevado de insucesso. Mas críticas e receituários negativos não surtem efeito no misterioso e inexplorado mundo do empreendedorismo digital, assim vou redigir este artigo de forma inversa: oferecendo algumas ótimas receitas sobre como afundar sua startup.

[fresh_divider style=”solid”]

Anúncio “baratinho”

Muitas startups confiam sua estratégia de escalabilidade em AdWords ou anúncios no Facebook – eles são ótimos, porque são “baratinhos”. O único problema é que a maioria dos produtos e serviços comercializados e vendidos por startups também são baratos, isso quando não são de graça. A primeira dica de ouro para você que quer afundar sua startup é investir o PIB de um país da África Setentrional em AdWords – escolha algumas dezenas de palavras-chave e deixe o brinquedo correr. Caso a grana não esteja indo pelo ralo em velocidade suficiente, tente aumentar um pouco os lances – assim você garante uma maior visibilidade de sua landing page antes de ter que tirá-la do ar.

[fresh_divider style=”dashed”]

Forme seu exército

O importante é gerar empregos – mesmo que esses durem pouco. Não se acanhe: faça uma lista com todas as tarefas necessárias para levar seu projeto a cabo e contrate um estagiário diferente para cada uma delas. Para garantir o sucesso de sua rápida ascensão e queda, crie nomes bonitos para as funções, assim você garante o “frisson” de sua empresa em sites de emprego. Use expressões em inglês, para reforçar uma importância muitas vezes inexistente. Eis algumas sugestões:

  • Estagiário de Resource Management Intelligence – vulgo “repositor”;
  • Assistente de Sales Backup Activities – vulgo “ajudante de vendas”;
  • Analista de Customer Development – vulgo “atendente de telemarketing”;
  • Diretor de Daily Media Assessment – vulgo “clipador”;
[fresh_divider style=”dashed”]
Sem concorrência

É sério – só você pensou nisso. Assim como outros vinte mil fundadores de startups, você acaba de criar um mercado que ninguém havia visto antes. Embora até mesmo o mercado de estrume possua concorrentes, acredite piamente que o mercado que sua startup pretende atender não foi visto por ninguém mais e, melhor de tudo, que ainda assim é lucrativo. Se você, após descrever seu modelo de negócio, ainda acha que pode encontrar alguma concorrência, tente tornar seu produto ainda mais pernicioso e específico, assim você garante domínio total e irrestrito sobre o universo de três usuários que pretende atender.

[fresh_divider style=”dashed”]

Nunca seja objetivo

Sem essa de explicar a que veio. Não perca seu tempo sendo objetivo e demonstrando a seu potencial cliente ou investidor o caminho das pedras. Bobeira essa de vender produtos ou prestar serviços – você precisa mesmo é ter “conceitos” e “soluções” para problemas, mesmo que esses pequenos inconvenientes do cotidiano sequer tenham sido notados pelos usuários. Afinal, o que mais é um visionário senão alguém que vê problemas pelos quais ninguém está passando, certo? Ou será que não?

[fresh_divider style=”dashed”]

Crianças endinheiradas

Sim, a maioria dos investidores são crianças endinheiradas, esperando uma oportunidade de ouro de gastar seu dinheiro fácil de modo perdulário e irresponsável. Se você levou sua ideia para um investidor e ele não gostou, é porque ele sem dúvida não possui visão – afinal, o que esse cara entende de mercado (veja o vídeo abaixo)? Confie no seu taco e vá até outros investidores, de preferência aqueles que cobram juros sobre o capital investido (empréstimo? Imagina…) ou algum esquema maravilhoso de marketing multinível, mesmo porque é perfeitamente plausível que pessoas fiquem milionárias vendendo produtos para si mesmas.

[fresh_video url=”http://www.youtube.com/watch?v=kuqK9e5LEEs”]

[fresh_divider style=”dashed”]



3 Comentários

  1. Ubiracy Taiguara says:

    Bom mesmo. De aplicação mais ampla, não só às startup.

  2. Parabéns pela objetividade e concisão do texto. Muita gente que fica cantando startups e assemelhados em verso e prosa, deveria ao menos ler.