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Como destruir a CLT

O brasileiro, especialmente de nível superior, vive colocando suas frustrações sobre a CLT, ao menos em discussões do Facebook. O modelo retrógrado trabalhista seria o responsável pelas mazelas empresariais, estancaria o crescimento do país e deixaria nossos trabalhadores mais lentos, preguiçosos e conformados. A isso se soma o modelo de funcionalismo público vigente. Contudo, a grande verdade é que 99% dessas pessoas não quer o fim de nenhum dos dois. Destruir a CLT é fácil – mas ninguém quer tomar essa iniciativa.

Empresariado hipócrita

Todos sabemos, se já tivemos alguma experiência empresarial, que existem “n” maneiras de contratar funcionários e conseguir mão-de-obra sem recorrer à fatídica carteira assinada. No entanto, por avessos que possamos parecer em relação ao pagamento de verbas e impostos decorrentes das relações formais de trabalho, não queremos essas alternativas – apenas se elas se resumirem à economia porca de custos trabalhistas.

É possível nos dias de hoje contratar funcionários como prestadores de serviço, passando nota, ou como colaboradores em regime de freelancing, ou ainda por projetos. Mas não, o empresariado burro continua a demandar funcionários que permaneçam sentados em uma mesa olhando o relógio durante todo o horário comercial. A CLT teoricamente protege o funcionário e prejudica o empresário, mas a classe empresarial quer “ver” colaboradores 100% do tempo.

Contratar fora da CLT exige algo muito simples: confiança. Não estamos preparados para isso. Não conseguimos propor o pagamento por um projeto e oferecer prazos, deixando com que profissionais possam escolher quando e como querem trabalhar para entregar suas demandas. Precisamos controlar.

Sob as mãos da classe empresarial reside o primeiro grande passo para destruir a retrógrada e ridícula CLT – a confiança. Enquanto não formos capazes de confiar e operar por metas, no entanto, nossas reclamações de Facebook não passarão de críticas de uma criança mimada a uma ordem dada por seus pais.

Largando o osso

O brasileiro médio quer salários melhores, mais liberdade de trabalho, uma vida mais simples e justa. Ele quer as vantagens de operar fora da CLT. Mas claro, sem abrir mão de todos os benefícios que o código propõe. O trabalhador quer tirar férias quando bem entender, mas quer continuar recebendo “um terço de férias”. Ele quer um salário melhor durante o ano, mas não pretende abrir mão do décimo-terceiro salário, e faz questão absoluta de receber vale isso ou aquilo. Ele quer ganhar mais hoje, porém não admite deixar de receber seu FGTS caso seja demitido. Ele quer poder negociar um aumento de 30% por mérito, mas não pretende abrir mão de um aumento automático e completamente injustificado pelo desempenho, concedido pelos atuais dissídios.

A verdade é que a carteira assinada ainda é o Santo Graal do profissional médio brasileiro. Ignorantes e felizes, brasileiros satisfazem suas pífias necessidades de segurança, abrindo mão de autoestima e autorrealização. Não querem o ônus de negociar sua própria sorte. Dispensam a possibilidade de crescer apenas por conta de seu mérito e qualificações. Submetem-se a uma vida planejada no governo Getúlio Vargas em prol de ninharias e auxílios que poderiam conseguir por conta própria, mas foram dados de mão beijada e sem qualquer necessidade de luta ou argumentação.

É preciso largar o osso, mas o brasileiro quer provar o filé sem tirar os dentes dele.

Viver a despeito da CLT

A CLT não precisa de melhorias ou de atualização. Ela não precisa ser reformada. Ela precisa ser destruída, ignorada, tornada obsoleta, uma peça de coleção para juristas saudosos do tempo em que ganhavam 30% em ações propostas com base em seus artigos ridículos e redigidos à base da pena, um item obscuro nas prateleiras de um sebo no centro da cidade, um peso para papel ou um apoio para ajustar a altura do monitor de seu desktop.

É preciso reformar nosso modo de pensar as relações de trabalho, a negociação salarial, a forma com que contratamos e dependemos de nossos colaboradores. É preciso destruir a CLT – mas ainda faltam belos e vistosos colhões ao brasileiro.



6 Comentários

  1. Lucicmello says:

    E aqueles médicos que são contratados em licitação pública ,tem que abrir empresa ,prestadores de serviços nos municípios ,estados …nao existe mais concurso público é nem contratam mais em regime de clt ,por fim nem tem plano de carreira como juízes e outras profissões ..,,

  2. Fábio says:

    “É possível nos dias de hoje contratar funcionários como prestadores de serviço, passando nota, ou como colaboradores em regime de freelancing, ou ainda por projetos.”

    E aí você toma uma ação na justiça, que vai reconhecer a fraude e mandar pagar todos os direitos trabalhistas, como vejo todo Santo dia acontecer. Você é um “jenho”.

    • Carlos Matos says:

      Basta contratar por projeto – e não “para todo sempre”. Com menos comodismo, a probabilidade de processos cai vertiginosamente. Outra: a maioria das empresas que toma pau na justiça também faz malabarismos.

  3. Erica says:

    Vocês estão simplificando muito a situação. O problema é a legislação trabalhista que nos impede de fazer os contratos citados, pois o MT sempre dá razão ao trabalhador e em caso de processos a empresa sempre vai ter que pagar. Contratar por exemplo freelancer ou PJ em períodos de mais de 3 meses, ou que se enquadre em algum tipo de subordinação já dá problema…

    • Carlos Matos says:

      Claro, porém as empresas também querem manter uma série de prerrogativas que não seriam aplicáveis a um trabalho freelancer. Valores precisam estar atrelados à produção, não a um caráter salarial. Horários não podem ser controlados, apenas resultados. O não uso dessas alternativas é muito mais um problema cultural – o empregador ainda considera o freela ou autônomo como “empregado”. E, se ele considera… a justiça também o fará.