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Cinquenta tons de inovação

A sociedade torna algumas palavras, de tempos em tempos, mais do que palavras. De meros vocábulos, elas viram tendências, de tendências transformam-se em dogmas, até que como todo dogma, são violentamente questionadas, apenas para ceder espaço a novas palavras que virão. A inovação virou o dogma da sociedade 2.0 e, embora o conceito se aplicasse a eventuais singularidades que surgiam, ora ou outra, no curso da humanidade e sua evolução, agora se aplica a qualquer melhoria ou nova ótica sobre um tema já amplamente difundido.

Seria o objetivo deste artigo destruir os pilares da modernidade, já emaranhados em um tecido onde figuram a inovação, a criatividade e o empreendedorismo? Não. Apenas cabe dizer que, sob a nova semântica da inovação, cinquenta tons são muito pouco para explicar o que vem adiante.
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Adjetivos e categorias

Inovação não é mais palavra bastante para definir um avanço. Autores sugerem, a todo momento, novas categorias e adjetivações, as quais visam mensurar ou tipificar o conceito, agora muito mais amplo do que há algumas décadas. Geoffrey A. Moore, em seu livro Dealing with Darwin: How Great Companies Innovate at Every Phase of Their Evolution, identifica nada menos do que 14 diferentes formas de inovação:

  • Disruptiva;
  • De aplicação;
  • De produto;
  • De plataforma;
  • Extensão de linha;
  • Melhoria;
  • De marketing;
  • De experiência;
  • De integração;
  • Engenharia de valor;
  • De processo;
  • Migração de valor;
  • Orgânica;
  • De aquisição;

Outras classificações, como a do Manual de Oslo, são mais econômicas, propondo apenas quatro tipos distintos de inovação: de produto (bem ou serviço), de processo, de marketing e organizacional (o que inclui ambiente de trabalho e relações externas).

O fato é que atribuir um caráter inovador a uma empresa não mais é suficiente – é preciso saber em que tipo de inovação essa empresa está disposta a apostar suas fichas – e isso não se dá de forma diferente no segmento de empreendedorismo e startups.

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Etapas e processo

A inovação é hoje definida como um processo. Uma ideia não consiste em uma inovação. Etapas de pesquisa e identificação de necessidades, as quais antecedem inclusive o estágio de apresentação e construção de ideias e soluções, também são parte de um processo inovador. Além disso, toda ideia precisa ter sua implementação bem-sucedida, para que ganhe escala e resulte em vendas e larga distribuição. Algumas pretensas ideias inovadoras jamais serão levadas a cabo, mas no contexto de processo, podem figurar como parte de processos inovadores de sucesso.

A questão aqui é – sua empresa possui características que beneficiam a inovação, mas até que ponto você levou suas ideias e conceitos para clamar por sua medalha de inovação?

A orientação de uma empresa rumo à inovação apresenta riscos muitas vezes imensos, de modo que a grande maioria das empresas não conduz projetos “disruptivos” até seu termo. A filosofia do “não mexer em time que está ganhando” também atinge os empresários do segmento de startups e, embora não haja nada de mal em uma empresa que não inova, mas produz lucro, atribuir o adjetivo a tal companhia descaracteriza uma série de outros empreendimentos realmente inovadores.

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Um pelo outro

Para que se tenha uma ideia mais clara, nós jornalistas de já algum tempo de mercado costumávamos receber, não muito tempo atrás, centenas de releases de empresas diversas. Cada uma delas era líder. O mesmo ocorre hoje com a inovação. Ora, as perguntas que se aplicam são exatamente as mesmas. Afinal, se todos são líderes, onde estão os liderados, o segundão, ou mesmo o lanterninha?

Se absolutamente todas as empresas do segmento de startups ou do mercado de tecnologia estão a toda hora inovando, quem mantém o bonde andando, até que novos paradigmas sejam realmente estabelecidos? O conceito de inovação somente funciona quando uma parcela esmagadora do mercado ainda está recorrendo às práticas antigas. Do mesmo modo, o atributo de liderança somente se aplica quando boa parte dos concorrentes não está liderando.

Mas sem alarde – cedo ou tarde alguém vai inovar, e os cinquenta tons da inovação de hoje irão virar mais um ponto cinza no sempre movimentado mundo da gestão e dos negócios.

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