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Cara, cadê meu hardware?

Se alguém tinha dúvidas em relação à solidez da economia de startups em nível mundial, certamente quebrou a cara. Mais e mais empresas, não apenas ligadas ao segmento de tecnologia, lançam produtos e serviços a cada dia seguindo os ditames traçados pelos pioneiros das startups, com rapidez, dinamismo, foco no valor proposto e testes a dar com o pau até que se chegue a uma versão de mercado.

O Brasil não ficou para trás desta vez – abraçamos a cultura startup de montar empresas e criar produtos, ainda que com algumas ressalvas e atropelos, mas um fato segue incomodando muito, principalmente para alguém que, como eu, viveu de perto os anos 80/90. Cara, cadê meu hardware?

Barreiras – um problema subestimado

O Brasil sempre foi conhecido na comunidade mundial pela sua dificuldade em importar bens tecnológicos de uso corriqueiro – imaginem componentes eletrônicos mais específicos. As barreiras tarifárias são o menor dos problemas, quando levamos em conta o excesso de burocracia, a falta de visão dos principais traders e importadores, má vontade e corrupção de agentes governamentais e por aí vai. O fato é: trazer tecnologia é caro e trabalhoso.

Dito isso, aparece o primeiro dos grandes desafios que parece não ser vencido pelas companhias que tentam desenvolver novos produtos por aqui: a simplificação. É ruim trabalhar com componentes locais ao invés de maravilhosos processadores e placas de ponta que você poderia trazer do exterior? Sim, porém é o que tem pra hoje. Use o mais barato ou morra tentando. Há algumas alternativas de hardware que podem ser adquiridas localmente com certa facilidade e, embora percam em termos de capacidade e desempenho, ganham no que mais interessa – o preço.

Design em hardware – não discuta

Muitas startups que desenvolvem softwares ou sistemas online podem se dar ao luxo de oferecer versões com design mais rudimentar em seus primeiros testes e avaliações. Entretanto, quando falamos em produtos físicos, isso simplesmente não cola. Sejamos francos: inovações, tecnologia e produtos de hardware desenvolvidos por pesquisadores e novas empresas no Brasil são horrorosos. Não adianta argumentar contra o cliente.

Imagine uma lâmpada inteligente, que fornece dados a respeito de consumo para um aplicativo. Se essa lâmpada parece a incandescente que a Dona Maria usa na barraca de pastel, ela pode até mesmo ajudar você a resolver sua lição de matemática – não vai vender. Estamos cansados de saber que produtos bonitinhos vendem melhor do que os funcionais e as razões por detrás disso são, na verdade, bastante simples: um produto inovador concede também um caráter de status, e ninguém demonstra seu status com uma Kombi, e sim com um Mercedes-Benz.

O design é um dos atributos fundamentais no desenvolvimento de produtos de sucesso, mas a maioria dos inventores e pesquisadores brasileiros parece simplesmente ignorar esse fato, o que nos leva ao próximo tópico.

A síndrome de gênio incompreendido

Há cientistas, pesquisadores e inovadores geniais em qualquer parte do mundo – o Brasil não é uma exceção, nem para bem e nem para mal. Contudo, nossos gênios não são minimamente preparados para enfrentar um ambiente de negócios ou de mercado, não porque não tiveram “formação” para tal, mas porque perdem mais calorias tentando fazer com que as pessoas aceitem seus pontos de vista do que simplesmente vendendo seu peixe.

Design pra quê? Afinal, eu sou um gênio!

Design pra quê? Afinal, eu sou um gênio!

“As empresas brasileiras não investem em tecnologia”. Se analisarmos a fundo, veremos que a maioria esmagadora das empresas norte-americanas sequer possuem um website razoavelmente atualizado, utilizam computadores com Windows 95 e realizam a maior parte de seu controle contábil e financeiro em Excel, ou no braço. Com uma economia dez vezes maior que a nossa, é evidente que o volume de investimentos em inovação tende a ser maior, porém o grande “X” da questão não está aí.

Sugiro uma “passeada” no Kickstarter. Atualmente, junto com o IndieGoGo, esse site congrega uma infinidade de invenções, novos produtos e protótipos de ideias em hardware simplesmente fantásticos. Enquanto isso, inovadores de universidades brasileiras criam produtos que parecem saídos de uma feira de ciências do ensino fundamental – suas funcionalidades? Tremendas. Porém feios que só o diabo e sem qualquer perspectiva ou planejamento de mercado, dados de custo de produção e venda ou, pior ainda, sem o menor traço de um plano de negócios. Voltando aos projetos no exterior, podemos facilmente constatar algumas preocupações:

  1. Protótipos são desenvolvidos, porém idealizadores já preveem um design adequado para a comercialização.
  2. Planos de negócio, produção e custos detalhados são comuns.
  3. Estratégias de marketing já aparecem em seu esboço no ato do financiamento do produto.

Voltamos ao inventor brasileiro. Cansei de ouvir coisas como “quem tem que se preocupar com o design e o marketing é quem vai comprar a ideia”. Ótimo, só há um pequeno problema: como você faz para vendê-la?

Sobre paletas mexicanas e placas de circuito

O Brasil é um país que funciona em “ondas”. Tivemos as compras coletivas. Todos abriram sites de compras coletivas online, sem qualquer controle, planejamento ou mensuração de oportunidades. Depois, vieram os sites de cupons, o e-commerce de nicho e agora parece que abrimos um pouco o leque, mas na verdade estamos na era dos “apps-clones” – táxis, comida delivery. dicas de baladas, etc.

No mercado tradicional, não é diferente. Muita gente parece ter ganho dinheiro com as tais paletas mexicanas. Lojas abriram em todos os shopping e esquinas, oferecendo aquele picolé caseiro que tomávamos do sorveteiro do bairro, uma década atrás. Excelente, mas e o inverno? O investimento em uma loja compensa a espera até uma nova temporada? Todos que investiram no segmento fizeram as contas e projeções de queda de vendas com a queda de temperatura? Pouco provável.

Delicioso - mas dá pra encarar durante o inverno?

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O hardware brasileiro corre o mesmo risco, o de chover no molhado. Muitas empresas que fornecem hardware com tecnologia e aplicações que não tem absolutamente nada de inovador estão vestindo uma “nova roupagem” com a era dos sensores e a “internet das coisas”. Apesar de fornecer alternativas de intercâmbio de dados com a web mal e porcamente, todo o tipo de serviço que já víamos décadas atrás voltou com força total, e tecnologia de menos.

Outro dia ouvi a respeito de uma solução inovadora no mercado de segurança automotiva. “Vai revolucionar o mercado de veículos”, dizia o empolgado criador do sistema. Segundo ele, seu produto poderia ser instalado no automóvel e, no caso de furto ou roubo do veículo, você pode cortar o combustível apenas enviando um SMS. A despeito da tecnologia não parecer mais inovadora do que o Car System, do Sérgio Mallandro, e o Central Sat, do Milton Neves, fiz cara de interessado e não resisti, perguntando: “e se o ladrão também roubar meu celular”?

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