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Apocalipse zumbi das startups – inevitável?

"Zumbis" entre os modelos de negócio de startups?

Postamos recentemente uma divertida ilustração em nossa fan page, com dez modelos que são belos candidatos aos próximos “zumbis” entre o mercado de startups, após as infames compras coletivas e os leilões de centavos (que não deram certo na primeira tentativa, mais de dez anos atrás, porém tentou-se uma segunda vez). O fato é que muito se fala em inovação no segmento, mas quando analisamos mais de perto, 99% das startups podem ser enquadradas em pouco mais de 25 ou 30 diferentes modelos de negócio. Isso não necessariamente seria ruim, não fosse pelo fator “tendência” envolvido na coisa.

"Zumbis" entre os modelos de negócio de startups?

“Zumbis” entre os modelos de negócio de startups?

Três de dezenas de modelos-mãe diferentes é um bom número, contudo a depender da época e região, às vezes quase metade dos novos empreendedores parece apostar que um dia possa existir um mercado capaz de fazer com que todos, eu disse TODOS, ganhem dinheiro. A TelexFree, BBOM e outros sistemas de “marketing multinível” – que se não são pirâmides, talvez sejam “cones” financeiros – prometem ganhos a todos os seus associados, para que estes vendam “vendas”. O caso é que o produto em si nunca é comercializado e, na verdade, todos os “associados” apenas ganham indicando novos associados, e assim por diante. Longe de constituir crime contra a ordem econômica, como é o caso desses esquemas, mas algumas startups parecem baseadas em sistemas tão ou menos autossustentáveis.

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Ninguém está dizendo que não dá dinheiro

Mercado saturado e mercado inexistente são duas coisas distintas. Ninguém disse que compras coletivas ou leilões de centavos não deram dinheiro a alguém um dia… entretanto, como qualquer mercado “trendy“, a moda passa. Além disso, o colossal número de empreendedores entrantes durante o “fervo” do modelo faz com que a vida útil do mercado seja ainda mais reduzida. As compras coletivas eram um modelo que fazia bastante sentido em duas frentes: para prestadores de serviço e comércio de alimentos ou bebidas, dispostos a investir em marketing sem gastar por antecipação, e utilizando sua própria margem para lastrear custos com publicidade; e em segundo lugar, fabricantes, atacadistas, grandes varejistas e fornecedores de produtos diversos, com estoques excessivos ou encalhados, que quisessem dar vazão a esses volumes, extinguindo custos de estocagem e até mesmo conseguindo repor algumas margens.

O problema? Já discutimos isso por aqui: comerciantes e prestadores que não calcularam direito suas margens e limites para concessão de descontos, falhas na organização de cupons, problemas relativos aos direitos do consumidor, mau atendimento, excesso de concorrência, banalização das ofertas… e por aí vai. No esquema do leilão de centavos, o mesmo raciocínio – com a multiplicação dos sites, essas startups não conseguiam usuários pagantes o suficiente para que os lances feitos pagassem pelos produtos, com isso os itens ofertados foram se tornando mais banais e levaram ao inevitável fim da prática.

Mas, repetindo: muita gente ganhou uma grana preta… mas os milionários, em sua maioria, foram aqueles que pularam fora do negócio logo no início da bonança. Há que se desconfiar: se o negócio é sustentável e sua escalabilidade “infinita” (uma péssima escolha de vocabulário), porque alguém iria querer capitalizar sua participação e abandonar o barco?

A nosso ver, isso começa a ocorrer nos mercados acima citado, na gravura.

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Já vimos esse filme

Cupons grátis são um belo exemplo de “inovação” que, na verdade, trata-se de uma reinvenção de um antigo modelo, com a entrada de um novo canal. O mesmo se pode dizer das vendas por assinatura – de volta aos anos 1970 e 1980, os que podem se lembrar da época certamente possuíam parentes que assinavam o “Círculo do Livro“, uma espécie de clube no qual você podia comprar livros com preços bastante abaixo dos praticados no mercado (na época, enciclopédias e livros de consulta custavam pequenas fortunas), ou ainda adquirir coleções em fascículos, dividindo o valor em prestações a perder de vista, mas sempre recebendo uma novidade.

Quanto aos cupons, também já falamos aqui sobre o assunto – revistinhas e guias de bairro fazem isso há anos, mas a entrada da web 2.0 trouxe o modelo de volta à tona.

A questão é – até que ponto tais novos “canais”, ou mercados, podem comportar o número dantesco de novos entrantes que vemos semanalmente? Pouco provável… a maior probabilidade é de que tais mercados se vejam em breve esgotados, como é o caso das compras coletivas, ou restrito a algumas poucas empresas sobreviventes.

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Na contramão

Precisamos de mais sites de empregos? Mas, segundo os dados de qualquer lado, não estamos praticamente em uma situação de pleno emprego? Então, por que cargas d’água precisamos de um número crescente de sites e agências de empregos e vagas? Não precisamos… mas precisamos sim de receitas e plataformas diferentes, que possam contemplar a troca de empregos, a possibilidade de empresas encontrarem profissionais (cada vez mais raros), o atendimento de novas tendências de trabalho, mais flexíveis e por aí vai. Contudo, vale lembrar: evoluir e melhorar um mercado implica, inicialmente, no aumento da concorrência, e depois no tradicional “ajuste”. Por “ajuste” entendemos ‘dezenas de sites indo para o vinagre’.

O mesmo se pode dizer a respeito de sites do segmento imobiliário – o boom desse segmento chegou definitivamente ao final e agora o mercado espera correções. Claro que startups com senso de oportunidade tomarão proveito de um mercado em crise, mas simples “sites de anúncio de imóveis” não devem retornar sequer o investimento inicial. Dezenas aparecem todos os dias, sem qualquer novidade, porém segmentando e dividindo um mercado que já ingressa em uma baixa de ciclo até natural.

Finalmente, temos o mercado delivery. Ter alguns guias que congregam restaurantes e bares com serviço de entregas e pedidos é sensacional, contudo há gente demais entrando no segmento e, por mais que a economia cresça e o número de clientes desses estabelecimento possa dobrar, dificilmente irá se duplicar o números de restaurantes e bares – os verdadeiros clientes e parceiros dos sites que atuam nessa área.

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“Nicho” versus mercado minúsculo

Outra tendência que por vezes pode gerar conclusões enganosas decorrentes da falta de concorrência são os chamados “nichos” – mercados atacados principalmente por plataformas de e-commerce e redes sociais modernosas. Seja a tendência culpa do tal “Oceano Azul” ou somente o fascínio por lojas e sites temáticos, o fato é que muitas vezes empreendedores parecem estar confundindo “nicho” com “mercados ridiculamente pequenos e perniciosamente específicos”.

Invente uma rede social de nicho para asiáticos consumidores de livros da Zíbia Gasparetto (nada contra ela, mas nada tampouco a favor) – você jamais terá um concorrente… porém será o cara mais sortudo da Terra se tiver dez usuários. O mesmo se pode dizer de lojas online: será que dá para lucrar vendendo somente imãs de geladeira do Bragantino (ainda que você esteja em Bragança Paulista)?

A entrada dos nichos nos modelos de negócio, mais a perseguição frenética (e por vezes irracional) do mito do mercado sem concorrentes, levaram diversos empreendedores a concentrar esforços titânicos em produtos que nunca atenderão mais do que uns poucos milhares de usuários, ainda que 100% do mercado esperado seja atingido.

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Enfim – se sua startup se enquadra em alguns dos segmentos acima, isso não quer necessariamente dizer que você esteja numa roubada. No entanto, se o planejamento não levou a nada, as metas estão longe de ser atingidas e aquele público, que inicialmente parecia enorme, não soma mais do que uns poucos tontos zanzando por aí, talvez seja a hora de largar o barco e ir assistir ao próximo capítulo de The Walking Dead (o seriado de TV, é claro).

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3 Comentários

  1. Sou desenvolvedor web e o que mais recebo de pedidos de orçamentos são projetos como os acima, e o mais legal é que o cliente acredita ser a cereja do bolo, não realizando um estudo mais especifico sobre o assunto, simplesmente indo na modinha, que normalmente dura um pouco mais que um espirro. Ótimo texto para reflexão.

  2. Parabéns, ótimo artigo!
    Me considero um empreendedor digital e por vezes me peguei pensando em várias ideias para vários nichos “sem concorrentes” que poderia ser algo lucrativo, mas por quanto tempo? Acredito que o problema das startups hoje é o fato delas serem muito hiperativas. Fazer, fazer, acelerar, acelerar, modelo de negócios, montar uma ideia em uma semana e bla bla bla. Ninguém mais avalia a fundo a ideia, se ela realmente vai deixar alguém milionário ou pelo menos rico.
    Depois de muito penar, hoje só início um projeto se ele tiver uma vida útil de 1 ano, no mínimo.
    Quanto ao modismo que mencionado referente a vários ramos que hoje estão extremamente saturados, isso é extremamente normal. Não é apenas na internet, é em todo lugar. Não faz muito tempo, lan houses eram uma sensação onde você fosse. O importante é, como mencionando no artigo: tire proveito e saia antes que o barco afunde.

    Mais uma vez, parabéns pelo artigo.