LEIA MAIS
Por que paramos de falar em startups?

Quem lia nosso blog deve ter reparado (ou não lia): não escrevemos nada faz pelo menos 6 meses. Claro, mantivemos algumas postagens em redes sociais, mas o fato é que […]

Odeie a Bel Pesce – agora é ‘hype’

Até uma semana e pouco atrás, todos os exultantes e fascinados “empreendedores” por profissão no mercado online e nas redes sociais adoravam e idolatravam a Menina do Vale. Não importa […]

Devo criar minha empresa no Brasil ou no exterior?

Muitos empreendedores jovens, alguns ainda vivendo com os pais, têm feito repetidamente a si mesmos e a colegas, amigos e conselheiros essa mesma pergunta: “devo abrir minha empresa aqui ou […]

Anjos também se arrependem

Startups continuam sendo um bom negócio… na pior das hipóteses, um investimento de alto risco, porém com taxas de retorno que superam o razoável de mercado. Ainda assim, ouvi por diversas vezes ao longo deste ano, em diferentes esferas por sinal, a respeito de certa “timidez” de investidores e fundos nos últimos tempos. Poderíamos simplesmente concluir que isso é apenas resultado das pequenas (porém crescentes) intempéries econômicas que temos enfrentado em 2013 como brasileiros – altos e baixos sem explicação nos preços de diversos produtos, endividamento da população nas alturas, crescimento da inadimplência e taxa de elevação do PIB virtualmente a zero.

Recebi esta semana um estudo realizado pela americana Worthworm em relação aos investidores anjo naquele país – convido todos a darem uma olhada. Trata-se de um relatório breve e conciso, que pode ser acessado aqui.

Um dado de cara me chamou a atenção: 45% dos investidores afirmam que a principal razão para se arrepender de um investimento são projeções financeiras excessivamente otimistas. Em relação a outras razões para lamentar a aplicação de seu rico dinheirinho, como má-gestão em startups, modelos de negócio que se provam equivocados, entre outras, é o excesso de otimismo na avaliação de mercado por parte dos empreendedores o que mais frustra o investidor.

Nessa altura do campeonato, e tendo em vista observações que já fiz quando trabalhando no livro “O Empreendedor Viável“, junto ao meu colega e coautor André Telles, cabe a pergunta: não estamos nos deixando levar por nossas expectativas, mais do que pelos fatos ao produzir modelos de negócio?

Bons vendedores

Fundadores de startups, ao menos em relação a investidores e fundos, são vendedores. Essa categoria é mundialmente conhecida por “aumentar” as qualidades de seus produtos… o mesmo ocorre com startups. Até aí nenhum mal, a intenção é mesmo fisgar o cliente (investidor, no caso). O problema acontece quando o vendedor passa a tomar seus dados e argumentos de venda como verdades absolutas em seu negócio. Exaltar o bom e esconder o ruim é ótimo na hora de vender, porém fatal na hora de administrar.

Não estaríamos, simplesmente, exagerando um pouco?

O oceano dos tolos

Adoro a teoria do oceano azul – não tenho, em absoluto, críticas em relação a seus autores. A teoria é sensacional e, sem dúvida, toda empresa deveria perseguir como ideal a atuação e direcionamento de negócios a mercados nos quais a concorrência é nula ou quase inexistente. Problema: isso é um ideal a perseguir, mas a realidade é um pouco mais dura que a ficção. Supondo estar navegando em mares azuis, muitas startups estão afundando a si mesmas e seus investidores e apoiadores no oceano dos tolos.

Voltando ao estudo da Worthworm, uma das maiores frustrações dos investidores americanos em relação a propostas de investimento é a “análise inadequada da concorrência“. Mais de 25% dos anjos reclamam desse fator, e mais de 20% também veem problemas no planejamento de marketing e venda dessas empresas, talvez porque as mesmas suponham estar em oceanos azuis… ao passo que nadam em águas mais rubras do que possam conceber.

Startups são uma opção de investimento – podem ou não ser mais interessantes do que fundos, ações em bolsa, ou mesmo poupança e títulos do tesouro… hoje elas figuram como parte de um portfólio de investimentos de fundos de venture capital e empresários e pessoas endinheiradas, comumente conhecidas como anjos. O quanto tal capital continuará ou não sendo aplicado em nosso segmento? Bem, isso depende de questões macroeconômicas que certamente fogem à nossa alçada, mas também do quanto de segurança e transparência podemos transparecer e assegurar a esses investidores. Talvez esteja na hora de pisarmos no freio com os “powerpoints do bilhão” e, ainda que seja mais difícil vender nossos projetos em um primeiro momento, possamos garantir nossa categoria nos anos que vêm adiante.



Comentários fechados.