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Algumas dicas para contratar na web em startups

Contratar na web é um desafio. A indústria de profissionais chamados “criativos”, assim como técnicos, engenheiros, vendedores e desenvolvedores, cada vez mais utilizam a web como forma de conseguir bons trabalhos, multiplicando sua remuneração ao trabalhar por projeto. Defender que freelancers são profissionais que realizam um péssimo trabalho é tão errôneo quanto afirmar que eles realizam um bom serviço – há profissionais de todos os tipos, gabaritos e preços oferecendo serviços por aí.

Contudo, é bastante difícil saber onde você deve apostar suas fichas, por isso deixamos aqui algumas dicas, para reduzir as possibilidades de frustração e conseguir, de fato, contratar na web bons freelancers, os quais, quem sabe, podem vir a integrar sua equipe futuramente.

Designers e web designers

Ao anunciar vagas para contratar na web, tente ser o mais específico possível – profissionais com juízo suficiente para admitirem suas limitações simplesmente não pegam trabalhos que não possam entregar. Um bom designer possui um estilo próprio, técnicas que pode descrever de modo simples para um cliente e um portfólio pelo menos razoável. Contudo, há algumas coisas que você deve saber:

  • Não se paute simplesmente em um portfólio aparentemente bom. Incontáveis designers enviam projetos e trabalhos de outros profissionais, ou coisas “bonitinhas” que encontram internet afora, na tentativa de ganhar um cliente. Desconfie de trabalhos muito discrepantes entre si, que não possuam uma linha coerente e pareçam ser de pessoas diferentes: geralmente são mesmo.
  • Envie alguns sites ou peças como exemplo do que você quer – isso ajuda o designer a montar um briefing em sua cabeça, porém esteja ciente de que inspiração não é cópia. Clientes que solicitam reproduções exatas de outras peças ou websites frequentemente se decepcionam com o resultado do trabalho.
  • Se um designer demorar dias ou semanas para passar um orçamento, simplesmente procure outro. Se ele não tem ideia do quanto o trabalho dele de fato vale, é porque não sabe direito o que deve ou não fazer para entregá-lo a contento.
  • Antes mesmo de fechar negócio ou pedir um portfólio, passe um briefing e peça uma opinião. Que estilo o profissional adotaria? Como pretende desenvolver? Qual seu método de trabalho?

Evite ainda compartimentar o trabalho demais – layouts em PSD servem como referência para desenvolver páginas em HTML/CSS e para dar uma visão clara, principalmente para clientes e desenvolvedores, do que será criado a seguir. No melhor dos mundos, o web designer responsável pela criação do layout deve, pelo menos, opinar a respeito da codificação do mesmo. Desse modo, o profissional já pensa todo o layout e diagramação em termos de sua montagem para web – larguras e alturas compatíveis com especificações de tela e display, dimensões compatíveis com frameworks usados no mercado e elementos que possam ser transportados para a web apenas com o uso de CSS ou com o mínimo de imagens possível.

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Produtores de conteúdo e copywriters

Não é por ser jornalista, mas convenhamos que 95% do conteúdo apresentado atualmente em blogs de empresas e mesmo noticiosos são cópias baratas de artigos estrangeiros ou de outros veículos, tentativas desesperadas de gerar retorno em SEO ou textos “que vendem”, mas não vendem coisa alguma e, na verdade, mal podem ser lidos de maneira clara.

O valor do conteúdo, falando de forma unitária, pode ter caído – há simplesmente muita gente nesse mercado. Contudo, se você pretende gastar R$ 100,00 para fechar “pacotes” de 40 ou 50 textos, não espere literatura, o que você terá são textos com cópias descaradas, parágrafos sem conexão ou ainda pior, textos que parecem escritos por um corretor de imóveis populares ou uma criança de 8 anos de idade. Se o seu objetivo é propagar textos no estilo “Minhas Férias”, vá fundo e continue a pagar centavos por algumas centenas de palavras.

Agora se você realmente pretende investir em conteúdo, estabelecendo um planejamento, definindo regras e uma linha editorial e produzindo textos e material rico em informação e também com possibilidade de realmente angariar clientes, algumas dicas podem ajudá-lo a selecionar os copywriters corretos para o trabalho:

  • Não peça apenas links de trabalhos anteriores – isso raramente é comprovável. Peça um texto curto e objetivo, que possa ser rapidamente entregue.
  • Busque referências no próprio perfil do candidato nas redes sociais – o conteúdo que ele posta e o modo como escreve certamente revelarão talentos… ou negações.
  • Evite entusiastas dos “textos que vendem” – redigir marketing de conteúdo exige técnica própria, mas estilo de escrita e correção gramatical não devem ser deixados de lado.
  • Gaste um pouco mais – é melhor ter algum conteúdo de qualidade do que muito conteúdo repetitivo e vagabundo.
  • Estabeleça regras de estrutura textual e prazos claros baseados na frequência de publicação.

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Desenvolvedores e programadores

Aqui reside um enorme coringa – é possível encontrar toda sorte de programadores e pseudo-programadores no mercado. O melhor, antes de tudo, é possuir um escopo bem definido do que você precisa. O universo de linguagens, frameworks e sistemas que podem ser utilizados no desenvolvimento de qualquer aplicação é enorme, e você certamente precisará buscar por especialização. Contratar na web é possível, mas é preciso agir com cautela. Você, mesmo tendo muito cuidado, pode comprar gato por lebre, mas vamos a algumas dicas:

  • Antes de mais nada, pesquise o mercado, se possível dentro daquilo que você precisa, para saber qual a média de preço e valores pagos. Use isso a seu favor, mas também evite profissionais baratos demais para o perfil técnico desejado – se fossem bons, estariam recebendo melhor, ao menos na maioria das vezes.
  • Prefira contratar programadores que tenham tido boas experiências trabalhando em equipe com outros desenvolvedores, web designers e também outros profissionais.
  • Busque profissionais distintos para o desenvolvimento back-end e front-end – os perfis são completamente diferentes e as habilidades exigidas de cada um deles quase um antônimo.
  • Peça referências e entreviste brevemente clientes ou empregadores anteriores, principalmente em relação ao comportamento e prazos cumpridos.
  • Peça e analise com calma cada portfólio, acessando scripts e sistemas desenvolvidos em atividade ou em redes como o Github, sempre que possível pedindo auxílio de outros desenvolvedores ou de profissionais ambientados com o segmento.
  • Não tenha pressa – é melhor demorar um mês buscando bons desenvolvedores do que atrasar seu projeto em dois meses por conta de contratações ruins.
  • Fuja das “estrelas” e geninhos egocêntricos. Por melhor que um desenvolvedor possa ser, o proprietário do projeto sempre será você e os rumos a serem tomados devem ser definidos pelo empregador e não pelo programador. No final das contas, ele é um colaborador ou prestador de serviços.
  • Pense em longo prazo e motive sua futura contratação. O cenário ideal é possuir um desenvolvedor que possa acompanhar todo o processo de desenvolvimento e maturação de uma aplicação ou projeto.
  • Frequente hackatons e eventos similares, em busca de profissionais que possuam uma boa desenvoltura. Como estão imersos em um ambiente no qual podem de fato demonstrar suas capacidades, as chances de você encontrar o que deseja serão certamente multiplicadas.
Vendedores

Algumas startups, passado o momento de desenvolvimento do MVP e chegado o ponto de venda ao público em geral, necessitam de vendedores. Em primeiro lugar, alguns acontecimentos recentes e a própria desenvoltura que observamos em sistemas do gênero nos indicam algo bem simples e direto: o telemarketing está morto. Se você pensa em contratar robôs que ligarão para seus clientes com frases prontas e um gerundismo barato e chulo, desista do segmento de tecnologia e vá vender algo mais trivial. Grande parte das vendas de um aplicativo SAAS, por exemplo, são feitas a partir de websites, redes sociais e afins. O vendedor é um personagem que, nesses casos, entra muito mais na hora de ampliar ou incrementar contratos e assinaturas.

Vendedores são geralmente uma loteria – é difícil buscar referências e comprovar realmente eficácia e metas simplesmente com base em currículos ou entrevistas, então é melhor saber dos riscos envolvidos no caso de startups, ao contratar vendedores:

  • Distanciamento do público. Startups são empresas que, até por seu modo de formação, possuem muita proximidade com early-adopters e até mesmo parte do público em geral. Contratar os vendedores errados pode levar seu público a perceber certo distanciamento, pegando aversão à marca ou produto.
  • Comissões em demasia. Uma startup muitas vezes não tem, no início do processo, uma ideia clara a respeito de suas reais margens ou custos. O pagamento de comissões em demasia pode afetar de modo irreversível seu modelo de negócio, e comissões de menos desmotivam a equipe de vendas, que passa a ser algo dispensável.
  • Rotatividade alta. Startups prosperam a partir de uma equipe inicial fiel e confiante no valor e na cultura do negócio, mas vendedores geralmente buscam ganhos rápidos e não investimentos para o futuro. A rotatividade tende a ser mais alta nesse departamento, o que pode causar problemas, inclusive para o restante da equipe.
  • A “Síndrome do dia 20”. Todos nós possuímos um “valor” que consideramos razoável em relação a nossos ganhos mensais. Vendedores também o possuem e, não raro, quando atingem esse patamar, simplesmente enrolam o restante do mês, uma vez que já chegaram onde queriam. Em empresas de todos os tamanhos e setores, as vendas da última semana de cada vez tendem a ser menores por conta de vendedores que já acumularam comissões no patamar que desejavam.
  • Sentimento de injustiça. Em todos os setores também ocorre um certo tipo de revolta por parte de outros segmentos em relação ao departamento de vendas. Especialmente o pessoal da produção tende a considerar injustos os ganhos de vendedores, que comissionados, recebem de forma mais imediata os louros e as cifras que são resultado de um produto bem desenvolvido.

 

 



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