LEIA MAIS
Por que paramos de falar em startups?

Quem lia nosso blog deve ter reparado (ou não lia): não escrevemos nada faz pelo menos 6 meses. Claro, mantivemos algumas postagens em redes sociais, mas o fato é que […]

Odeie a Bel Pesce – agora é ‘hype’

Até uma semana e pouco atrás, todos os exultantes e fascinados “empreendedores” por profissão no mercado online e nas redes sociais adoravam e idolatravam a Menina do Vale. Não importa […]

Devo criar minha empresa no Brasil ou no exterior?

Muitos empreendedores jovens, alguns ainda vivendo com os pais, têm feito repetidamente a si mesmos e a colegas, amigos e conselheiros essa mesma pergunta: “devo abrir minha empresa aqui ou […]

Adiando seu profissional de mídias sociais

Quando você cria uma startup, principalmente se estiver praticamente duro e em busca de financiamento, um conceito da economia é primordial em todas as suas decisões: o chamado custo de oportunidade. O raciocínio é bastante simples – se você investe determinado capital em algo, está deixando de tê-lo à mão para investir em outra coisa qualquer. Recapitulando o título do artigo, os profissionais de mídias sociais podem fazer o escândalo que quiserem, mas são um recurso que a grande maioria das startups não precisa de modo imediato. Claro que há exceções – porque sempre existem casos nos quais esse recurso pode gerar resultados – mas, de um modo geral, a contratação desse tipo de colaborador gera despesas desnecessárias que trazem resultados que, em certas situações, podem inclusive “embaçar” a visão de empreendedores.

Choros e defesas da categoria à parte, o fato é que muitos dos profissionais existentes no mercado parecem utilizar fórmulas “mágicas”, algumas delas bastante vistosas, mas que não servem para o seu negócio. Em outros casos, realizam um excelente trabalho, mas é você, empreendedor, quem meteu pés pelas mãos e contratou esse tipo de serviço cedo demais. Há pelo menos 5 bons motivos para deixar esse gasto de lado até segunda ordem.

1. Escravos de ads

Não é uma regra, mas muitos dos profissionais que atuam com mídias sociais estipulam, nas primeiras linhas de suas propostas, valores médios de investimento mensal ou diário em ads para “impulsionar” publicações. Ora, vamos parar com a hipocrisia. Impulsionar uma ova – isso é despesa com anúncio, assim como uma página de revista ou um spot em uma emissora de rádio. O fato de ads serem “aparentemente” baratos não os torna muito diferentes de qualquer outro gasto com mídia e, na verdade, muitas vezes esse tipo de veiculação não é o mais correto ou acertado para o produto ou serviço que sua startup está introduzindo no mercado.

Além do mais, os mecanismos de aquisição e configuração de anúncios de hoje em fan pages do Facebook, no Twitter, LinkedIn e outras mídias são absurdamente simples e intuitivos – bancar alguém para operar algo que não leva mais do que minutos e emite relatórios de forma automatizada, nos primeiros passos de sua empresa, pode esgotar seu capital para o investimento em produto, em desenvolvimento ou até mesmo em pró-labore ou recursos para manter você e seus sócios.

2. Metralhadoras sempre acertam o alvo

Não é preciso ter mira – se você atirar à queima-roupa com uma metralhadora, seu alvo somente se salva por um milagre. O mesmo ocorre com posts em redes sociais. Após postar 32 fotos e vídeos de gatinhos, 23 de bebês e mais 25 posts aleatórios com “dicas”, “7 razões para alguma coisa” e frases motivacionais batidas e sem qualquer menção às fontes, uma das postagens decola. Pronto, o salário do ‘mídias sociais’ está garantido, e ao final do mês você receberá um relatório mentiroso, que transforma 100 posts sem sal em um ótimo desempenho, por conta de um incidente que viralizou.

Ainda que o efeito final possa ser positivo, quando lidamos com planejamento e estamos construindo e botando em prática um modelo de negócio, não podemos contar com o acaso. E, caso queiramos depender sorte, talvez a presença de um profissional de mídias seja ainda mais desnecessária.

De novo, é claro que muitos profissionais estabelecem cronogramas, estratégias de abordagem, linhas editoriais para o conteúdo e uma organização de meses adiante. Porém, como sabemos, a grande maioria apenas acha coisas bonitinhas e interessantes na internet e replica – muitas vezes criando problemas, inclusive, para a imagem de determinadas empresas. Por exemplo – se sua startup tem como foco o mercado financeiro, gatinhos pulando na mão de dono podem até viralizar, mas certamente essa audiência não reverterá em usuários ou clientes para seu produto. Fail.

3. Parco entendimento do produto

As reclamações a respeito de designers, profissionais de marketing e mídias sociais não é injusta: muitos deles não têm a menor ideia dos produtos vendidos pelas empresas com as quais estão trabalhando. Seja por falta de pesquisa, domínio técnico pequeno ou nulo, ou preguiça mesmo, acabam traçando estratégias sem conhecer a fundo o público-alvo de seus produtos, o que pode criar conflitos e enterrar seu produto ou serviço antes mesmo de seu nascimento.

Muito preocupados com “métricas da vaidade”, como likes e retweets, muitos profissionais da área de mídias sociais buscam resultados em termos de número de seguidores, compartilhamentos e visualizações – o que não é um erro, a depender da situação, mas pode ser a alternativa errada para seu negócio.

4. Timing equivocado em mídias sociais

Muitas vezes o profissional de mídias sociais desenvolve a estratégia correta, trabalha seu produto do modo mais eficaz e consegue um excelente retorno no público que você pretende atingir. Perfeito. Mas a sua versão beta, ou o produto que acaba de lançar, está repleto de erros e precisava de muitos outros ajustes, que você empurrou com a barriga por conta de investimentos apressados na área de marketing.

A culpa nem sempre é do profissional de mídias sociais – ele é contratado e faz seu trabalho, mas quem precisa saber a hora certa de convocá-lo é você empreendedor.

5. Falta de autoridade e credenciais

Novamente, o profissional de mídias sociais realizou um excelente trabalho. Porém, seu público respondeu ao chamado com centenas de dúvidas, críticas, perguntas e exige um feedback rápido e profissional. Bem, não dá para exigir uma postura de CEO e profundo conhecimento da empresa por parte de seu profissional de mídias sociais – ele aconselha, auxilia e dá dicas, mas não responde pela sua empresa e produto. Você também não leva muito jeito e não tem tempo, logo terá duas opções: ou “congela” o trabalho nas redes e deixa possíveis clientes a ver navios, ou gasta ainda mais dinheiro contratando um bom profissional de comunicação ou marketing, que figure como um gestor de comunidades, com autoridade e conhecimento para interagir com esse público.



Um comentário

  1. Muito interessante esse artigo. Realmente, contratar um profissional de mídias sociais em um momento inicial da startup pode ser um erro, por gerar um custo muito grande que a maioria das startups não pode pagar. Porém, devemos admitir que a presença nas redes sociais de forma efetiva é realmente importante.
    Por isso uma grande ideia para startups em fase inicial é investir em ferramentas para a manutenção de suas mídias sociais. Sites como o Revelabit (https://www.revelabit.com.br/), que fazem o agendamento de publicações nas principais redes sociais, podem ser a solução para esse tipo de problema, e com preços bem acessíveis.
    Agendar os posts da semana inteira, em poucos minutos durante o domingo, tem me salvado um tempo gigantesco, e me ajudado a marcar presença nas redes sociais 🙂