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8 mentiras que contaram antes de você empreender

Aparentemente os empreendedores e muitos nomes relevantes no ecossistema de startups começaram a questionar alguns valores do movimento no Brasil. Excelente, mas poucos realmente comentam a respeito. Nada como um jornalista chato, ranzinza e beirando os 40 para meter o dedo na cara de muita gente que do dia para a noite virou especialista, mentor, investidor ou grão-mestre Jedi da Ordem Startup.

As mentiras que proliferam em eventos, colunas, revistas, jornais e todo tipo de veículo de informação voltado ao segmento muitas vezes beiram o ridículo, mas seguem sendo compradas à granel pelos empreendedores mais incautos. Há muitos outros exemplos, mas separei aqui 8 mentiras deslavadas que são distribuídas sem qualquer cerimônia aqui e ali em relação ao ato de empreender.

1. Não é preciso dominar a área

Qualquer empresário que não esteja à beira da falência sabe que sem conhecimento de seu próprio mercado de atuação não se chega a lugar algum. Contudo, é possível encontrar maravilhosas dicas que impulsionam programadores ou administradores de empresa a se aventurar em áreas para eles inóspitas, como o varejo, serviços relacionados ao mercado de alimentação, saúde e educação, ou ainda sistemas diversos baseados em assinatura, oferecendo todo tipo de produto com o qual eles não têm a menor familiaridade e, às vezes, sequer são consumidores.

O domínio e o conhecimento da área de atuação é uma peça fundamental para a criação de qualquer negócio e no ato de empreender. Estudo e dedicação revelam ao empreendedor minúcias que cada setor possui, que quando desconhecidas, se tornam automaticamente vantagens competitivas para a concorrência.

2. Não falta capital no mercado

Em primeiro lugar, considerando que vivemos uma crise de crédito, a afirmação por si só já é ridícula. Se os investidores em “ações” estão buscando investimentos mais seguros, o que se dirá a respeito de gente que aplica seu dinheiro em algo quase nada arriscado como uma startup. Porém, a afirmação já era mentirosa nos tempos de bonança. Há sim muito capital para investimento em startups no mercado, contudo mais de 90% dele tem como alvo startups que já produzem receita e contam com uma boa clientela, e não raramente aquelas que operam com modelos já consolidados.

3. Só é preciso paixão para empreender

Até para o futebol é preciso ter técnica. Vontade e paixão em empreender não fará com que você aprenda ou absorva por osmose todos os pré-requisitos que são necessários para torná-lo um gestor eficiente, e nem lhe trará explicações automáticas sobre a perniciosa dinâmica de formação e administração de empresas em nosso país. Paixão é algo impulsivo, acima de tudo, e não é suficiente para preparar o empreendedor para enfrentar as agruras e desafios que certamente virão.

4. Você só precisa de investimento

Pergunte a qualquer português dono de padaria. Se você “só” precisa de investimento, é porque não tem nada até o momento. Na verdade é algo de muito simples ter uma ideia e juntar meia dúzia de gatos pingados e deixar para o destino os R$ 200 mil reais que são a “pequena” peça que falta para levar o negócio adiante. E mais, investidores logicamente são muito mais propensos a investir em negócios autossuficientes, que mesmo sem seus aportes poderiam seguir adiante. Isso reduz riscos e eleva as possibilidades de lucro sobre o investimento.

5. Design e conteúdo são baratos

Excelente ideia contratar os freelancers mais baratos dos muitos sites que oferecem esse tipo de profissional na web. Nada é mais prazeroso do que lotar seu blog com centenas de textos pagando R$ 1,00 por cada um deles, ou conseguir uma landing page que só custou R$ 50,00. O problema é que seu usuário não é trouxa – em alguns casos, ele possui uma formação melhor do que a sua e aqueles textos que são uma sopa de palavras-chave com trechos recortados do Wikipedia e de sites de notícia vão causar imediata ojeriza em seu público.

O mesmo se pode dizer do design. Não importa muito o modo com que as informações estão dispostas, o importante mesmo é botar a página no ar. Vai nessa…

6. Você precisa fazer parcerias

Quando alguém lhe sugerir uma “parceria” em um evento de startups ou comunidade online, fuja. Via de regra, a definição de parceria para o brasileiro envolve você trabalhando de graça enquanto o outro lado contabiliza lucros. Ao final, ele lhe dá um título meia-boca ou lhe convida para ser “parte” do projeto, e você se dá por satisfeito, mesmo não tendo grana para tomar uma cerveja com seus trutas. Quer um parceiro? Procure um fornecedor, um cliente que possa ajudar você a escalar, um profissional gabaritado que tope ingressar como sócio, etc.

7. Você precisa se dedicar 100%

Como já publiquei aqui – conversa-mole. Tudo depende do número de sócios, mercado de atuação, estágio de desenvolvimento do modelo e muito mais. Empreender é algo que, salvo raríssimas exceções, está profundamente ligado à própria sustentabilidade. Grandes empresários do mundo de hoje tiveram, é verdade, ideias sensacionais, mas também queriam e precisavam botar comida na mesa.

Se dedicar “100%” é para quem é filho de milionário, ou seja, menos de 0,1% da população brasileira, segundo o IBGE.

8. Produto no mercado a toque de caixa

Isso nem sempre é verdade. Grandes conglomerados do mundo inteiro sabem que uma incursão precipitada em determinados mercados pode varrer de forma definitiva qualquer chance de sucess para determinados produtos. No caso de startups, o processo é ainda mais grave. O pessoal entendeu errado o conceito de “beta”. Landing page não é beta. Cadastro de e-mails não é beta. Aplicativo que sai em jornal, mas não existe no Google Play nem na App Store também não é beta.

Lançar um produto para que melhorias possam ser realizadas a partir da interação com o próprio usuário é uma coisa, vender promessas e soluções inovadoras e entregar vento é algo completamente diferente.

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