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7 maneiras de perder dinheiro com a onda startup

Tudo bom e tudo bem, mas o fato é que muitos empreendedores, investidores, profissionais e até mesmo gente que estava passando “só pra dar uma olhada” já perdeu muita grana com esse mercado. O risco é parte do jogo, dizem uns, mas será mesmo que a maioria dos que perdem está encarando as coisas desse modo? A verdade é que existem pelo menos 7 maneiras diferentes de perder dinheiro, e muitas vezes uma boa grana, com a onda das startups no Brasil. Se pra você dinheiro não é problema, manda ver, mas se você possui um pouco mais de amor às suas economias, melhor dar uma lida no texto a seguir.

Largue seu trabalho

Já falamos sobre isso. Para muitos empreendedores, esse é o primeiro “grande passo” que esse mercado exige. O problema é que muitos deles acabam queimando todas as suas reservas antes mesmo que suas startups possam sequer ganhar alguma notoriedade no mercado. Impulsionados pela lenda do “investimento fácil”, colocam todas as suas economias logo nas primeiras etapas do desenvolvimento e acabam queimando tudo antes mesmo do desenvolvimento de um MVP aceitável – não chegam a conseguir nem clientes e nem investidores, e têm de desistir, sem grana para continuar bancando o negócio.

Trabalhe em troca de “participação”

Estamos encarando a participação em negócios ou startups de forma perigosa. Muitos dos incautos profissionais não têm ideia do risco que isso representa ou mesmo da possibilidade de ganhos que isso acarreta ou não. Parece ótimo desenvolver todo a plataforma de uma nova startup que vai atender a um mercado de bilhões, mas devemos lembrar que ela não possui, atualmente, qualquer receita. Além disso, a participação somente terá alguma utilidade no caso da empresa ser vendida ou de haver algum tipo de oferta ou cláusula que permita a esse profissional se desfazer de sua participação em troca de dinheiro – o que geralmente não ocorre.

Muitos ingressam sob promessas de ganhos vultosos, e acabam perdendo suas participações pulando fora alguns meses depois, quando percebem que não estão nem recebendo por seu trabalho e mesmo a participação, se vier a dar algum lucro, só irá funcionar dali alguns anos – e mesmo assim, somente se a startup vingar.

Investir sem supervisão

Não estamos no Vale do Silício. Aqui, na realidade brasileira, pessoas propõem Deus e o mundo, mas quando pegam sua grana fazem algo totalmente diferente. Isso se não somem, simplesmente. Infelizmente, confiar no Brasil é algo que custa muito caro. Acordos verbais não valem absolutamente nada e investir sem o devido acompanhamento pode ser uma enorme roubada. Os principais investidores do mercado de startups possuem suas estratégias para cobrar evoluções e exigir a execução dos projetos nos quais investem, mas há alguns investidores “anjo” de primeira viagem que têm botado grana em um grande ponto de interrogação, e só percebem que deveriam ter acompanhado o negócio de perto quando já é tarde demais.

Delegar, ao invés de fazer

O empreendedor “líder” é o pior tipo de personagem que hoje habita o ecossistema de startups. Com seu próprio dinheiro ou com a grana de terceiros, ele toca sua maravilhosa ideia simplesmente “delegando” funções a terceiros, e não botando a mão na massa para absolutamente nada. Essas máquinas de contratar a torto e a direito adoram designar funções a terceiros e contratar agências e consultorias, zerando o caixa antes mesmo do negócio começar – isso sem esquecer de seus próprios salários ou pro labore. Não raramente esses profissionais deixam de realizar estimativas e projeções e acabam torrando a grana de investimentos ou empréstimos em tempo recorde.

Cursos, treinamentos e toda sorte de eventos do gênero

Assim como a onda MBA ou o “inglês obrigatório”, que aliás, a despeito dos muitos cursos, até hoje não é dominado pelo brasileiro, o meio startup hoje em dia demanda, ao menos supostamente, frequência em cursos e treinamentos de todo tipo. É claro que há utilidade em vários deles, mas muitos empreendedores torram quantias milionárias frequentando treinamentos que vão desde montar um Canvas (algo que, na realidade, é simples pra diabo) até sessões de coaching, estranhamente oferecidas por profissionais que sequer sabem do que se trata uma startup, mas que garfam milhares de reais de desavisados.

As armadilhas se multiplicam, mas o conteúdo é geralmente baseado em ditamos motivacionais manjados e releituras de supostas técnicas de gestão do tempo, motivação, estratégias de sucesso e coisas do gênero, mais velhas do que andar pra trás e presentes em qualquer livro do Lair Ribeiro ou Augusto Cury.

Eventos – não custa ressaltar

Já falamos aqui também. Eventos de todo tipo, cor e sabor. Startup Masters, Startup Leaders, Startup Genius e Startup Anything – os nomes variam mas a tônica é sempre a mesma: palestras de “autoridades” com cargos sonoros e curiosos, supostamente especialistas em algo, mas que se realmente fossem empreendedores e empresários, não teriam tempo de figurar em todas as rodinhas do setor. De novo, é claro que alguns desses eventos são sérios e trazem conteúdo e gente de qualidade, mas eles não ocorrem em base diária.

Kits, pacotes e enlatados

As melhores e mais promissoras startups do mercado têm tido algo em comum no Brasil – elas têm outros startupeiros como clientes, invariavelmente. Pacotes e kits de “tenha sua startup em 5 dias”, ou em uma semana, ou em horas, são o sucesso do momento. Afinal, pra quê montar alguma coisa se você pode “comprar” uma startup customizada? Poucas dessas empresas realmente fazem sugestões ou interferem nos pedidos dos empreendedores – apenas entregam algo que o cara pediu, o mais rápido possível, saindo de cena logo a seguir.

No mundo onde “ter” uma empresa é mais importante do fazê-la lucrar ou dar certo, esses reais empreendedores acertaram em cheio, e enchem seus bolsos de dinheiro, enquanto você perde uma grana que estaria sendo melhor aplicada em uma viagem para a Disney.

 

8 Comentários

  1. Giovani Dalfovo says:

    Pergunta para o autor: Qual sua opinião sincera sobre a “plataforma” StartSe da Infomoney?

    • Carlos Matos says:

      A plataforma parece bem construída e é muito semelhante ao que vemos na AngelList – https://angel.co/

      Até que ponto ela funciona em termos de aproximar investidores de empreendedores, só o tempo e a boa vontade de cada poderá dizer. À priori, tem seu valor como ferramenta.

  2. Greg says:

    A imprensa “startupeira ” negativa fanga com o que mesmo ? Ah. Ta. Macaco senta no rabo e fica olhando o rabo dis outros. Era o que faltava. Imorensa startupeira sensacionalusta com sindrome de vira lata. Tsc tsc tsc. Melhorem.

  3. Cara, essa do ‘eventos’ é a melhor. Só dá Zuckerberg de palestrante mas nenhum deles tem um app que seja, as vezes nem blog. A mais charlatã de todas é aquela bel besce que diz ter saído da própria startup pois seria vendida e mais nada. É tão empreendedora que tem só tem uns 4 cursos (parceria) e um livro rsrs

  4. André says:

    É triste mais é a verdade! Só acho que quem cria uma Startup não pode pensar apenas no mercado nacional.Isso em relação a qualquer coisa.Crie alguma coisa é pense nas possibilidades do primeiro mundo.Aqui no Brasil você vai dar murro em ponta de faca.

  5. Fernando says:

    Parabéns pelo artigo, um dos mais sóbrios e diretos que li nos últimos tempos sobre “startups”.

  6. RAFAEL IFARRAGUIRRE JACQUES says:

    Curti o post e vejo que aqui no RS não tem muitas pessoas realmente boas falando sobre empreender, quais palestrantes tu indicaria ter que ouvir?