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7 coisas que sua empresa pode aprender com startups

Startups podem até estar na moda, mas para quem tem um negócio dito “tradicional”, talvez isso não faça a menor diferença. Contudo, especialmente levando em conta os tempos de crise que parecem finalmente chegar, sua empresa talvez tenha algo de útil para tirar de toda essa nova onda do empreendedorismo. Nem toda empresa que se diz “startup” é de fato uma startup, mas para você que definitivamente NÃO TEM uma startup, talvez essa conversa toda venha a trazer algum benefício.

A grande verdade é que a metodologia de desenvolvimento, gestão e criação de negócios do meio startup pode emprestar técnicas e ferramentas que têm o poder de mudar a forma com a qual você toca sua empresa, inclusive com possibilidades de simplificar seus processos, ampliar suas vendas, multiplicar seus lucros e, principalmente, tornar sua vida como empresário um pouco mais agradável. A Startupeando separou algumas coisas que você certamente deveria considerar em sua empresa, tomando startups e sua filosofia de negócios como exemplo.

Poucos “features”

Quem está no meio está acostumado a essa terminologia. Os “features”, grosso modo, são as funcionalidades de um determinado produto ou serviço, ou suas características e qualidades sob a óptica do cliente. No meio startup, aprendemos que o produto ideal deve “cortar a gordura” e ser entregue ao cliente com poucos features, apenas aqueles que realmente resolvam o problema que levou o cliente até essa opção oferecida por você.

Na economia tradicional, presenciamos a todo momento, principalmente na área de serviços, alguns produtos e pacotes que parecem querer abraçar o mundo. Simplifique aquilo que você oferece, retirando floreios e opcionais que, na verdade, não fazem qualquer diferença para seu cliente, mas possuem com certeza um custo no seu bolso. Além de reduzir custos, esse tipo de foco em poucas funcionalidades adotado pelas startups reduz a possibilidade de erro perante o cliente, facilita o trabalho de vendas e deixa seu produto mais objetivo.

Coca-Cola – mix razoável, mas sempre com destaque para o carro-chefe.

Mix reduzido

Tomando carona no primeiro tópico, é preciso que o mix de produtos e serviços que você oferece seja limitado – o que facilita sua gestão e controle – e foca nos nichos e na clientela que você pretende desenvolver. Startups não costumam oferecer, com raras exceções, milhares de produtos em seus portfólios. Geralmente elas trabalham bem alguns produtos que têm um nítido apelo junto a seu público, cortando aqueles que representariam apenas vendas eventuais.

Em sua empresa, produtos sem muita circulação engrossam estoques, geram desperdícios e, claro, dentro do custo de oportunidade que representam, acabam impedindo você de trabalhar com volumes maiores de produtos que têm grande saída e boa margem. Imagine uma pizzaria – é sabido que 90% dos clientes acabam pedindo não mais do que 10 ou 15 sabores distintos de pizza. Cardápios com centenas de sabores implicam em enormes estoques de ingredientes que não terão grande saída. Nesse caso específico, além do encalhe, ainda há prejuízos pela deterioração dos alimentos.

Profissionais liberais podem , em muitos casos, trabalhar sem problemas a partir de casa

Home office

Muitas startups começam (e algumas vão bem adiante desse modo) com fundadores e até funcionário trabalhando a partir de casa, com eventuais reuniões em coworking ou mesmo bares e cafés. Há, claro, empresas que inevitavelmente precisam de um escritório, mas será que no caso do seu negócio isso é mesmo uma obrigação? Engenheiros e arquitetos com escritórios pequenos, contadores, técnicos de informática e manutenção, designers, prestadores de serviços em geral… muitos desses profissionais ditos liberais sequer precisariam ter um endereço físico para trabalhar, não fosse a exigência dele para conseguir o CNPJ.

Sem o custo de manutenção de um escritório ou sede em tempo integral, sua empresa pode reverter situações de prejuízo ou conseguir o fôlego que faltava para que você realize investimentos em publicidade, equipamentos ou mesmo em vendas. Startups nos ensinam que devemos ao menos avaliar a possibilidade de enxugar os custos com uma estrutura física permanente e, caso ela se prove dispensável, temos a oportunidade de criar uma empresa mais saudável e leve.

Aprender com os erros

Essa uma das mais importantes características de startups – aprender com suas falhas. Startups geralmente seguem o ciclo sugerido por Eric Ries, em seu livro A Startup Enxuta. Essas empresas, para cada novo produto ou funcionalidade que introduzem, seguem um ciclo de desenvolvimento, medição e aprendizado, refazendo o ciclo novamente e corrigindo falhas a cada revolução. O mesmo pode se aplicar a qualquer negócio. As “melhores práticas de mercado” simplesmente não funcionam em sua empresa, às vezes, por isso o melhor é medir todo o processo, anotar problemas e falhas, e refazer o ciclo com as devidas correções.

Para tanto, é sempre necessário ouvir seus clientes e colher dados que possam levar às respostas e as falhas que foram cometidas. Voltando ao exemplo das pizzas, suponhamos que você introduziu as pizzas de três sabores, mas não há muita saída. Ouvindo alguns clientes, você conclui que eles não costumam pedir, pois os três sabores não podem ser divididos em oito fatias. A partir daí, você instrui seu pizzaiolo a cortar a pizza em nove fatias, tecnicamente resolvendo o problema e preparando seu produto para um novo ciclo de aprendizado.

Cada um com suas funções

Startups e pequenas empresas são parecidas – nelas, o papel dos fundadores é muitas vezes essencial para que o negócio prospere. Nas startups, a instrução é que, entre a equipe de fundadores, se tente cobrir o maior número de áreas de conhecimento e funções possível. Em negócios tradicionais, não há porque ser diferente. Talvez o sócio ideal para que você, um cozinheiro de mão cheia, monte seu restaurante não seja, na verdade, um chef, mas sim um nutricionista, um contador ou até mesmo um arquiteto.

Com uma equipe de fundadores variada e que possa abranger várias áreas de conhecimento, você reduzirá suas necessidades imediatas de contratações, tanto de pessoal quanto de fornecedores, além de possuir várias ópticas distintas conduzindo seu negócio.

Meça tudo o que puder e gere ferramentas para suas decisões.

Métricas em startups

Startups chegam a ser paranoicas ao medir seu progresso e resultados. O mesmo deve ocorrer com sua empresa. Basear-se apenas em balancetes ou em dados de faturamento e gastos pode deixar de lado aspectos importantes, que poderiam embasar importantes decisões empresariais. Criar métricas é uma função sua como gestor e elas não necessariamente precisam chegar prontas até você. Dados sobre número de atendimentos, reclamações, faltas e atrasos de funcionários, eficiência e retorno em publicidade, tempo de entrega de fornecedores – o ideal é que tudo seja transformado em números, para que você possa dispor da maior quantidade possível de dados para tomar decisões e fazer previsões.

Escalabilidade

Enfim, o que torna uma empresa de fato uma startup é seu potencial de “escalabilidade”. As startups atuam com um modelo de negócios escalável, ou seja, que possa ser repetido indefinidamente. Será que sua empresa possui, pelo menos, produtos que têm essa vocação? Determinados produtos e serviços que você oferece poderiam ser simplificados e reproduzidos de forma infindável. As vantagens disso? Bem, uma vez que esse produto se provou lucrativo e eficaz após a venda de 10 unidades, a tendência é de que ele seja ainda mais lucrativo ao vender 1.000 unidades.

Conceitos relacionados à velocidade, simplificação e otimização de vendas e entrega tornam isso possível em startups – e talvez em sua empresa. Usando mais uma vez o exemplo da pizzaria, imagine o quão mais rápidos seriam os pedidos e os despachos se eles pudessem ser feitos por meio de um aplicativo, que já registrasse seu endereço e permitisse a escolha dos sabores com apenas alguns cliques. Sua pizzaria ganharia velocidade, ocuparia menos atendentes e provavelmente venderia mais ao longo do tempo.

A escalabilidade ainda é um fator pouco usado por empresas tradicionais, que tendem a tornar seus portfólios mais complexos e, muitas vezes, menos escaláveis em comparação a um mix mais simples e dinâmico. Em tempos de crise como os que parecem vir, vender mais daquilo que é mais lucrativo parece uma decisão fácil de tomar e difícil de implementar, mas você pode começar desde já.



Um comentário

  1. claudio says:

    Nesse contexto não seria uma alternativa oportuna a “empresa tradicional” incentivar/fomentar/priorizar e até apoiar a criação de startups para o desenvolvimento de alguns de seus projetos, ou parte deles, nesses ambientes. Em algumas incubadoras, como na Incubadora de Empresas USP/Ipen-Cietec, em São Paulo esse modelo ( conceito: empresa mãe – empresa filha ) vem sendo praticado, ainda que modestamente, com bons resultados,