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7 coisas que NÃO são uma startup

Uma confusão passou a ser comum no ainda restrito universo de startups. Deixemos claro logo de saída: um produto não é uma empresa, embora uma empresa possa sim ser construída em cima de um único produto. Produtos maravilhosos surgem todos os dias no mercado, alguns deles produzidos e criados por empresas já estabelecidas, outros criados por grupos de pessoas dispostos a erigir uma nova empresa ao redor de seu protótipo e, finalmente, aqueles que pretendem conduzir as duas coisas como se fossem apenas uma.

O momento das startups nesta década é, em certos aspectos, extremamente diferente do momento vivido por companhias “pontocom” 10 ou 15 anos atrás. Para início de conversa, realmente há um vasto mercado consumidor – todos que podem ou poderiam comprar seus produtos e serviços de fato possuem acesso à rede. Isso estava longe de ser uma realidade em 2000. Também havia grandes barreiras técnicas às propostas de valor oferecidas por algumas daquelas companhias. Como as startups de hoje, elas tentavam vender conveniência, rapidez e facilidade, mas a internet discada, com provedores aqui e ali, era inconveniente, lenta e difícil e cara de conseguir.

Hoje não temos esses obstáculos, mas talvez ainda assim estejamos incorrendo em alguns erros dos negócios do passado. Vemos, entre as startups que aparecem aqui e ali, diversas empresas à venda, com produtos que possuem algum potencial… sendo que talvez devêssemos estar vendo mais empresas com potencial, vendendo diversos produtos. A ordem dos fatores aqui altera completamente o resultado. Ainda que a monetização seja “uma segunda etapa”, sua empresa precisa ter um produto ou serviço para vender. Investidores, aceleradoras e especialistas dão o alerta que até poucos anos atrás parecia ser óbvio: não irá colar para sempre vender uma empresa com um nome bonitinho e uma possibilidade de produto rabiscada em um guardanapo. Para tanto, resolvemos relacionar aqui 7 coisas que definitivamente NÃO configuram uma startup:

1. Um website

Você até pode argumentar que toda startup possui um website (o que continua não sendo necessariamente verdade), mas não adianta bater o pé. Jogar um website no ar e confabular a respeito não transforma essa sua “ideia” em uma empresa, ainda mais uma startup. Afinal, de repetível sua ‘startup’ só tem o fato de qualquer um hoje coloca um site no ar. Escalável? Só se você acessar seu site na Serra das Guianas. Ter um site não é privilégio de empreendedores, e para falar a verdade, há dezenas de startups (essas reais) com plataformas que permitem a qualquer pessoa colocar um bom website no ar, arrastando e soltando elementos das páginas.

2. Uma ideia

Uma ideia é apenas um pensamento – não possui necessariamente tangência com a realidade e está completamente baseada no que chamamos de “repertório” do idealizador. Por exemplo, eu poderia ter uma ideia sensacional, criando um produto inovador que permite acender fogões sem o uso de fósforos. O problema? Minha falta total de referência a respeito desse segmento faz com que eu ignore que:

  • Esse produto já foi inventado e é usado no Brasil há pelo menos 30 anos;
  • 90% dos fogões de hoje possuem acendimento automático, por intermédio de um faiscamento que gera o acendimento das bocas;
  • Fogões mais modernos, usados por chefs e amantes de culinária não possuem sequer chama ou “boca” – são apenas painéis que acumulam calor em determinados pontos;
  • Todas as soluções são baratíssimas, então o usuário pode simplesmente não considerar o valor que você propõe suficiente.

3. Fundadores

Não é apenas mudando a terminologia de “sócio” para “fundador” que você conseguirá criar uma startup. Eu até arriscaria dizer que, quando mencionado em inglês (já vi um punhado de cartões de “founders” aqui no Brasil), a probabilidade de que tal empresa não se trate de uma startup, ou mesmo que sequer haja uma empresa, beira os 90%.

4. Um aplicativo mobile

Vale a mesma ideia do website: um app mobile é nada mais do que um app mobile. Não queiram dourar a pílula e transformar produto em empresa. Grandes startups criam dezenas de apps, ou muitas vezes nenhum. Do mesmo modo que você não encontra apenas árabes usando turbantes ou indianos vestidos como Gandhi, não é todo app que remete a uma startup, ou vice-versa.

5. Cargos e posições “fancy”

Sempre fico imaginando – não existe um simples “gerente” em uma startup? Ou algo como um simples auxiliar de escritório, ou um daqueles estagiários genéricos, que possuem funções para as quais o curso ou formação não faz qualquer diferença?

Não. Todos em startups precisam ser diretores, vice-presidentes, ou algum “C-qualquer-coisa”… CEO, CTO, CMO, CFO, COO e daí em diante. Rebatizar todos os funcionários e sócios daquele seu escritório de design ou agência de comunicação não irá tornar sua empresa uma startup, mesmo se você recorrer a nomenclaturas extremas e até ridículas, como “Ninja de Mídias Sociais” ou “Marketing Padawan”.

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6. Um modelo Canvas

A ferramenta criada por Alex Osterwalter sem dúvida revolucionou não apenas o modo com que empresas nascem, como também o desenvolvimento de produtos e serviços dentro de empresas já existentes. Contudo, isso não significa que uma página de Canvas rascunhada possa consistir em uma empresa: o nome “modelo” deveria dar a dica. Isso até porque a grande maioria das startups que persistiram às adversidades trabalharam inúmeros Canvas diferentes em seus estágios de evolução, sempre corrigindo falhas e atualizando os campos à medida que novas constatações surgiam. Em outras palavras: o Canvas não substituiu o contrato social.

7. Perfis em redes sociais

Fan pages, contas no Twitter, menções a cargos em perfis pessoais… parece que mais importante do que construir uma startup é dizer que possui uma. Ser empreendedor não é uma carreira e, se você pensar bem a fundo, pode até figurar como um atributo negativo se na realidade o que você busca é notoriedade em sua profissão. Empresas dificilmente contratam “empreendedores”, ao contrário do que muitos pensam. O objetivo das empresas é conseguir o melhor funcionário possível, pelo menor custo e pelo maior lapso de tempo que puderem. Nesse caso, empreendedores são geralmente caros, pois precisam de salários suficientes para demovê-los de seus empreendimentos e também são imprevisíveis, ou seja, nunca se sabe quando abandonarão seus empregos para se aventurar em suas ideias e projetos.

8 Comentários

  1. gilson says:

    Sou da seguinte filosofia: Em geral, há sempre uma irônia em como as coisas se formam.

    Veja o Google por exemplo: quando foi criada a idéia do algoritmo de busca, eles não tinham a menor intenção de estar criando uma startup. Inclusive eles tentaram vender a idéia para o Yahoo e não tiveram sucesso.

    O Facebook: também não tinha a intenção de ser uma startup. Começou como uma brincadeira, onde os caras colocavam a foto das meninas da faculdade e começaram a criar perfis da faculdade, etc…

    E assim são muitas outras idéias que surgem, parece que ironicamente.

    Mas que realmente existe esta coisa das pessoas associarem a filosofia de startups a modismos, isso existe. Isso só acaba distorcendo o propósito e o fundamento das coisas.

    Sábio seria os fundadores respeitarem o espaço das obras, estando apenas pronto para apará-las e moldá-las quando necessário. Pois cada produto, cada idéia, cada obra, tem sim vida própria, cabe aos fundadores terem a sabedoria de deixar que as coisas também crescam por si só.

  2. selton igor says:

    Texto típico de um EMPRESÁRIO que tem medo da concorrência e quer podar as asas de quem sonha em crescer na vida. Toda Startup começou com uma ou algumas idéias e muitas que hoje possuem CNPJ e uma bela sala no 16o. Andar de um predio na paulista, começaram no papel e depois informalmente até finalmente os sócios formalizarem o negócio.

    Denegrir a imagem de um empreendedor só porque o cara ainda não tirou o cnpj não tirá o mérito desses heróis!

    • Carlos Matos says:

      Ter medo da concorrência e ignorar a existência dela são coisas diferentes, Selton. Obrigado pela crítica e participação. Um abraço.

  3. Caro Carlos!!!

    Simplesmente fantástico e direto seu post…isso faz parte do que chamo o SHOW STARTUP BUSINESS…pura espuma!!! E está cheio por ai de gente perdendo tempo deles e dos outros com isso…

    Convido vc a conhecer o blog http://www.digai.com.br com vários posts sobre o tema e onde escrevo também uma coluna sobre startups…(ah..tenho uma)…valeu!

  4. Fabiano says:

    Excelente texto!

    Embora seja um choque de realidade como uma certa agressividade, era exatamente o que eu estava procurando.

    A conclusão que eu tenho é de que não adianta procurar uma aceleradora com algo que ainda não é uma startup, portanto, realmente não o farei.

    Agora, a dúvida permanece: Quem ou onde procurar ajuda para tirar uma idéia do papel/site/app e transformar em uma startup?

    Abs,

    Fabiano

  5. Belo texto Carlos, compartilho bastante dessas ideias.

    Gosto bastante de uma expressão do Marco Gomes que diz:

    “VOCÊ SÓ É EMPREENDEDOR SE TIVER PRODUTO, DINHEIRO, TIME E CLIENTES”.

    Rodrigo
    http://vindi.com.br
    http://sonhogrande.com/

  6. Boa! =)

    Eu costumo brincar por aí que o que mais tem é gente CFU (Sefú).

    Só faltou mencionar que “co-founder” não é profissão. Tem mais vaga por aí prá cofundador do que prá programador, designer ou vendedor. Eu prefiro um profissional qualquer que trabalhe do que um C-qualquer-coisa que só vive de um título engraçadinho no cartão de visitas.

    E que ganhar concurso de startup não é garantia de sucesso.