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6 perguntas para fazer a uma aceleradora

Aceleradoras estão tão em alta quanto startups – a cada semana, uma delas aparece no mercado. Se multiplicarmos um número de não menos do que 70 ou 80 aceleradoras presentes hoje no mercado por cerca de 10 startups aceleradas anualmente em cada uma delas, teremos mais de 800 empresas disputando um lugar ao sol. Os Estados Unidos e a Europa passaram, há cerca de 2 anos, por essa mega-proliferação de programas de aceleração – muitos deles consistentes, mas outros apenas “trendy”, já que todo mundo estava abrindo um também.

O mercado apertou e as aceleradoras, tanto quanto as empresas, precisam vender seu peixe para atrair empreendedores capazes e com bons projetos para integrar seus portfólios. Mais do que apenas “jogar” seu nome no mercado, essas aceleradoras passaram a vender seus programas com direito à inclusão de grandes nomes como mentores, números estrondosos de investidores próximos e associados e também todo o tipo de suporte, do ponto de vista educacional e em termos de estrutura até viagens ao exterior em alguns casos, bem como a participação em “eventos” diversos.

O grande número de aceleradoras no mercado levou o empreendedor, em alguns casos, a duvidar da eficácia desses programas. Com razão: as taxas de sucesso de algumas delas não são nada animadoras. Contudo, não culpem os donos de aceleradoras – eles mantêm um negócio. É o empreendedor quem tem a obrigação de optar ou não pela aceleração, e também de encontrar uma aceleradora que se encaixe melhor no perfil de sua empresa.

As reclamações se multiplicam no mercado: aceleradoras que cobram fees não comunicados anteriormente, redes de “investidores” que não investem, programas que beiram mais a autoajuda do que o apoio técnico necessário, entre outros. Bem, antes de optar então pela aceleração, ou de fazer sua escolha, que tal usar o maior poder de barganha que sua startup ganhou, com a enorme concorrência de aceleradoras no mercado, e fazer algumas simples perguntas antes de embarcar em algum tipo de roubada?

Quanto custa?

Esqueça o quanto as aceleradoras prometem colocar em sua startup, em termos de capital. Em muitos casos, existem fees e cobranças pelos serviços prestados que, apesar de inferiores aos preços cobrados no mercado em geral, não são claramente expostos ao empreendedor. Tudo na vida tem um custo – é muita inocência de sua parte achar que aceleradoras são versões “startup” de ONGs. Seja em termos de participação ou dinheiro vivo, você será cobrado pelo programa e pelas teóricas vantagens que são oferecidas – a questão é quanto e quando pagar.

Cadê os investidores?

Redes de “mais de 50 investidores” não querem dizer absolutamente nada. Quem são essas pessoas? Com que frequência elas investem em projetos dessa aceleradora em particular e quanto já investiram? Quais os setores que eles preferem? Muitos empreendedores terminam programas de aceleração e não conseguem qualquer tipo de investimento. A aceleradora, pode ter certeza, bem que tentou – ela tem interesse nisso. Mas é preciso ver até que ponto as relações dessa aceleradora com investidores realmente procedem e são fortes, ou se esse é apenas mais um número excelente para figurar no Powerpoint.

Com que frequência vejo os mentores?

Mentores, em geral e quanto mais famosos eles forem, são pessoas ocupadas. Apesar das aceleradoras encherem vários “scrolls” com nomes a dar com o pau, poucos deles realmente comparecem ou aparecem com alguma frequência. Não raramente, startups ingressam em programas de aceleração com foco em alguns dos mentores que são ali anunciados, mas em alguns casos, passam os meses de aceleração sem ver esses nomes nem mesmo pintados.

O que acontece depois?

Certo – você cumpriu os meses de aceleração e pronto. Participa do Demo Day e nada rola… e agora? Pois é – você deveria ter feito essa mesma pergunta lá atrás, quando assinou a papelada do programa de aceleração. As mais renomadas aceleradoras do mundo possuem planos para muitas das startups que vão além do Demo Day – aliás, essa é a melhor política, tanto para aceleradoras quanto para empreendedores, mas nem sempre acontece.

Quais são os termos – em português, por favor?

A verdade? A molecada nunca lê contratos e termos de aceleração. Aliás, não leem contrato algum. O problema é que eles têm validade jurídica e, principalmente, financeira. Não citarei nomes, mas uma aceleradora recente no mercado oferece R$ 12 mil em “investimentos”. Esses investimentos, ao contrário do que a maioria avassaladora dos empreendedores pensa, não é em grana – são “recursos”, apoio, estrutura, serviços e outros. Trata-se de uma equivalência. Contudo, não fica claro em momento algum como essa equivalência é calculada.

A mesma aceleradora cobra (aí sim, em grana) um total de quase R$ 1.500,00 em seis meses de cronograma, e mais uma porcentagem sobre os resultados atingidos. Até aí, nada de mal – mas além de tudo a cobrança é feita por cabeça, ou seja, se sua empresa possui 4 fundadores, ela pagará em 6 meses metade do capital que foi teoricamente “investido”. Contudo, a parte da startup é em dinheiro e a deles em serviços “a saber”.

Mais uma vez, se você não leu os termos direito, tem mais é que pagar mesmo – e não reclame, a aceleradora não está fazendo nada de ilegal ou absurdo.

Última questão

As aceleradoras surgiram dentro do contexto das startups, mas não é apenas nele que vemos programas de aceleração hoje em dia. Temos aceleradoras de talentos conduzidas por gente que antes estava desempregada, aceleradoras de apps e softwares que não conseguem sequer desenvolver um site decente, entre outras bizarrices. De um modo geral, a pergunta-chave é “acelerando o quê”. E, por favor, tente fugir das garantias de investimento e promessas de sucesso e “felicidade” (ri demais quando vi essa) – quem promete coisas dessa maneira obviamente não tem a menor ideia do que está fazendo.



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