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5 passos para identificar a ‘balela digital’

Receitas para ficar rico da noite para o dia, métodos milagrosos para superar o que quer que seja e artigos de “X” passos para realizar alguma coisa que, via de regra, termina em um botão de compra. Não por acaso, vendo tudo isso me recordo daqueles filmes e caricaturas do Velho Oeste, onde vivaldinos vendiam tônicos e elixires que curavam até doenças que você não tinha, bem como das promessas sensacionais com depoimentos de ilustres desconhecidos de esquemas pirâmide da década de 1990. Os mercadores de milagres estão de volta, mais fortes do que nunca, e alguns deles encontraram um terreno fértil no empreendedorismo digital.

Falamos um pouco sobre os personagens de eventos de startups, mas o que dizer dos autores e detentores de “segredos da fortuna” que atuam em carreira solo?

Na falta de termo técnico equivalente ou estudos acadêmicos chatos e aborrecidos, escolhi o termo “balela digital” – designará, doravante, todo tipo de ebook, videoaula, conjunto de “ferramentas” e afins que prometem mundos e fundos por meio de textos repletos dos chamados “gatilhos digitais”, que quando lidos de forma tradicional não fazem qualquer sentido e não possuem a menor cadência ou coesão, são apenas um punhado de keywords e jargões baratos e antiquados de vendas.

Parece difícil, mas identificar a balela digital não existe prática e nem tampouco habilidade. Seguindo os passos do método que desenvolvemos, você logo estará apto a antecipar os movimentos de espertalhões da rede e evitar gastos desnecessários clicando em botões que remetem sempre ao PagSeguro. Quer saber como?

1. Palavras da moda

É matematicamente perfeito: o número de palavras da moda em qualquer texto é inversamente proporcional à sua verdadeira utilidade e no empreendedorismo digital não é diferente. Desconfie imediatamente caso você identifique mais de uma ocorrência de qualquer um dos termos abaixo em um artigo com menos de 700 palavras:

  • Sucesso.
  • Proatividade ou proativo.
  • Máquina de vendas.
  • Monetização.
  • ROI, ou retorno sobre o investimento.
  • Passo a passo.
  • Sustentabilidade ou sustentável.
  • Solução, sempre que seguida de adjetivos: inédita, inovadora, de sucesso, única, etc.

Há muito mais termos, mas como isto é um artigo, e não uma planilha de Excel, deixarei que vocês reflitam sozinhos sobre quais mais estariam cabendo aqui. O criador de balelas digitais é, usualmente, alguém com excelente performance em vendas, porém zero aplicação para os estudos. Ao se deparar com novidades e novas teorias, ele imediatamente enxerga excelentes possibilidades de ganho, mas sua pouca disposição para a leitura faz com que ele grave as palavras-chave do conteúdo, que afinal de contas, são as que vendem melhor.

2. Explicações que nunca chegam

Os gatilhos mentais na redação publicitária são ferramentas sofisticadas e comprovadamente eficientes para a manipulação do público. Contudo, assim como no caso de redações do ensino médio, seu uso exige prática e habilidade e, porque não dizer, comedimento. Autores de balelas digitais não sabem disso – utilizam gatilhos mentais um atrás do outro, sem qualquer evolução. Na opinião deles, quanto mais “suspense” melhor. O problema é nunca chegamos até o tema proposto.

Esta semana li alguns textos que fariam um mudo gritar de indignação. Em um deles, o autor demora simplesmente 8 páginas para revelar o suposto “segredo” do sucesso em determinado mercado. Obviamente que pulei aqui e ali até chegar à conclusão do rapaz e eis que, como ele havia prometido, realmente me surpreendi: ele estava vendendo um método de estudos “completamente inovador”, em suas próprias palavras, que consistia basicamente de aulas em áudio, distribuídas em mp3. A inovação, entretanto, já foi utilizada nas décadas de 70 e 80, quando revistas com cursos de inglês ou treinamentos distribuídos pelo Círculo do Livro vendiam pacotes com fitas K7, nas quais os temas eram narrados.

A balela digital é assim – quanto mais “inovador”, mais se parece com contos do vigário nos quais nossos pais e avós caíram 30 ou 40 anos atrás.

3. Excesso de “currículos”

Sempre achei engraçado – verdadeiros mitos do mundo dos negócios ou do meio acadêmico conseguem, em geral, vender suas imagens em uma única palavra, que cabe até mesmo em um “GC” de reportagens televisivas: fundador da empresa tal, criador do software X, doutor em sei lá o que em Harvard, autor do livro tal…

Estamos falando de pessoas que possuem um currículo tão vasto e cheio de realizações que teriam de contratar um estagiário se quisessem preencher corretamente e de modo completo os formulários do LinkedIn. Ainda assim, salvo raríssimas exceções, operam sempre pelo título com o qual são conhecidos.

Voltemos à balela digital. Cursos, treinamentos, materiais para download e toda sorte de “produtos digitais”. Os autores? Você nunca ouviu falar deles, mas eles são autores de pelo menos 20 livros e ebooks, possuem cursos e formações em universidades das quais você jamais ouviu falar (mas são várias) e títulos que causam estranheza não apenas à primeira vista, mas na segunda vez que você confere também. Falo de ninjas de mídias sociais, especialistas em qualquer coisa “disruptiva” ou “holística” e por aí vai. Quanto mais nebuloso e desconhecido, maior o currículo, isso sem falar das fotos, sempre em busto ou plano americano, como em cartazes de “real estate” norte-americanos.

4. Superlativos

Qualquer superlativo ou tentativa de inflar números e dados reais é uma clara demonstração do egocentrismo exacerbado dos autores e produtores de balelas digitais. Números geralmente “redondos”, claramente chutados e sem qualquer embasamento povoam páginas e mais páginas de supostas comprovações de teorias, tudo para levar você até o famigerado “call-to-action”, aliás um termo adicionado por pessoas que não dominam o verbo “to be”. O empreendedorismo digital está cheio deles.

Tudo o que é “melhor”, “maior” e “mais” alguma coisa precisa de comprovação. Como jornalista, sempre achei curioso o fato das pessoas cobrarem a existência de fontes e dados comprobatórios em matérias jornalísticas, mas engolirem toda e qualquer balela em textos empresariais, comerciais ou publicitários, sem sequer se questionar a respeito de como se chegou a tal conclusão.

Do mesmo modo que produtos de limpeza que matam “99%” dos germes e releases de empresas variadas que sempre são as “maiores” ou “líderes” no que quer que seja, autores de balelas digitais não conseguem se segurar – tudo o que produzem é sempre superlativo e, inevitavelmente, conduzem rumo ao seu inflado ego.

5. O segredo

Eu disse 5 passos lá em cima, você se lembra? Pois é, existem muitas maneiras de se identificar a balela no empreendedorismo digital, mas apenas um único segredo por detrás de todos os vivaldinos da web. Você quer saber qual é? Então espere mais um pouco… talvez você não esteja preparado para encarar a realidade.

Curiosamente, as pessoas continuam lendo artigos mesmo quando chegam até esse ponto. A culpa não é sua, pode ficar tranquilo – é apenas seu cérebro pregando peças em você enquanto você lê. A curiosidade, a surpresa, o suspense… todos eles estão profundamente ligados à forma como descobrimos o mundo e prendem nossa atenção mesmo quando estabelecemos racionalmente alguma aversão a esse tipo de conteúdo.

Mas agora é sério, acho que segurei vocês por tempo demais. Não é justo ficar esperando depois de tanto tempo na frente do computador. Não se acostumem, não é sempre que eu antecipo as coisas dessa maneira, mas dessa vez darei uma colher-de-chá. Se você ainda quer conhecer o segredo por detrás de toda a balela digital, especialmente em relação ao empreendedorismo, é só clicar aqui e depois clicar em voltar… eu prometo que você nunca mais será o mesmo.



4 Comentários

  1. André Duarte says:

    Ops… Não, espere!

  2. André Duarte says:

    É um verdadeiro mercado quente… Não espere, em inglês fica mais legal, que tal hotmart?

  3. Fabiano says:

    Realmente, como tudo que se torna moda e que supostamente traz dinheiro fácil, acaba por corromper o mercado (seja ele qual for) e prejudicar quem está fazendo um trabalho sério, sempre estudando, se reciclando e tentando se destacar com qualidade e boas intenções, mesmo que com fins comerciais.

  4. Você está terrível essa semana, hein Carlos? (No bom sentido).

    Animal o texto, ABS

    RD