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5 passos para criar uma empresa na crise

Seis meses atrás, a grande maioria dos brasileiros davam risada quando perguntados a respeito da “crise”. Hoje, seis meses depois, não se fala em outra coisa. Uma crise é algo que afeta invariavelmente a todos no meio empresarial: companhias já fortes e estabelecidas passam por dificuldades e têm sua suposta sustentabilidade colocada à prova. Para os entrantes, o cenário se fecha e o sonho de conduzir o próprio negócio e criar uma empresa se torna ainda mais desafiador.

Por outro lado, crises sempre foram um berço de ouro para novas oportunidades. Empreendedores estreantes tomam o lugar de antigos geralmente durante momentos mais tétricos da economia e dessa vez não deve ser diferente. Como sempre ocorreu na história, veremos empresas que dominam mercados inteiros perderem, pouco a pouco, sua hegemonia, do mesmo modo que veremos nomes praticamente desconhecidos alçarem um lugar de destaque no pedestal.

Mais do que baladas motivacionais e palavras de sucesso, precisamos de inteligência e disciplina durante as crise – só assim é possível criar negócios promissores, que como micro-organismos extremos sobrevivem a condições inimagináveis, para depois se multiplicarem e proliferarem em condições mais amenas.

Em meio à crise, alguns passos que não têm nada a ver com “vontade”, “garra” ou “acreditar em si mesmo” podem ser tomados, para que você possa criar uma empresa, mesmo em um cenário turbulento e repleto de incertezas.

Evite modismos ao criar uma empresa

A moda, por definição, é algo passageiro. Durante as crises, modismos empresariais tendem a passar de modo ainda mais rápido. Basta ver a questão das famigeradas paleterias mexicanas. Em outros casos, modismos que proliferam durante crises simplesmente não encontram lugar para sobreviver em um mercado estabilizado – nesse caso podemos relacionar as compras coletivas. Astros da crise nos EUA, os sites de compras coletivas simplesmente definharam até virar pó nos últimos dois anos, e pelo visto não deixaram qualquer saudade.

Uma crise é, basicamente, constituída pelo encolhimento da economia – com esse efeito, cada mercado em particular também tende a encolher. Se você atua em um modismo, está na verdade colocando suas fichas em um mercado que terá diversos concorrentes, quando deveria estar fazendo exatamente o contrário.

Postergue investimentos

A grande bíblia dos negócios nos últimos anos nos fez considerar que toda empresa precisa de pesados investimentos para ser colocada em prática. Empresarialmente e historicamente, isso por si só já seria um grande absurdo – em momentos de crise, se torna uma impossibilidade e até mesmo uma grande burrice. Crises econômicas reduzem sistematicamente o valor de ativos e investimentos, seja por desvalorização de uma moeda, por perda de liquidez ou simplesmente por acirramento da concorrência. Investir no cenário atual significa um enorme custo de oportunidade e até mesmo uma grande perda em termos de valorização. O recrudescimento da crise permite que você consiga barganhar e reduzir custos de forma mais eficiente – investir R$ 1 milhão hoje pode significar um gasto 10% ou 20% superior a um investimento feito daqui seis meses.

Avalie seu modelo de negócio para que ele exija o menor volume possível de investimentos imediatos, postergando quaisquer investimentos desnecessários à geração de caixa e acumulando lucros para a realização desses aportes no futuro, possivelmente a um custo mais baixo e com um grau de aproveitamento maior, e uma amortização consideravelmente menor.

Fuja dos mercadores de milagres

Qualquer crise econômica é um terreno fértil para os vendedores do sucesso, não por acaso, a maioria dos mercadores de milagres norte-americanos surgiu logo após a quebra da Bolsa de Nova Iorque ou durante a Crise do Petróleo, nos anos 70. Vendendo fórmulas maravilhosas e receitas de bolo para um bando de desesperados, esses mercadores são capazes de absorver o pouco que lhe resta de recursos para fundar uma empresa ou tirar o pé da lama.

Não existe fórmula do sucesso ou fórmula para criar uma empresa – a fórmula sempre foi uma só: trabalho e dedicação.

Hora de NÃO contratar

Sindicatos e defensores da classe trabalhadora podem criar escarcéu e chorar as pitangas. Você quer ser um empresário, então não pode dar ouvidos a conchavos populares. Não é hora de contratar. Basta avaliar a coisa do seguinte modo – se o momento exige que se procure empregos, é porque ele também exige que as principais empresas do mercado fechem postos de trabalho. Se grandes corporações estão reduzindo seus quadros, talvez seja hora de você pensar em não expandir o seu.

O sucesso de uma empresa em momentos de crise depende, diretamente, a capacidade de uso dos recursos próprios por parte dos fundadores. Empresários que prosperam em momentos como esse se desdobram e dão conta do recado eles mesmos. Descarte os maravilhosos conselhos de “delegar”, “contratar profissionais capazes” e outros e comece a se preparar para botar a mão na massa você mesmo.

Improvisação é algo bom

Criar uma empresa é algo que muitas vezes exige improvisação. Inovar é algo que, geralmente, surge de improvisações. Entretanto, renomados “experts” no mercado continuam a dizer que não se deve fazer nada de improvisado em uma empresa. É claro que não devemos entender improvisação como um sinônimo de economia porca ou descaso. Contudo, improvisar em um mercado pautado pela crise é uma necessidade e também uma vantagem. Soluções improvisadas são aquelas que testam variáveis e podem se tornar soluções definitivas e inovadoras no dia de amanhã.

Então, já que “pensar fora da caixa” é o lema em nosso setor cheio de cartilhas prontas, talvez seja hora de queimar seus guias e manuais e agir um pouco conforme as necessidades apareçam.

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