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5 palavras para repensar sua startup

Não faltam fórmulas e esquemas de sucesso no cenário de startups e empreendedorismo digital. As receitas de bolo não são uma novidade – desde os primórdios do capitalismo financeiro as fórmulas “infalíveis” para a criação de novos negócios vendem até mais do que os próprios produtos criados por essas empresas bem-sucedidas. E a cada nova onda, surgem novos métodos, mas o fato é que a capacidade de mudança e adaptação de uma empresa a realidades não tão previsíveis quanto essas teorias sugerem é algo que pouco mudou: pequenos questionamentos podem salvar negócios da bancarrota e, talvez, essa seja a hora de fazer essas perguntas a respeito de sua startup. Separamos aqui apenas 5 palavras – pequenos lampejos que podem gerar mudanças drásticas em seu modelo de negócio e representar a virada definitiva rumo ao sucesso. Mais do que uma receita de bolo, algo que depende apenas de você como empreendedor.

Lucro

Às vezes me pergunto o que houve com a boa e velha prática de criar negócios lucrativos. Diariamente assistimos a potenciais empreendedores reclamando e maldizendo essa mania dos investidores de “só querer lucros”… será que o próprio significado do vocábulo “investidor” passou despercebido?

Um bom negócio gera lucros sim, ou pelo menos cria boas perspectivas de lucratividade futura. Não confunda lucros com receita e nem mesmo com dinheiro – o lucro é a ferramenta que permite traçar o caminho rumo à sustentabilidade e criar e manter um chão seguro para o ganho de escala. Não há sentido algum em expandir um negócio que gera prejuízos indefinidamente, esperando de forma pueril que apenas crescendo em tamanho o “lucro virá”. No começo dos anos 2000, assistimos a inúmeros casos de startups que literalmente torraram e pulverizaram centenas de milhões de dólares, ampliando de forma brutal seus modelos de negócio, que em menor escala geravam prejuízos.

Se a conta não fecha, nunca é cedo para consertá-la. Construir empresas cuja única possibilidade de realização de lucros seja sua própria venda é a própria definição de bolha – e cedo ou tarde, vemos notícias e análises exasperadas a respeito de imensas perdas que certamente poderiam ter sido evitadas, caso o lucro fosse uma prioridade desde o início.

Precisão

Estamos vivendo o domínio das métricas “enjambradas”. Números e aproximações com altíssimo teor de achismo e níveis acintosos de arredondamento e chute. A grande maioria dos modelos apresentados diariamente em pitches e eventos de startups são “mentiras sinceras”. Mentiras porque estatísticas usadas em geral fazem uso de “benchmarks” e referências longínquas descontextualizadas – uma forma rápida de fazer a coisa. Empreendedores estão confundindo as bolas: a rapidez e o lançamento de produtos beta e com poucos features se refere à construção de suas empresas, e não à maneira com a qual apresentam seus projetos. Realizar apresentações e criar argumentos para atuar junto a investidores e ao mercado não é “beta” – números e conceitos têm de estar realmente validados, pesquisados e conferidos.

Abnegação

A condução de uma startup exige de seus empreendedores atos constantes de renúncia – e não apenas de seus atuais empregos ou ocupações, ou mesmo recursos financeiros. É preciso renunciar a dogmas, crenças e suposições que possam prejudicar seu produto ou serviço, ou simplesmente cega-lo perante concorrentes e clientes. Na cabeça de um bom empreendedor, está bem resolvida a questão da autocrítica: ele sabe que é incapaz de avaliar a si mesmo e à sua startup. Considerá-lo suficiente ou sua empresa inovadora ou promissora é tarefa que cabe a terceiros.

Humildade

Não se trata de uma abordagem de autoajuda. Quero dizer humildade em relação ao público e aos desdobramentos de seu próprio modelo de negócio. O modo com que 95% das startups brasileiras concentra seus esforços de validação e, posteriormente, de crescimento, em um punhado de centros urbanos é simplesmente incoerente. Se o ditame do setor é buscar “mercados sem concorrência”, não deveríamos estar sendo mais humildes em termos geográficos ou sociais?

A população de cidades brasileiras com menos de 500 mil habitantes clama por soluções. Dentro do papo lindo de “oportunidades” no meio startup, talvez você esteja jogando muitas delas no lixo apenas para viver um estilo “empreendedor moderno” em São Paulo ou Rio de Janeiro.

Evolução

Boas empresas evoluem: aprimoram seus produtos, renovam seu quadro de funcionários, reinventam suas marcas e filosofias… startups não são diferentes. A frenética movimentação de uma startup não termina quando o produto chega à fase de escala. Consumidores mudam, problemas monstruosos se tornam meros inconvenientes, mercados são afetados por dezenas de fatores – sua startup não deve ser uma empresa “sólida”, ao invés disso, é bom que ela seja bastante flexível.



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