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4 maneiras de usar a metodologia de startups em seu negócio

Startups, da forma como vemos em muitas matérias e reportagens de “tendência” na imprensa, parecem ser uma categoria de negócio que apenas se refere a empreendedores digitais, em geral entre 20 ou 30 anos, que criam aplicativos ou abrem empresas de e-commerce para vender alguma coisa qualquer. Aqueles que realmente acompanharam o processo desde seu início sabem que a cultura e a metodologia de criação e desenvolvimento de negócios que acompanha o termo vai muito além disso. Ainda assim, pairam dúvidas sobre sua eficácia nas ditas empresas da “economia tradicional”.

Antes de seguir adiante – uma tradição apenas existe até o momento em que é substituída por outra. Será então que nossos padeiros, cabeleireiros, farmacêuticos e mecânicos não merecem compartilhar e utilizar o que o pensamento startup tem a oferecer para seus empreendimentos? Se o problema é “como” fazer isso, aqui vão 4 boas maneiras de começar:

Portfólio e mix produtos

Sempre achei engraçado o modo com que o pequeno varejo e empresas de menor porte se colocam a respeito do portfólio de produtos e serviços e o mix de itens oferecido. Vale dizer que, a depender do modelo de negócio ou segmento, não há muito como fugir de um portfólio mais variado. Contudo, essas empresas se mostram contraditórias em relação às suas compras e àquilo que realmente desejam vender ou dá lucro.

Não raro, vemos anúncios em cartazes de padarias e lanchonetes – promoções de um único item, em geral, ou de uma linha apenas. Ora, se todo seu marketing, linguagem visual e até mesmo a orientação de venda e abordagem com o cliente se dá em torno de um único ou uma meia-dúzia de produtos, por que há mais de mil itens em sua loja?

As startups geralmente trabalham com a abordagem do “one feature”, mas mesmo no caso de empresas de portfólio mais variado, como um e-commerce, já se provou que na maioria dos casos um portfólio menor, que acompanhe tendências e tenha mais fácil navegação vende mais, gera menos despesas de estoque e proporciona melhor margem de lucro. Voltando ao seu negócio tradicional, que tal reduzir o número de itens no cardápio? Evite itens que exigem ingredientes caros e de pouca saída, ou aqueles que não proporcionam um bom lucro. O mesmo se aplica a farmácias – pode ser que você tenha de dispor da maioria dos medicamentos, mas precisa mesmo manter em estoque 100 tipos diferentes de xampu e condicionador?

Serviços aparentemente customizados

Outro ponto engraçado é o fato de serviços na web serem apontados como “customizáveis” pelos clientes. Na verdade, a maioria das startups e empresas de produtos digitais permitem uma limitada capacidade de customização – em geral mantendo 3 ou 4 pacotes com tamanhos, formatos ou funcionalidades distintas. Os serviços tradicionais, se avaliarmos direito, são infinitamente mais customizáveis… nenhum conserto em oficina é igual ao outro, nenhum atendimento de cabeleireiro se dá do mesmo modo, ou com os mesmos produtos e dentistas ainda fazem orçamentos individuais elaborados para todo novo cliente. Por que então as pessoas não veem customização aí?

Quem fez ou estudou marketing sabe que a verdade é que as pessoas não querem escolher – elas preferem que você “monte” propostas que teoricamente se aproximem das necessidades delas. Ao separar 3 ou 4 pacotes, startups acabam enquadrando seus produtos e serviços na média das necessidades da grande maioria dos usuários. E, não resta dúvida, isso pode ser implementado em qualquer estabelecimento ou serviço tradicional do mesmo modo.

“Hands on” no seu negócio

Startups retomaram uma velha tradição de comerciantes realmente da antiga – o dono trabalha, e como! Com a crise que abateu o Brasil, não seria surpreendente se os estabelecimentos mais capazes de superá-la fossem de fato aqueles nos quais o dono, seus sócios e às vezes familiares trabalham. Aprenda isso: por melhor que seja um “gerente”, ele jamais terá o mesmo interesse que você na prosperidade do negócio.

Como em startups, cabe aos fundadores garantir a sobrevivência do modelo em relação aos desafios que se apresentam e também a manutenção dos negócios em seu curso mais favorável. Se você é um dos “chefes de si mesmo” que senta na poltrona enquanto um gerente cuida do que é seu, talvez seja a hora de parar de reclamar da crise e arregaçar as mangas, para variar.

Menos falatório e mais execução

Note que estou falando da cultura startup, e não do que alguns empreendedores fazem por aí. Segundo a metodologia que “criou” a tendência das empresas startup, a execução vale sempre mais do que o excessivo planejamento. E não entenda isso como o caos – startups também planejam e traçam estratégias, porém a execução é sempre uma prioridade. Primeiro você cria e coloca em prática, depois decide se a estratégia é boa ou ruim.

A grande maioria das pequenas empresas confunde execução com gasto – implementar uma nova estratégia ou variar o portfólio de produtos são abordagens que praticamente não alteram os custos de uma empresa, e exigem pouco planejamento, mesmo estando sujeitas a falhas. Reformas e investimentos são mais planejados e, teoricamente, possuem menor chance de falha, mas representam uma perda muito mais substancial no caso de erro, muitas vezes levando até mesmo ao fechamento do seu negócio.



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