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13 verdades que você não queria ouvir sobre sua startup

O ser humano é excelente em “dar feedbacks”, quanto a recebê-los, sem problemas – desde que sejam positivos. Já manifestei anteriormente meu descontentamento em relação a eventos, rodadas e esferas de relacionamento ligados ao segmento startup nos quais “todo mundo é líder”. Para início de converso, a história do “todos somos líderes” é papo de vendedor, representante e corretor – em suma, profissionais que trabalham por conta própria e precisam de motivação frequente para superar suas metas e ganhar comissões mais gordas, além de preservar seus empregos.

O fato é que feedbacks negativos geralmente possuem um arcabouço teórico e até uma utilidade muito maiores do que feedbacks positivos e passadas de mão na cabeça. Sua ideia é muito bacana, parece mesmo que você está trabalhando e até pode ser que o negócio dê certo, mas todos os feedbacks que você conseguiu até hoje, de amigos, colegas, conhecidos e até mesmo “especialistas” e autoridades em eventos sempre foram positivos. Sua ideia é ótima, fenomenal, inovadora, única, “disruptiva” e tudo mais, mas provavelmente não decola porque você tem azar ou Deus não gosta de você… sabemos que não é isso, não é mesmo? A Startupeando separou 13 verdades (só as principais, diga-se de passagem) que você jamais gostaria de ouvir sobre sua startup, mas é preciso, caso contrário ninguém o fará. Segure a raiva e leia todas com atenção – ao final você pode chutar seu gato ou esmurrar sua parede, mas por enquanto, relaxe e aproveite.

1. Sua ideia genial é mais velha do que andar para trás.

Pra início de conversa – se você não fez uma pesquisa mínima de mercado, as chances de sua ideia inovadora ter sido usada no dia a dia pelos seus avós é imensa. Pare tudo o que está fazendo e procure lá fora. Pensar fora da caixa também significa procurar fora dela.

2. Seu produto não serve pra nada.

Existem duas categorias básicas de produtos criados e veiculados por startups: os bons e os ruins. Contudo, se o feedback do seu cliente diz que o produto não serve para nada, você sequer pode ser incluído em uma das duas categorias anteriores. Aliás, você sequer possui um problema, pois não há solução – desmonte tudo e comece do zero, será melhor para todos.

3. Você não sabe preencher um Canvas.

O diagrama do Canvas está em uma única página por um motivo muito simples: ele tem que fazer sentido, formar um ciclo e conduzir a um processo que tenha lógica. Se você considera o Canvas apenas um bloco de anotações para suas ideias e divagações, compre o livro do Alex Osterwalder – você verá que o buraco é mais embaixo.

4. You’re not a CEO, bitch.

Fundar uma startup ou ter uma ideia não faz de você um CEO. Talvez, por sinal, seja melhor que o CEO de sua empresa não esteja sequer entre os fundadores. Em alguns casos, é preciso que você abra mão do suposto prestígio que um nome ou um cargo trazem e pensar na prática: quem a melhor pessoa para vender a imagem da empresa e gerir o negócio? Responda essa pergunta com sinceridade antes de mandar imprimir o seu cartão.

5. Isso não é uma startup.

Sem medo de errar – pelo menos metade das “startups” que aparecem na web ou mesmo em eventos nos dias de hoje não podem, sob qualquer ponto de vista, ser consideradas startups, pela acepção da palavra. Nada de errado com isso – estar ou não enquadrado nessa categoria não faz de sua empresa mais ou menos promissora, mas se você está embarcando nessa apenas pela “hype”, leia um pouco mais e tente criar algo que se assemelhe a uma startup propriamente dita.

6. Não adianta investir em ads.

AdWords e FacebookAds são as novas pedras filosofais do mercado digital. Pra que esforço de vendas? Pra que marketing de conteúdo? Pra que participar em feiras e exposições? Tudo isso é inútil – para vender bastar jogar algumas centenas de reais em publicidade digital e pronto, o cliente vem até você… vai nessa…

7. Sua fonte de receita é furada.

Você pode estar 100% certo de que irá faturar milhões em publicidade com seu aplicativo, ou que um bilhão de pessoas irá querer assinar seu serviço, mas sabemos que isso está longe da verdade. Tome cuidado com os chutes dados em suas possíveis fontes de receita. Sem pesquisa, elas podem levar você a acreditar em coisas que como cliente você jamais iria engolir.

8. Seu design é um lixo.

“Bonito” é uma das coisas mais subjetivas do universo. O que você acha não significa absolutamente nada quando você se propõe a vender um produto. Por exemplo, será mesmo que os publicitários que produzem as propagandas das Casas Bahia acham aquilo tudo bonito? Provavelmente não, mas eles focam toda sua linguagem visual no público que pretendem atender. No seu caso, pode ser que você tenha achado seu web design, identidade visual e escolha de cores maravilhosos, mas se o cliente achar um lixo, você estará em maus lençóis. Dê ouvidos a tendências e realize um bom trabalho de benchmarking em seu segmento de atuação.

9. Seu desenvolvedor é fraco.

Como você não entende muito de programação, foi levado no papo daquele seu colega que é “micreiro”. Antes de se tornar um refém de técnicas arcaicas de programação, código tosco e de baixa qualidade e moleques que não seguram a onda do projeto, ouça profissionais e pessoas realmente gabaritadas em fóruns e comunidades. O que pra você é ouro pode ser ridículo sob os olhos de alguém realmente experiente no segmento.

10. Você está pedindo dinheiro demais.

Principalmente quando mais de um investidor ou mentor diz isso para você, pode estar certo: você está pedindo mais dinheiro do que deveria. Corte gastos, reduza seus planos mais ambiciosos a ações mais práticas e baratas e, sobretudo, não queira pagar suas contas com investimentos de anjos ou fundos. Embora muitos deles ofereçam algum suporte aos empreendedores, a palavra “suporte” não significa um salário de executivo na faixa.

11. Você não tem perfil de empresário.

E quer saber? Pode ser que não tenha mesmo. Se você está na “onda startup” só pra ver qual é ou para ganhar e experiência antes de correr atrás de algum programa de trainee ou prestar um concurso para técnico da Receita Federal, você provavelmente não tem o menor tino empresarial mesmo. Com o tempo, sua falta de visão empresarial irá se voltar contra você mesmo, melhor buscar uma carreira bacana, pública ou privada, ou ainda se juntar a uma startup como colaborador ou freelancer – você se dará melhor e com certeza será um profissional mais realizado.

12. Seu concorrente é muito melhor.

Pois é – você caiu na conversa do “Oceano Azul”, achando que seu maravilhoso produto ou serviço inovador não tinha concorrência, porém ao jogar sua primeira versão no mercado, 90% dos clientes simplesmente dizem categoricamente que seu cliente é bem melhor. Não importa quantos argumentos você tenha, vindo com historinhas de “é diferente”, “é alternativo”, “é mais completo”… nada disso reverte o fato de que você não apenas tem concorrentes sobre os quais não sabe absolutamente nada, e que além disso possui um produto fraco e de qualidade duvidosa.

13. Seu produto é caro demais.

Não fez pesquisa concorrencial, não levantou custos e não fez estudos de formação de preços – pois é, agora o cliente acha seu produto caro demais e, ainda por cima, você não tem como baixar muito essas cifras, sob o risco de criar prejuízos em suas operações. Se você sabe ouvir conselhos, trabalhará na redução de custos e também na simplificação do produto, para ajustar os patamares de preço praticados. Se insistir no erro, talvez você possa virar, posteriormente, um palestrante contado seus “cases” para um platéia de empreendedores.



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